sexta-feira, 10 de julho de 2020

#1discopordia :: Ira! - Isso é Amor

por: Rafa Almeida

DIA 10: Ira! - "Isso é Amor" (1999)

A banda paulistana Ira! tem, definitivamente, uma discografia de respeito! E é muito provável que outros álbuns do conjunto apareçam por aqui ao longo do tempo. Mas por hora, o papo é sobre esta pérola aqui!

"Isso é Amor" é uma coleção de releituras que me surpreendeu! Até então, venhamos e convenhamos, releituras não pareciam ser o forte do Ira!.

Sim, me refiro às versões de "Lucy in The Sky Whit Diamons" dos Beatles (que virou "Você Ainda Pode Sonhar") e "Can't Explain" do The Who (rebatizada de "Eu Não Sei").

Mas o Ira! se redime no quesito versões com "Isso é Amor"! "Bebendo Vinho" (Wander Wildner), "Telefone" (Gang 90 - com a maravilhosa Fernanda Takai, do Pato Fu), "Chorando Pelo Campo" (Lobão), "Jorge Maravilha" (Chico Buarque) e outras são belíssimos momentos!

Mas não é possível falar de "Isso é Amor" sem citar a versão pra linda "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo", de Lô Borges, com participação de Samuel Rosa, do Skank! Que coisa mais linda!!! Pra este que vos escreve, um dos grandes momentos da carreira da banda! Mesmo!

Cozinha linda, Nasi mandando muito bem nos vocais e a guitarra do Scandurra... Nem precisa falar, né? O cara é surreal, e dá um show à parte neste lançamento de 1999 (de novo os 90's por aqui...rs)!

Definitivamente, um trabalho que merece toda a atenção e, me parece, não foi ouvido por muita gente..

Em tempo!! Tem que rolar uma menção a "Sentado à Beira do Caminho", de Erasmo Carlos! Sensacional (a musica, a versão e o Tremendão!!! rs)!

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quinta-feira, 9 de julho de 2020

#1discopordia :: Bad Religion - The New America

por: Rafa Almeida

DIA 9: Bad Religion - "The New America" (2000)

Quando o assunto é a banda favorita (dentre as favoritas), um disco não precisa ser incrível pra soar assim aos seus ouvidos. As canções te dizem tanto, e trazem tantas lembranças à mente que o álbum pra você, é incrível e ponto final!

É meu caso com o "The New América", do Bad Religion. Lançado no ano em que concluí meu ensino médio, e devidamente adquirido na extinta (filial da) loja Fire Rock, do Shopping Bay Market, em Niterói!

Foi justamente nessa época do ano que, se bem me lembro, coloquei essa coisa linda pra tocar pela primeira vez! E desde o pôr do sol do outono, passando pelo friozinho e o cheiro das plantas no ar da estação, tudo me remete às canções do álbum!

"You've Got A Chance", "It's A Long Way To The Promise Land", "Whisper In Time" (que coisa linda!) e outras eram trilha sonora pra tudo! No ônibus pra escola, intervalo das aulas, indo pros shows no final de semana, almoçando, no banheiro... tudo devidamente passado pra uma fitinha k7!

As letras que, nesse álbum, deixavam as questões sociais e políticas de lado e assumiam um tom mais pessoal, intimo, acertaram em cheio o moleque de dezoito anos que ainda tentava começar a entender alguma coisa do mundo em volta dele...

A espetacular "Don't Sell Me Short" só se tornou a minha favorita do disco anos depois. E acabou sendo a trilha sonora de minha primeira Meia Maratona. Calculada e planejada pra me levar pelo último quilômetro da prova, até a linha de chegada!

Conheço fãs de Bad Religion que torcem o nariz pro "The New América". Pra mim, é mais uma aula de Punk Rock/Hardcore dos mestres absolutos e incontestáveis do estilo (ao menos pra mim)! Vinte anos dessa coisinha linda aí, tinha que estar nessa lista!

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quarta-feira, 8 de julho de 2020

#1discopordia :: James Iha - Let it Come Down

por: Rafa Almeida

DIA 8: James Iha - "Let it Come Down" (1998)

Ok, de novo anos noventa... Pois é, não só a década de uma forma geral, com toda sua diversidade musical, mas principalmente esse finalzinho, foi muitíssimo importante pra formação musical (por assim dizer) deste que vos escreve.

E uma das pérolas mais preciosas deste período em minha prateleira é este "Let it Come Down", primeiro trabalho solo do guitarrista dos Smashing Pumpkins, James Iha!

