quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Underground Voices

Underground Voices

Underground Voices Underground Voices (CD Coletânea / Fuserecords)


Underground Voices

Coletâneas são sempre bacanas! Apesar de vez ou outra pintar umas bandinhas meio desagradáveis sempre rolam umas coisas legais e, sem querer (querendo) você acaba tropeçando em coisas legais. Essa é da Fusarecords, de SP, e traz mais de vinte bandas compiladas nesse primeiro volume.

Só pra variar, não dá pra falar de todo mundo, certo? Então vamos pra boa e velha resenha de coletânea! Tem coisas bacanas, sim. E bandas consagradas também! Melhor começar por essas: Nitrominds, que aparece com á ótima My America e a holandesa Bambix, com Sister Blister, são velhas conhecidas da galera e já sabem tudo. Óbvio, não fazem feio (nem de longe). Das antigas também são os caras da Thompsons, ouço falar deles faz muito tempo. A banda Kacttus manda bem num hardcore bem bacana. E tem banda de São Gonçalo! Pois é, o hc melódico dos camaradas da Michael J. Fox dá o ar da graça com Accept My Self. Squirrel, Enema 44, Mudley, Clero e Legação são alguns dos nomes que ajudam a fechar o time desse primeiro volume da Underground Voices.

Fãs de hardcore de todas as procedências podem adquirir sem medo. É bem verdade que tem uma ou outra banda indigesta ao longo das vinte e sete faixas. Mas, fatalmente, você encontra uma ou outra banda de seu agrado. Vale lembrar que junto com o CD vem um zine da coletânea. Mais uma iniciativa bacana. Que venham muitas e muitas outras como essa, né?

por Rafael A.

Contato:Underground Voices
www.fusarecords.cjb.net


segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Entrevista: Larha

Vamos lá então: Esses caras vem conseguindo uma repercussão e tanto com relação ao público daqui de nossa região. E verdade seja dita, ainda mantém uma prática cada vez menos comum entre as bandas locais: Correr atrás de bandas de fora e trazer pra tocar por aqui (sendo que a maioria parece ter deixado isso na mão dos tais produtores de eventos...). Nem vou tentar definir o som que eles fazem. Mas uma coisa é certa: Cai como uma luva na definição de hardcore, emo, screamo, metalcore (ou outro rótulo que seja) da garotada que tem freqüentado shows nos últimos tempos. Senão fatalmente não teriam a quantidade de gente acompanhando suas apresentações que temos visto nos por aí. Com shows ao lado de nomes importantes do cenário independente, um primeiro CD saindo do forno e uma penca de gente que parece curtir a banda os caras trocaram uma idéia com a gente. Dá uma olhada aí e tire suas próprias conclusões, ok? Com vocês Larha:

FMZ: Vocês estão às portas do lançamento do CD de vocês, certo? Falem um pouco do processo de gravação, como tudo rolou e o que a galera pode esperar desse primeiro trabalho de vocês.

Larha: No final do ano estaremos lançando nosso 1º EP que já vem sendo trabalhado há quase um ano em composições e arranjos. Nós nos envolvemos com tudo que é relacionado; pensamos as capas, os vídeos, o cenário. É a coisa mais importante que temos feito nestes últimos meses. Em meados de 2006 começamos a fazer muitos shows e tivemos muito pouco tempo para dedicar-nos ao projeto.

As músicas estão mais maduras, mas isso é só reflexo da evolução da banda como músicos e como seres humanos. Trabalhamos com pessoas com as quais confiamos e resultado nos agradou e surpreendeu muito. Recomendo que essas pessoas que não conhecem a banda ouçam nosso disco, Estamos em Outubro. É o Fim, e tentem saber o que nos levou a fazer essas músicas, esse disco. A gente procura fazer com que a música seja nosso único atrativo. Somos uma banda que ama o que faz. Essa é a nossa nova fase.

FMZ: A banda já existe faz um tempo. Contem um pouco a história da Larha.

