segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Entrevista: Larha

Vamos lá então: Esses caras vem conseguindo uma repercussão e tanto com relação ao público daqui de nossa região. E verdade seja dita, ainda mantém uma prática cada vez menos comum entre as bandas locais: Correr atrás de bandas de fora e trazer pra tocar por aqui (sendo que a maioria parece ter deixado isso na mão dos tais produtores de eventos...). Nem vou tentar definir o som que eles fazem. Mas uma coisa é certa: Cai como uma luva na definição de hardcore, emo, screamo, metalcore (ou outro rótulo que seja) da garotada que tem freqüentado shows nos últimos tempos. Senão fatalmente não teriam a quantidade de gente acompanhando suas apresentações que temos visto nos por aí. Com shows ao lado de nomes importantes do cenário independente, um primeiro CD saindo do forno e uma penca de gente que parece curtir a banda os caras trocaram uma idéia com a gente. Dá uma olhada aí e tire suas próprias conclusões, ok? Com vocês Larha:

FMZ: Vocês estão às portas do lançamento do CD de vocês, certo? Falem um pouco do processo de gravação, como tudo rolou e o que a galera pode esperar desse primeiro trabalho de vocês.

Larha: No final do ano estaremos lançando nosso 1º EP que já vem sendo trabalhado há quase um ano em composições e arranjos. Nós nos envolvemos com tudo que é relacionado; pensamos as capas, os vídeos, o cenário. É a coisa mais importante que temos feito nestes últimos meses. Em meados de 2006 começamos a fazer muitos shows e tivemos muito pouco tempo para dedicar-nos ao projeto.

As músicas estão mais maduras, mas isso é só reflexo da evolução da banda como músicos e como seres humanos. Trabalhamos com pessoas com as quais confiamos e resultado nos agradou e surpreendeu muito. Recomendo que essas pessoas que não conhecem a banda ouçam nosso disco, Estamos em Outubro. É o Fim, e tentem saber o que nos levou a fazer essas músicas, esse disco. A gente procura fazer com que a música seja nosso único atrativo. Somos uma banda que ama o que faz. Essa é a nossa nova fase.

FMZ: A banda já existe faz um tempo. Contem um pouco a história da Larha.

Larha: Começamos a tocar no final de 2004 e como qualquer outra banda o inicio é sempre muito árduo e pouco compensador. Procuramos crescer de uma forma bem orgânica e ordenada. Acreditamos que tudo que é feito com esmero, determinação e honestidade tende a dar certo. E foi assim que sempre trabalhamos, dedicando nossas vidas a essa idéia. Por isso acho que, por mais que às vezes não seja da forma que planejamos, as coisas sempre vão acabar acontecendo. Sempre priorizamos nossas músicas ao invés de tocar covers e por isso demoramos a causar simpatia nas pessoas, pois elas não conheciam as músicas. Mas fomos aos poucos conquistando fãs, um por um. Amadurecemos bastante nestes últimos anos e podemos dizer que vale muito dividir esse momento com nosso público que cada vez é mais fiel. Acho que a conquista que se teve até aqui foi uma questão de trabalho. Se continuar assim, a banda só cresce.

FMZ: Ao longo do tempo a banda conseguiu arregimentar uma boa fatia do público por aqui, e isso é inegável. Vocês consideram que rolou, em todo esse tempo de banda, amadurecimento por parte dos integrantes como músicos? E ainda: Qual seria o principal fator responsável por esse amadurecimento?

Larha: É um caminho natural, todas as bandas passam por eventuais processos de amadurecimento. Evoluímos bastante e isso é inegável. A gente sempre flertou com outros estilos, mas sempre mantendo uma temática e um instrumental parecido. É difícil uma banda achar uma identidade fixa, ainda mais uma banda como a nossa, que, apesar de todos gostarem de algumas bandas em comum, cada um ouve suas músicas. Todo mundo dentro da banda procura ou escuta outros ritmos musicas e no final isso se reflete muito nas composições. Quanto ao público ele foi crescendo gradativamente. Fizemos muitos shows e isso possibilitou uma projeção.