Não sei se o rótulo ainda é usado (ao menos da mesma forma) hoje em dia, mas isso aí era chamado de Power Pop lá pelos 90's. Me arrisco a dizer que "Let it Come Down" segue a mesma trilha de nomes como Velocity Girls (talvez nem tanto...) e a espanhola Presuntos Implicados.

E o tal Power Pop da época, com suas guitarras delicadas e melodias açucaradas é o que dá o tom do álbum. Já na abertura com as certeiras "Be Strong Now" e "Sound of Love" o caminho a ser percorrido ao longo das onze faixas já é devidamente apresentado ao ouvinte!

Outro detalhe bacana é a quantidade de coisas lindas lançadas por outros nomes na mesma época! Oasis, Radiohead e outros em grande forma, e deixando nós colecionadores (na época dava pra isso...rs) em polvorosa com tanta coisa boa sendo enfiada ouvido adentro da gente!

Tem um artigo na Folha, da época, tratando disso. Passei por ele enquanto buscava infos da carreira solo do James Iha, e o link vai logo aí em baixo!


Leia "Discos e coletâneas garantem bom Rock" (Ilustrada - Folha de S.Paulo) aqui:

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terça-feira, 7 de julho de 2020

#1discopordia :: Herbert Vianna - Santorini Blues

por: Rafa Almeida

DIA 7: Herbert Vianna - "Santorini Blues" (1997)

Até o momento, só anos noventa por aqui... Mesmo tendo tido minha adolescência nos anos noventa, as primeiras lembranças musicais (obviamente) são da década anterior. Enquanto descobria os sons dos 90's, ia atrás do que havia acontecido nos 80's.

Sendo assim, o BRock 80 é importantíssimo pra mim! E os Paralamas estão entre meus nomes favoritos desse período!

"Santorini Blues" reúne uma penca de aspectos que garantem a ele um lugar especial na minha prateleira, e em minha memória. Paralamas, anos oitenta, Herbert Vianna, anos noventa e Internacional Magazine...

Isso mesmo! Só me dei conta de que o vocal e guitarra dos Paralamas tinha uma carreira solo após uma entrevista concedida ao saudoso (termo recorrente por aqui, eu sei) tabloide carioca.

O clima acústico e a sonoridade crua, propositalmente impressos no álbum por Herbert e Carlos Savalla, que assinam juntos produção e mixagem, são envolventes, apaixonantes!

"A Palavra Certa" e "Uns Dias" são minhas favoritas! A primeira é uma coisa, simplesmente, linda!! "Por Siete Vidas" de Fito Paez e "Annie", de Eric Clapton, também são belos momentos!

Mais um álbum daqueles que me transportam pra sons, cheiros, sensações e recordações da época de seu lançamento, como todo bom disco que se ouve "até gastar"...! rs

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segunda-feira, 6 de julho de 2020

#1discopordia :: Cólera - Caos Mental Geral

por: Rafa Almeida

DIA 6: Cólera - "Caos Mental Geral" (1998)

É difícil escrever sobre aspectos técnicos, ou de estilo, deste disco. A carga emocional e a importância que "Caos Mental Geral" teve na cabecinha do então adolescente que vos escreve é enorme!

Eu nem lembrava do ano de lançamento, até dar uma pesquisada pra postar aqui. A impressão é de uma época tão distante, mas tão distante que nem consigo associar o disco à virada dos anos noventa pros dois mil.

Diferente do resto da humanidade (ok, exagero), o primeiro que ouvi do Cólera não foi o "Pela Paz em Todo o Mundo" e sim este "Caos Mental Geral". Até então, ouvia as músicas em fitas, CDs copiados por amigos e demais formas de se conhecer bandas da época...rs Mas álbum inteiro, foi essa maravilha aí!

Devidamente municiado de informações colhidas numa entrevista do Redson pra (lendária e essencial) revista Rock Press, fui achar o álbum na antiga loja Rock Revenge, no Centro de Niterói.

E entre coletâneas "produzidas" pra abastecer o walkman (usei até dois mil e pouco...rs), "Caos Mental Geral" mereceu um k7 só pra ele, pra me acompanhar pra cima e pra baixo!

Sobre som? O que dizer da introdução com "Qual Violência?" seguida da faixa título?! E aquelas linhas de baixo?? E as letras e a energia dos vocais do Redson???