Larha: Começamos a tocar no final de 2004 e como qualquer outra banda o inicio é sempre muito árduo e pouco compensador. Procuramos crescer de uma forma bem orgânica e ordenada. Acreditamos que tudo que é feito com esmero, determinação e honestidade tende a dar certo. E foi assim que sempre trabalhamos, dedicando nossas vidas a essa idéia. Por isso acho que, por mais que às vezes não seja da forma que planejamos, as coisas sempre vão acabar acontecendo. Sempre priorizamos nossas músicas ao invés de tocar covers e por isso demoramos a causar simpatia nas pessoas, pois elas não conheciam as músicas. Mas fomos aos poucos conquistando fãs, um por um. Amadurecemos bastante nestes últimos anos e podemos dizer que vale muito dividir esse momento com nosso público que cada vez é mais fiel. Acho que a conquista que se teve até aqui foi uma questão de trabalho. Se continuar assim, a banda só cresce.

FMZ: Ao longo do tempo a banda conseguiu arregimentar uma boa fatia do público por aqui, e isso é inegável. Vocês consideram que rolou, em todo esse tempo de banda, amadurecimento por parte dos integrantes como músicos? E ainda: Qual seria o principal fator responsável por esse amadurecimento?

Larha: É um caminho natural, todas as bandas passam por eventuais processos de amadurecimento. Evoluímos bastante e isso é inegável. A gente sempre flertou com outros estilos, mas sempre mantendo uma temática e um instrumental parecido. É difícil uma banda achar uma identidade fixa, ainda mais uma banda como a nossa, que, apesar de todos gostarem de algumas bandas em comum, cada um ouve suas músicas. Todo mundo dentro da banda procura ou escuta outros ritmos musicas e no final isso se reflete muito nas composições. Quanto ao público ele foi crescendo gradativamente. Fizemos muitos shows e isso possibilitou uma projeção.

FMZ: E quanto aos integrantes? Como rolou o interesse pela música? Que bandas os inspiraram a começar a tocar, montar banda e tudo o mais?

Larha: Na verdade fomos aprendendo juntos. A Larha é a primeira banda da maioria dos integrantes. E todos os anos foram de grande aprendizado. É essa a melhor maneira de expor nossas idéias, nossas conquistas, nossos sentimentos, nossos ideais, nossas desilusões. Uma banda que nos influencia desde de sempre é o THRICE.

FMZ: Com relação ao som de vocês. Como vocês o classificam? Quais bandas do cenário nacional, na opinião de vocês, tem estilo similar ao de vocês?

Larha: Olha é difícil falar sobre essa definição até para não girar como rótulo. Já fomos citados como diversos estilos e nunca tomamos uma regra certa. As pessoas têm que ouvir nossa música despida de preconceitos. Por isso a gente insiste nessa história de Larha Rock e deixa a tarefa de rotular para as pessoas que gostam de fazê-lo. Existem inúmeras bandas com essa temática de som, melodias e peso nas canções. Nós simplesmente nos preocupamos em fazer musica boa e com o nosso público.

FMZ: O cenário underground de São Gonçalo sempre foi bastante fértil, quais bandas daqui da região vocês tem como referência ou fonte de inspiração?

Larha: Existem muitas bandas de qualidade na nossa cidade e ficamos muito felizes com a aparição de novas bandas. Esperamos que esse processo renove cada vez mais, e que a cena rock respire sempre por aqui.

FMZ: Os integrantes da banda (a própria banda, na verdade) tem um histórico considerável no que diz respeito à correria para organizar gigs, o que, por sinal, é louvável. Na opinião de vocês, até que ponto vale a pena para uma banda investir tempo (e grana, óbvio) trazendo bandas de fora do Estado pra se apresentar por aqui?

Larha: Organizamos alguns shows e isso nos possibilitou um intercâmbio interessante com inúmeras bandas. Não é um processo simples, mais é extremamente funcional. Hoje diversas bandas vendem cotas pesadas de ingressos para tocar em determinados eventos e nem sempre tem um resultado satisfatório.

Se essas mesmas bandas tivessem a mentalidade de organizar eventos, teríamos um novo momento. Quando você organiza você tem o controle, de qualidade, tempo, e condições necessárias para cada banda desenvolver seu trabalho.