FMZ: E quanto aos integrantes? Como rolou o interesse pela música? Que bandas os inspiraram a começar a tocar, montar banda e tudo o mais?

Larha: Na verdade fomos aprendendo juntos. A Larha é a primeira banda da maioria dos integrantes. E todos os anos foram de grande aprendizado. É essa a melhor maneira de expor nossas idéias, nossas conquistas, nossos sentimentos, nossos ideais, nossas desilusões. Uma banda que nos influencia desde de sempre é o THRICE.

FMZ: Com relação ao som de vocês. Como vocês o classificam? Quais bandas do cenário nacional, na opinião de vocês, tem estilo similar ao de vocês?

Larha: Olha é difícil falar sobre essa definição até para não girar como rótulo. Já fomos citados como diversos estilos e nunca tomamos uma regra certa. As pessoas têm que ouvir nossa música despida de preconceitos. Por isso a gente insiste nessa história de Larha Rock e deixa a tarefa de rotular para as pessoas que gostam de fazê-lo. Existem inúmeras bandas com essa temática de som, melodias e peso nas canções. Nós simplesmente nos preocupamos em fazer musica boa e com o nosso público.

FMZ: O cenário underground de São Gonçalo sempre foi bastante fértil, quais bandas daqui da região vocês tem como referência ou fonte de inspiração?

Larha: Existem muitas bandas de qualidade na nossa cidade e ficamos muito felizes com a aparição de novas bandas. Esperamos que esse processo renove cada vez mais, e que a cena rock respire sempre por aqui.

FMZ: Os integrantes da banda (a própria banda, na verdade) tem um histórico considerável no que diz respeito à correria para organizar gigs, o que, por sinal, é louvável. Na opinião de vocês, até que ponto vale a pena para uma banda investir tempo (e grana, óbvio) trazendo bandas de fora do Estado pra se apresentar por aqui?

Larha: Organizamos alguns shows e isso nos possibilitou um intercâmbio interessante com inúmeras bandas. Não é um processo simples, mais é extremamente funcional. Hoje diversas bandas vendem cotas pesadas de ingressos para tocar em determinados eventos e nem sempre tem um resultado satisfatório.

Se essas mesmas bandas tivessem a mentalidade de organizar eventos, teríamos um novo momento. Quando você organiza você tem o controle, de qualidade, tempo, e condições necessárias para cada banda desenvolver seu trabalho.

FMZ: Durante um bom tempo falou-se da relação da Larha com o selo carioca Manifesto Discos. Talvez pelo fato de a banda ter promovido eventos com a participação de artistas da mesma. Porém, ficou a dúvida: A banda chegou a ter ligação com a Manifesto Discos como se dizia? Rolaram até, se bem me lembro, especulações sobre este CD que vocês estão lançando sair pelo selo. Enfim, esclareçam!

Larha: Por toda nossa participação nos festivais e até pela relação de amizade que cultivamos com eles, todas essas especulações acabam ganhando efeito. O que de fato é até normal. Detalhadamente falando podemos te afirmar que não temos o perfil sonoro do selo. O EP ainda não tem um selo definido. Estamos trabalhando para tentar uma distribuição intensa, onde o maior número de pessoas tenha acesso a nossa música.

FMZ: Essa é inevitável, até pelo envolvimento da banda com produção de eventos. Falem um pouco sobre, na visão de vocês, como anda o cenário underground/independente, do eixo Niterói-São Gonçalo:

Larha: Houve uma transição natural nestes últimos anos. Tanto o público quanto as bandas estiveram em processo de renovação. Insuficiente pra se construir uma cena exemplar. Apesar das inúmeras bandas que existem nas duas cidades, falta respeito ao público em determinados eventos e melhores estruturas para todos desenvolverem seus respectivos trabalhos. Existe muita coisa à margem, mas isso depende do interesse das pessoas. Esperamos sinceramente que se configure um quadro melhor.

FMZ: E quanto à imprensa alternativa? Vocês sentem falta de mais veículos voltados para o underground?

Larha: Poucos trabalhos sendo projetados ultimamente. Antigamente era total referência para as bandas, hoje já sem intensidade. Torcemos para que volte essa visibilidade e que possamos estar sempre com novas informações e novos espaços. Afinal isso é que faz a diferença nos dias de hoje.