Ah! "Por Que Ela Não?" esfrega na cara de uma cena super machista uma discussão que a mesma já devia (naquela época) ter encarado há tempos e, até hoje, não consegue. Ok, um faixa a faixa aqui tornaria esse texto bem mais longo do que deveria (como se já não fosse...rs).

Outra lembrança: assisti ao Cólera, com a formação que gravou "Caos Mental Geral", em Itaboraí/RJ. Na ocasião, entrevistei o Redson pro nosso Feira Moderna Zine!


Depois de um show incrível, de mais de duas horas de duração, sentado na beira do palco (com uma kombi esperando na porta do lugar pra levar a banda pra rodoviária, no Rio), uma das figuras mais emblemáticas do underground nacional concedeu a este que vos escreve, talvez, a entrevista mais legal que publicamos no FMZ (registrada no walkman citado acima, que sempre me acompanhava)!

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domingo, 5 de julho de 2020

#1discopordia :: Nei Van Soria - Jardim Inglês

por: Rafa Almeida

DIA 5: Nei Van Soria - "Jardim Inglês" (1998)

No post sobre o "Eles Não Eram Nada", do Tantra, falei sobre minhas incursões ao Centro do Rio pra "garimpar" materiais e citei, entre outros lugares que ia, a livraria Saraiva do Centro.

Mesmo não sendo exatamente um lugar pra se encontrar material underground, gastava um bom tempo revirando os CDs e livros! E dava pra achar coisas legais!

"Jardim Inglês" é o segundo trabalho solo do gaúcho Nei Van Soria (discografia na qual ainda quero me aprofundar). Ex-Cascavelletes, o cara parece ter uma plateia e tanto em seus shows pelo Sul do país.

Eu só havia visto o video clipe da faixa título na MTV (de novo ela...rs) e lido uma nota ou review no clássico (e saudosíssimo) jornal Internacional Magazine, se não me engano...

Curto muito Rock Gaúcho. O público de lá parece abraçar seus artistas de tal forma, que olhando daqui se tem a nítida impressão de que é possível tocar uma carreira ou uma discografia, apenas contando com o público e veículos locais. Ou seja, a tal cena auto suficiente que tanto se busca pros lados de cá desde sempre.

Pro carioca aqui, soa dessa forma. Vai saber se realmente as coisas fluem assim por lá... De qualquer forma, sempre tem coisas legais acontecendo no cenário de lá que nós aqui, praticamente, não ouvimos falar. Ou só descobrimos tempos depois. E isso, com internet e tudo!

Ao menos é a impressão que sempre tive da cena Rock gaúcha...

Saindo da cena, e falando do som! Eu simplesmente não consigo ouvir Rock do Rio Grande do Sul e não pensar em Rock inglês! E esse é o caso deste "Jardim Inglês", do Nei Van Soria!

E pra este fã de BRock 80 que vos escreve, impossível ficar indiferente à participação de Thedy Corrêa do Nenhum de Nós na linda "O Tempo"! Muito menos às belíssimas baladas "Vai Chover" e "Tudo Pode Mudar"!

Mais um da época das lojas de CD, dos jornais e revistas de música e de um tempo que não volta mais...

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Test Drive de Buteco :: Em tempos de quarentena...


por: Rafa Almeida

Faz pelo menos cem dias que, ao menos quem pode (e se importa com o outro) está trancado em casa, e boa parte do comércio está fechado. Com isso, uma das colunas mais legais de atualizar aqui no Feira Moderna Zine teve de ficar parada. A gente sabe que vai passar, talvez não da forma como imaginamos, mas vai...

Porém, aqueles estabelecimentos que tanto gostamos, os botequins, já não serão mais os mesmos. Na verdade, já não vinham sendo...

Um dos textos aqui da coluna (leia aqui) tentava explicar o porquê de uma seção dedicada a bares aqui no FMZ. Na verdade, tentava explicar que a ideia de falar de botecos passava longe de desenrolar descontos ou seja lá o que for que passe na cabeça de influencers ou coisa que o valha.

Tinha a ver com o fato desses estabelecimentos estarem desaparecendo, isso sim! Os botequins, como conhecíamos, estavam desaparecendo num ritmo impressionante!

Em seu lugar, barzinhos, restaurantes, casas de shows (alguns com espaço kids e tudo) e toda sorte de estabelecimentos ostentando o nome "botequim" surgiram em tudo que é canto.