FMZ: Durante um bom tempo falou-se da relação da Larha com o selo carioca Manifesto Discos. Talvez pelo fato de a banda ter promovido eventos com a participação de artistas da mesma. Porém, ficou a dúvida: A banda chegou a ter ligação com a Manifesto Discos como se dizia? Rolaram até, se bem me lembro, especulações sobre este CD que vocês estão lançando sair pelo selo. Enfim, esclareçam!

Larha: Por toda nossa participação nos festivais e até pela relação de amizade que cultivamos com eles, todas essas especulações acabam ganhando efeito. O que de fato é até normal. Detalhadamente falando podemos te afirmar que não temos o perfil sonoro do selo. O EP ainda não tem um selo definido. Estamos trabalhando para tentar uma distribuição intensa, onde o maior número de pessoas tenha acesso a nossa música.

FMZ: Essa é inevitável, até pelo envolvimento da banda com produção de eventos. Falem um pouco sobre, na visão de vocês, como anda o cenário underground/independente, do eixo Niterói-São Gonçalo:

Larha: Houve uma transição natural nestes últimos anos. Tanto o público quanto as bandas estiveram em processo de renovação. Insuficiente pra se construir uma cena exemplar. Apesar das inúmeras bandas que existem nas duas cidades, falta respeito ao público em determinados eventos e melhores estruturas para todos desenvolverem seus respectivos trabalhos. Existe muita coisa à margem, mas isso depende do interesse das pessoas. Esperamos sinceramente que se configure um quadro melhor.

FMZ: E quanto à imprensa alternativa? Vocês sentem falta de mais veículos voltados para o underground?

Larha: Poucos trabalhos sendo projetados ultimamente. Antigamente era total referência para as bandas, hoje já sem intensidade. Torcemos para que volte essa visibilidade e que possamos estar sempre com novas informações e novos espaços. Afinal isso é que faz a diferença nos dias de hoje.

FMZ: É inegável que muitos valores cultivados no meio hardcore, ou underground, como queiram, foram pro saco com o passar do tempo. Vocês acreditam que, visto as últimas gerações que andaram passando pelo underground e a relação entre bandas, bandas e produtores de shows ou mesmo bandas e imprensa alternativa e público, ainda podemos considerar que temos algo próximo de uma cena underground? Qual a opinião de vocês sobre o assunto?

Larha: Os pensamentos tomaram novos rumos. Ainda existe uma cena underground, mais com uma dinâmica diferente. Hoje o mercado fonográfico está mais atento ao meio, e o público já está compreendendo essa fórmula. Novos contatos através da internet facilitaram esse desenvolvimento. Porém, talvez por conta dessa facilidade houve esse teor de perca de radicalismo. O que na nossa opinião é extremamente válido.

FMZ: De volta à música: Hora da clássica listinha com o que a galera da banda anda ouvindo e, como esses sons influenciam no som da banda de vocês.

Larha: Underoath, Thrice, Bless The fall , Atreyu e Emery. São bandas que lançaram novos trabalhos ultimamente, e temos escutado bastante.

FMZ: Screamo, Post, Metalcore e por aí vai... De alguma forma estes rótulos usados para identificar ramificações surgidas no meio hardcore, nem que seja só pela época pela qual estamos passando ou a título de referência musical mesmo, tem haver com o contexto no qual a banda está envolvida, certo? O que vocês acham que rola daqui pra frente? A tendência seria surgirem outras ramificações? Ou até quem sabe, uma volta a básico?

Larha: O rock foi feito para desafiar as pessoas. É impossível prever algo no momento.

FMZ: Se vocês pudessem escolher abrir um show de uma banda gringa e uma nacional com a qual vocês ainda não tocaram, quais seriam?

Larha: Underoath é uma banda que tem um sentido muito grande dentro da banda, seria realmente a realização de um sonho, do cenário nacional já tocamos com as bandas que realmente admiramos.

FMZ: Vocês abrem para a Dead Fish muito em breve num evento com uma penca de bandas, com direito a gravação de DVD e tudo. Quais as expectativas para este show?

Larha: Tivemos uma experiência maravilhosa com eles no Clube Mauá recentemente e a repercussão foi imensa depois daquele evento. É provável que se repita o mesmo envolvimento nesse próximo show. Quanto ao Dead Fish respeitamos muito o trabalho deles, e poder dividir novamente o palco com eles é um imenso prazer. Esperamos que esse show além de sucesso traga muita felicidade pra todos os envolvidos neste projeto.