FMZ: É inegável que muitos valores cultivados no meio hardcore, ou underground, como queiram, foram pro saco com o passar do tempo. Vocês acreditam que, visto as últimas gerações que andaram passando pelo underground e a relação entre bandas, bandas e produtores de shows ou mesmo bandas e imprensa alternativa e público, ainda podemos considerar que temos algo próximo de uma cena underground? Qual a opinião de vocês sobre o assunto?

Larha: Os pensamentos tomaram novos rumos. Ainda existe uma cena underground, mais com uma dinâmica diferente. Hoje o mercado fonográfico está mais atento ao meio, e o público já está compreendendo essa fórmula. Novos contatos através da internet facilitaram esse desenvolvimento. Porém, talvez por conta dessa facilidade houve esse teor de perca de radicalismo. O que na nossa opinião é extremamente válido.

FMZ: De volta à música: Hora da clássica listinha com o que a galera da banda anda ouvindo e, como esses sons influenciam no som da banda de vocês.

Larha: Underoath, Thrice, Bless The fall , Atreyu e Emery. São bandas que lançaram novos trabalhos ultimamente, e temos escutado bastante.

FMZ: Screamo, Post, Metalcore e por aí vai... De alguma forma estes rótulos usados para identificar ramificações surgidas no meio hardcore, nem que seja só pela época pela qual estamos passando ou a título de referência musical mesmo, tem haver com o contexto no qual a banda está envolvida, certo? O que vocês acham que rola daqui pra frente? A tendência seria surgirem outras ramificações? Ou até quem sabe, uma volta a básico?

Larha: O rock foi feito para desafiar as pessoas. É impossível prever algo no momento.

FMZ: Se vocês pudessem escolher abrir um show de uma banda gringa e uma nacional com a qual vocês ainda não tocaram, quais seriam?

Larha: Underoath é uma banda que tem um sentido muito grande dentro da banda, seria realmente a realização de um sonho, do cenário nacional já tocamos com as bandas que realmente admiramos.

FMZ: Vocês abrem para a Dead Fish muito em breve num evento com uma penca de bandas, com direito a gravação de DVD e tudo. Quais as expectativas para este show?

Larha: Tivemos uma experiência maravilhosa com eles no Clube Mauá recentemente e a repercussão foi imensa depois daquele evento. É provável que se repita o mesmo envolvimento nesse próximo show. Quanto ao Dead Fish respeitamos muito o trabalho deles, e poder dividir novamente o palco com eles é um imenso prazer. Esperamos que esse show além de sucesso traga muita felicidade pra todos os envolvidos neste projeto.

FMZ: Quais os planos para o futuro e o que o público pode esperar da banda?

Larha: A nossa proposta inicial é lançar o EP agora no final do ano e divulgar nossa música em todos os espaços possíveis. Vamos explorar o ano de 2008 para shows fora do estado, buscando uma visibilidade em um novo ambiente. Estaremos nos dedicando ao nosso público dentro e fora do palco. Estamos realmente focados para novas conquistas.

FMZ: Enfim, terminamos. O espaço é de vocês pra falarem o que bem entenderem, ok? Fiquem à vontade!

Larha: Valeu Rafael pelo espaço, muito obrigado a você que leu até o final, esperamos ter esclarecido algumas dúvidas e curiosidades. Queremos agradecer a todos que nos ouvem, que admiram nosso trabalho, que nos dão força, que vão aos nossos shows, enfim, a todos que fazem de nós o que somos. Devemos cada um dos nossos sorrisos a vocês. Muito Obrigado.

por Rafael A.

Contatos:
www.fotolog.com/_larha
www.myspace.com/larhamusic

3 comentários:

luiz disse...

opa, nos critiquem por favor!
http://www.youtube.com/watch?v=AxMYT3xIHE4

Somos o Meio fio!

Maykon sousa disse...

torço muito
pelo sucesso dessa banda
q tenho grandes amigos

Kellen disse...

Sucesso p. a banda! cês merecem. :]

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