Consigo frequentar lugares como os citados acima sem maiores problemas. Os preços assustam, o atendimento é ruim e um certo ar de formalidade e elitismo (racismo!) paira no ar. Mas dependendo da(s) companhia (s), dá pra ser.

Você já deve estar visualizando algum desses estabelecimentos, certo? Talvez até frequente um ou outro. Bom, pelo andar da carruagem, não teremos outra opção quando nos percebermos no tal do "novo normal".

Eu dei essa volta toda pra chegar no tipo de lugar para o qual essa coluna foi pensada. Ok, em boa parte das vezes as condições de higiene não são as ideais, e isso será um fator importante a partir daqui. Também não cabem mais o machismo e o discurso conservador que sempre deram o tom nos velhos botequins.

Porém, não dá pra ignorar o quanto de história esses lugares guardam. Por serem, em sua maioria, negócios de família, esses estabelecimentos acabam sendo passados pras gerações seguintes e acabam sucumbindo ao tempo. E lá se vai a memória que deveria (de alguma forma) ser preservada...

O churrasco no final de semana, o violão na calçada e o futebol na TV. Dá pra contar a história do Brasil de uma mesa de bar. Ou pelo menos, boa parte dela.

Difícil imaginar uma crônica de Nelson Rodrigues que não passe por um botequim. O samba carioca longe de uma mesa de bar não seria o que é. O futebol seria lembrado e contado da outra forma, certeza!

E isso sem falar nos namoros que começam (ou terminam) num boteco. E as noites de sábado solitárias e tediosas? E as dores de cotovelo? As vitórias, derrotas, perdas, despedidas... É difícil imaginar a vida sem o "pé sujo do coração".

Tudo bem! Se você está lendo isso e tem menos de trinta anos (ou preferiu envelhecer jogando vídeo game) isso aqui tá soando sem o menor sentido, né?

Mas acredite! Nós que estamos a caminho dos quarenta (ou já passamos disso faz tempo) temos todos alguma lembrança, boa ou ruim, num boteco (inclusive da infância!).

Como disse aí em cima, são lugares muito presos a seu tempo. E o mundo muda. Não dá pra pôr o nome "boteco" numa placa de "barzinho" e achar que vai recriar seja lá o que for. Assim como não dá pra admitir os níveis de machismo e preconceitos mil que enfestavam os antigos bares.

No final das contas, os ambientes que criamos refletem a sociedade em que vivemos. Sendo assim, tanto o "barzinho com espaço kids" quanto o "pé sujo com ovo colorido no balcão", carregam exatamente o que temos de bom e de ruim em cada época.

E voltando ao Test Drive de Buteco, depois de mais de cem dias de isolamento social, tenho a ligeira impressão de que o quê já estava pra desaparecer, no tal "novo normal", não existirá mais.

E de novo: não adianta decoração "retrô", vender "cerveja de garrafa" (hein?!), "cardápio de boteco" (hahaha...), muito menos colocar "botequim" no nome! Algumas coisas não voltam. Pro bem e pro mal...

Lugares por onde o Test Drive de Buteco passou aqui.


foto: Codorna do Feio (por: Feira Moderna Zine)

sábado, 4 de julho de 2020

#1discopordia :: V/A - Different Songs

por: Rafa Almeida

DIA 4: V/A - Different Songs (1998)

Uma das coletâneas mais bacanas que tenho. A "Different Songs" vem de uma época em que o meio underground ainda se comunicava via correspondência.

Era um tal de fanzine pra cá, carta pra lá, selos, flyers (minúsculos, pra não exceder o peso da carta social), amigos que você jamais conheceria pessoalmente... Sim, era muito legal!

Claro que o comércio de materiais independentes da época também rolava através de carta. E na dúvida, quando fosse comprar alguma coisa, era pra camuflar a grana no papel carbono...!!

Era (ou é) proibido enviar dinheiro por carta. E dizia-se que o papel carbono era a única forma dos Correios não descobrirem que sua carta continha grana. Pelo sim pelo não, usava da referida estratégia e o dinheiro sempre chegava ao destinatário!

E foi assim que cheguei até a "Different Songs"! Um flyer de divulgação dentro de alguma carta (todo mundo se divulgava, sem sequer se conhecer, era bem comum), e lá foi minha grana escondida numa folha de papel carbono pro endereço indicado no tal flyer!

Meses depois (essas coisas costumavam demorar) lá estava eu viajando no que na época se chamava de "indie" ou "guitar bands". Som de garagem com doses generosas de Grunge e Pós-Punk!