FMZ: Quais os planos para o futuro e o que o público pode esperar da banda?

Larha: A nossa proposta inicial é lançar o EP agora no final do ano e divulgar nossa música em todos os espaços possíveis. Vamos explorar o ano de 2008 para shows fora do estado, buscando uma visibilidade em um novo ambiente. Estaremos nos dedicando ao nosso público dentro e fora do palco. Estamos realmente focados para novas conquistas.

FMZ: Enfim, terminamos. O espaço é de vocês pra falarem o que bem entenderem, ok? Fiquem à vontade!

Larha: Valeu Rafael pelo espaço, muito obrigado a você que leu até o final, esperamos ter esclarecido algumas dúvidas e curiosidades. Queremos agradecer a todos que nos ouvem, que admiram nosso trabalho, que nos dão força, que vão aos nossos shows, enfim, a todos que fazem de nós o que somos. Devemos cada um dos nossos sorrisos a vocês. Muito Obrigado.

por Rafael A.

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domingo, 25 de novembro de 2007

Agathocles no RJ!

Agathocles no RJ

FEBARJ (Lapa, Rio de Janeiro)


Agathocles no RJ

AGATHOCLES – ATAQUE PERIFÉRICO – APOKALYPTIC RAIDS – INTERNAL BLEED – FUNGUS & BACTÉRIAS – ÂNSIA DE VÔMITO – HORRIFICÍA



Agathocles no RJ Agathocles no RJ

Tarde agradável de sábado na Cidade Maravilhosa! E quem não foi ao Maraca assistir o jogo do mengão (N.E: Começou cedo dessa vez... Por favor, não cite a escória aqui, este é um zine decente, ok?) pôde conferir este que sem dúvida foi o evento underground do ano até agora no Rio de Janeiro! E mais uma vez o Tio Satan rumou na direção da Cidade Maravilhosa. Desta vez, para conferir a apresentação da banda belga Agathocles que pisaria pela primeira vez em terras cariocas.


Quem fez as honras da casa, ainda com pouquíssimo público foram meus brothers do Fungus & Bactérias. Apesar de curto o show da rapaziada de Niterói foi nota 10! Em seguida foi a vez do som pesado da Internal Bleed, de São Gonçalo. Já com um bom público na casa, foi a vez do thrash metal da Apokalyptic Raids contagiar a todos em uma bela apresentação. Uma grande banda! Aí sim! Já com a casa completamente lotada foi a vez de Ânsia de Vômito e Horrificía fazerem shows arrasadores. Muitas rodas e público enlouquecido! Tirando o fato de a banda Ânsia de Vômito ter, aparentemente, ultrapassado o tempo estipulado pela produção e isso ter causado um leve aborrecimento, tudo transcorreu bem. Foi aí que subiu ao palco a banda Ataque Periférico e colocou fogo na platéia. Um show impressionante! Excelente banda!


Eis que surge Heron, vocalista da banda Uzômi, no palco pedindo para que a galera se acalmasse. Pelo que pude compreender havia gente dentro do evento querendo arrumar confusão. Mas tudo ficou bem e o grande momento chegou! A banda belga Agathocles subiu ao palco e brindou o público carioca com uma apresentação impecável! Os integrantes da banda pareciam estar adorando o público carioca. Brincaram com pessoas na platéia, executaram um repertório generoso e puseram todo mundo pra agitar ao som de seu grindcore! As caixas de som dançavam no meio da platéia ao mesmo tempo em que os organizadores tentavam conter o público que parecia querer invadir o palco para chegar mais próximo de seus heróis! Uma espécie de catarse coletiva! Poucas vezes vi algo assim em minha vida. E no meio dessa confusão toda o Sr. FMZ e sua equipe se equilibrando entre o povo e as caixas de som e tentando (em vão) manter a ordem (N.E: Alguém tinha de agir com bom senso no meio daquele caos, concorda?)! Sensacional!


Já passavam das onze da noite quando a Febarj, aos poucos, foi se esvaziando. Ainda levou tempo até que o pessoal da Agathocles conseguisse atender a todos os fãs que não abriam mão de fotos e autógrafos em cartazes e CDs. Sem dúvida alguma o evento underground do ano! Sem querer puxar a sardinha pro lado da Latitude Zero Prod., que teve muito haver com tudo isso: Vai ser bem difícil repetir uma noite tão especial quanto essa. Feira Moderna Zine, Humanos Mortos Prod. e Kasamata Recs. estão de parabéns. Deram uma verdadeira aula a muita gente envolvida nessa turnê do Agathocles Brasil afora. Inesquecível!

por Tio Satan / fotos e vídeos Rodolfo Caravana





quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Espaçonave

Espaçonave

Espaçonave (CD / Independente)


Mais um CD da banda de capa do FMZ #13 e atração principal da primeira edição do nosso Go Girls Rock Fest! É bem verdade que já falamos muito, e muitas vezes desta bela banda de Niterói. Na verdade, uma das poucas coisas interessantes surgidas aqui na região em muito tempo. Porém, rolaram mudanças no som dessa galera. O que criou uma grande expectativa em torno desse novo CD. Vamos à ele, então.

Musicalmente, Espaçonave tem pouco a ver com seu antecessor Abrigo. Aqui, a banda explora mais teclados e efeitos em canções que fogem do tal som emo, que aparecia com muito mais força nos trabalhos anteriores. O que abriu espaço para a criatividade dos caras aparecer de forma mais madura e envolvente. Uma cara de indie Rock e Power Pop tomou conta do som da banda e deu belos resultados como Algo a Dizer, Nada em Comum e, as duas melhores do CD na minha opinião, b612 e a instrumental não creditada que aparece no final. Com relação à gravação, mixagem e afins, o que fica parecendo é que não rolou nada além do que já havia sido feito no excelente trabalho anterior. Ou seja: Padrão de qualidade mantido. Óbvio que sempre se espera mais, mas não comprometeu o belo trabalho. Aliás, vale citar que este é o primeira trabalho lançado após a entrada da nova guitarrista da banda, Talíta.

Resumindo: Mais um belo trabalho. Muito mais criativo e ainda mais envolvente que seu antecessor. E que, pra não perder o hábito, passa batido pela maioria das coisas que andam rolando por aqui. O que, embora não seja tão difícil, pro pessoal do Espaçonave parece ir ficando cada vez mais fácil. Assim como Abrigo, vai direto pro topo de coisas mais legais lançadas em 2006! Não pense duas vezes antes de arrumar uma cópia, ok?


por Rafael A.


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Icaraí - Niterói - RJ
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A/C: Maurício Cordeiro

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sábado, 17 de novembro de 2007

Festival Independent


Festival Independent

Clube Recreativo Trindade (Trindade, São Gonçalo)


L.O.K.O – PRAISE GARDEN – HARD PORREOVERDEATH – EROSTORM – ZÉFIRO – T SEVEN – HERÓIS IMPERFEITOS – CICLO INFESTADO – VIOLENT CHARGE


Festival Independent

Fazia tempo que eu não colocava meus pés no Recreativo! Aparentemente, não está muito diferente de uns dois anos pra cá... Minha primeira vez no Festival Independent que, até onde eu saiba, já teve algumas edições realizadas. Eventos diferentes, com bandas diferentes, produtores diferentes, enfim. Até o público me pareceu diferente (e era!). Muito saudável isso! Uma penca de bandas previstas pra fazer barulho esta noite e cerveja gelada mesmo antes do início do evento. Começou bem!