Dentre minhas favoritas da compilação e da época, as maravilhosas Moonrise e Chronic Missing! Ah! Foi através da "Different Songs" que conheci a, também maravilhosa, banda brasiliense Divine (e a partir daí, o catálogo da Monstro Discos)!

Outra coisa legal da época: havia um certo orgulho não só em conhecer bandas "desconhecidas", mas em conseguir os materiais! Algo do tipo: "na minha cidade só eu tenho o disco tal", ou "isso aqui só eu ouço"! Grande bobagem..rs

Com o passar do tempo você acabava conhecendo gente que tinha chegado nos mesmos materiais, fosse pelas mesmas vias ou através de outros contatos. Até amigos de correspondência em comum acabavam aparecendo!

Coisas do underground... E vai saber até que ponto as facilidades do mundo virtual vieram só pra ajudar, ou fizeram com que algo se perdesse no caminho... Enfim, seja lá como for, esse mundo aí onde a "Different Songs" nasceu, não existe mais...


Por incrível que pareça, dá pra baixar ela em mp3 aqui.

E pra saber mais sobre a "Different Songs" e como as coisas no underground rolavam na época, confira.

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sexta-feira, 3 de julho de 2020

Filmes e Docs :: A Ponte


A Ponte
(de Claudinei de Moraes, Brasil, 2014)

por Rafa Almeida

Curta de animação de Claudinei de Moraes, "A Ponte" recria lindamente o conto do escritor Franz Kafka! O texto mergulhado em metáforas, refletindo a condição humana e transitando entre o real e o imaginário, características comuns nos textos do escritor tcheco, ganha belas imagens nos quase sete minutos do curta de Claudinei de Moraes. Assista!

Assista "A Ponte":


foto: reprodução/YouTube

Rafa Almeida não é, nem de longe, 'entendedor' de cinema, mas gosta de aproveitar promoções e exibições gratuitas pra pôr sua medíocre 'bagagem cinematográfica' em dia.

#1discopordia :: Tantra - Eles Não Eram Nada

por: Rafa Almeida

DIA 3: Tantra - Eles Não Eram Nada (1996)

Esse CD veio parar na minha prateleira numa época que me desperta muito saudosismo. Ali pelo ano de seu lançamento, este que vos escreve tinha como hábito incursões a sebos e lojas de discos, tanto no Centro quanto em outros cantos do Rio.

Pra um fedelho de 14, 15 anos pegar a grana do ônibus e do lanche da escola, atravessar a poça e revirar prateleiras e balcões de lojas e sebos era uma aventura e tanto!

Tinham lojas legais no Catete, Tijuca e outros bairros. Mas o Centro era um destino mais barato e com mais possibilidades. Berinjela, Gramophone, Pedro Lessa, os sebos de discos da 7 de setembro e até a Saraiva (acho que um tempo depois)... tinha muita coisa legal!

Numa dessas idas ao outro lado da poça, dei de cara com este "Eles Não Eram Nada". Acho que foi na Saraiva... Tudo o que sabia sobre o Tantra é que era uma banda dos músicos de apoio da Legião Urbana. Tinha visto o clipe de "Corvos Sobre o Campo" na MTV, acho. Mas não dei muita bola...

Acabei comprando (eram sempre escolhas difíceis, quais discos, livros ou revistas comprar sem precisar voltar pra casa a nado)!

Já com ele em mãos, em casa, a história foi outra... Pós-Punk, Britpop e até o BRock 80 (por motivos óbvios, nem poderia ser diferente) estavam ali, passando de uma faixa pra outra. Da versão pra "Tropicália", passando pela beleza de "Um Dia de Sol", "Barbie e Ken" e a simplicidade (meio que ingenua até) de "Erica"...

E claro... tem o absurdo que atende por "Corvos Sobre o Campo"! Entre minhas canções favoritas da vida!! Uma viagem Pós-Punk assustadoramente linda pela obra de Van Gogh (a saber: longe de ser entendido no assunto, mas letra e música são mesmo lindas)!

Por coincidência, a banda retomou atividades recentemente. Não fazia ideia. Fui surpreendido com um show deles no Meio Fio, projeto bacana que rola no Teatro Popular, aqui em Niterói. Com direito ao ex-Plebe Rude Gutje, batera original, de volta à banda!


Já estava convencido de que jamais veria o Tantra ao vivo, e acabou sendo deles o último show que assisti, antes da quarentena...

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