Como em todo evento underground, rolou um atraso considerável com relação ao horário anunciado. Mas ninguém se assusta mais com isso, né? No palco, uma série de bandas enfileirando covers. Confesso que não curto esse tipo de coisa sob alegação alguma. Porém, rolaram momentos curiosos! Tipo uma banda apresentada como sendo de hard Rock tocando Pet Sematary dos Ramones! A onda do new metal passou? Não por aqui! A banda L.O.K.O, que parece ter um número grande de fãs, provou isso. Não só eles, outras do estilo também puseram o povo pra pular. De novo, só me incomodou a quantidade absurda de covers nos repertórios. Rolou banda de metal também. Se não me engano era a tal de Zéfiro. Começaram bem com cover de YYZ do Rush. A coisa só ficou estranha na hora em que o vocal entrou em cena. É bem verdade que o cara escolheu sons de Iron Maiden, Angra e Dream Theater para executar e, venhamos e convenhamos, não é fácil dar conta de um recado desses. O povo parece ter gostado mas, principalmente a versão pra um som do Scenes From a Memory (Metropolis pt.2) (que tem de ter seu título escrito todo mesmo porque é um álbum absurdamente bom da Dream Theater), deixou demais a desejar. Pelo nível de dificuldade estão perdoados, ok? Agora, quem me impressionou foi o pessoal da Overdeath! Belíssima banda!!! Na praia do new metal. Porém, os caras exploram melodias e harmonias bem tramadas, apresentaram sons próprios, enfim! Rolou até cover de Rodox na parada (teve o momento pregação também – trata-se de uma banda evangélica – tenho minhas dúvidas sobre a validade desse tipo de discurso em shows, mas como não tenho uma opinião formada sobre a coisa melhor deixar quieto). Um dos sons me soou com influências de Filhos da Pátria (concordo, Luizinho, concordo...) e uma outra (ótima por sinal) lembrou demais a inesquecível banda Época! Excelente banda!!! Nota 1000!!!!

O adiantar da hora, o sono e mais uma série de fatores que não vem ao caso aqui me fizeram voltar cedo pra casa. Nem sei dizer se todas as bandas se apresentaram. Mas ratificando o que disse no início: bandas, público, produtores, lugares, enfim (estou usando esse termo demais, né?). Ver tanta coisa diferente num lugar que eu cheguei a freqüentar por um tempo me fez um bem danado! Aconselho a todos a fazerem o mesmo de vez em quando! Ao que parece, o Recreativo está em boas mãos. Aliás, espero que a menina (linda por sinal!) que eu encontrei perdida no Terminal de Niterói indo pro show tenha chegado a salvo em sua casa em Maricá (ou algo do tipo). Dê notícias, ok?

por Rafael A.


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Araribóia Rock apresenta


Studio Bar (Pendotiba, Niterói)

GRANADA – 53 MLS – SANGRIA – REFUSE – SEDNA – MOUSE FEET – RICTO MÁFIALARHA


Araribóia Rock apresenta:

E aqui está o Tio Satan a caminho de mais um evento do Araribóia Rock. É a segunda vez que sou escalado pelo Sr. Editor para a cobertura de um show! Mesmo já tendo avisado ao senhor Rafael A. que não tenho intimidade com esse tipo de tarefa ele insiste em me mandar para essas missões. E aqui vou eu, rumo à Pendotiba dar uma conferida no som que a garotada anda fazendo!

Ao chegar ao Studio Bar, sempre atrasado, peguei o show da banda Ricto Máfia pela metade. Porém, pude perceber que a vocalista canta muito bem. E a banda está em um momento excelente, diga-se de passagem! Achei o show deles curto. Mas deram o recado direitinho. A impressão que tive era de que o público ia se aproximando do palco à medida que o show ia chegando ao seu final. Se a apresentação da banda de Barra Mansa (N.E: Volta Redonda...) tivesse durado mais tempo com certeza teria atraído todos no Studio Bar tamanho o nível de competência da galera. Cortesia da Latitude Zero Prod. (N.E: Já falei pra não tratar de assunto de bastidores aqui...)! Em seguida foi a vez da galera do bom e velho heavy metal subir ao palco! E disso o Titio Satan aqui entende! Foram duas bandas tocando quase uma hora cada uma. A galera se esforçou tentando executar clássicos de Metallica e Iron Maiden. Merecem os parabéns. Estão começando e alguns deslizes são normais. Em seguida vieram as que pareciam ser as atrações principais. A primeira, se chamava 35mls. A banda está entrosada, som bem redondo, mas não faz meu estilo. Muito ‘popzinha’. Parecem ter levado um bom número de admiradores de seu trabalho. Logo em seguida a Granada fez o show de encerramento do evento. Essa é mais pesada, mas parece estar na mesma onda da garotada. Porém fizeram um show redondo, competente (N.E: Eu estava lá e podia jurar que tinham mais bandas, hein?...rsrsrs).

E lá fui eu pra outros compromissos debaixo de chuva. Descolei uma carona e cheguei mais rápido que o previsto ao centro de ‘Nikity’ onde tinha assuntos a resolver (N.E: Então tá... assuntos... rsrsrsrs). Apesar do pouco público gostei do evento. Clima bom e presenças femininas marcantes. E o Tio Satan se despede desejando a todos felicidades ao som de muito Rock n’Roll! Até a próxima!

por Tio Satan / foto Rodolfo Caravana

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Antecedentes


Antecedentes
(CD Demo / Independente)

Esses caras já estão na pista faz um bom tempo. Fizeram um belo show na oitava edição do Rock na Garagem, onde nos entregaram este segundo lançamento da banda. E não é que a galera de Barra Mansa (RJ) mandou bem?

Os caras praticam um hardcore de primeira. Em alguns momentos nota-se claramente vestígios de hc melódico no som dos caras. Mas o que dá a tônica do cd é mesmo o NYHC. Muitas guitarras pesadas, vocais agressivos e por vezes meio hip hop e partes que, apesar de mais cadenciadas, não abrem mão do peso. Agora, quando os caras partem pro hc a coisa fica mais linda ainda. Conseguem fazer um som cru, porém encorpado. Soam bem próximos da excelente Norte Cartel em alguns momentos. Até porque, deve ter muito de Suicidal Tendencies, Body Count, DRI, Agnostic Front (não, não estou colocando todas essas no mesmo saco, ok?) e outras por aqui, sem dúvidas! Morra Sharon, Morra!,Último Surpiro, Campo Livre e Mesa de Bar (não só pelo belo título) acabam como meus destaques. Mas podia ser o disquinho inteiro.

Ótimo trabalho! Ainda me impressiono com a Região Sul Fluminense, esse povo tem o dom de aparecer com bandas incríveis. Sempre num momento em que as coisas estão desanimadoras por aqui essa galera aparece com sons de qualidade! Ponto pra Barra Mansa! Ponto pra Antecedentes. Belo trabalho!!!

por Rafael A.


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sábado, 10 de novembro de 2007

Gravação do DVD Maratona Independente


Bar do Blues (Zé Garoto, São Gonçalo)

DEAD FISH – DELUXE TRIO – PACTO SOCIAL – A KOMBI QUE PEGA CRIANÇAS – OITAVO PECADO – LARHA – E OUTRAS



Show de hardcore no Bar do Blues? Essa vai render... Enfim, esse ‘e outras’ aí em cima é pra valer. Eram pelo menos dezenove bandas escaladas para a gravação deste DVD no Bar do Blues. Mesmo sabendo que o momento mais aguardado pela galera seria a apresentação da capixaba Dead Fish, hoje com status de grande banda (com todos os méritos, que fique claro) do cenário nacional. Rolou de tudo no Bar do Blues nesse sábado. De tudo mesmo. Até gravação para o canal de TV à cabo Multishow rolou no meio do evento. Antes de mais nada: Tinha, sim, um cara filmando o tal do DVD. Agora, se vamos ver esse material lançado algum dia, aí já é com a Mídia Z Produções... E como tem uma penca de coisas pra falar, vamos começar isso logo.

De cara, vale o registro de que, seja pelo motivo que for, as primeiras bandas a se apresentar não tinham absolutamente nada a ver com o evento em si. Tirando pela atração principal, imaginamos se tratar de um evento de hardcore. Mesmo que o estilo hoje apresente uma série de ramificações (boa parte delas equivocadamente atribuídas ao mesmo, ao meu ver) soou meio estranho ver bandas de New Metal e Rock Alternativo tocando para praticamente público nenhum, apesar de uma parte dos presentes trajando camisetas de Guns’n’Roses e S.O.A.D, entre outras. Dentre a galera nitidamente deslocada estavam bandas como God Diamond, Carlos Spihler e outras que, apesar de apresentações corretas e esforçadas, não conseguiram soar muito além de um pano de fundo para as bandas que, literalmente, abriram o show da Dead Fish. Seja como for, deram seu recado, mesmo que em local e hora errados.

No meio bandas e estilos de todas as procedências, stands de material alternativo (incluindo o nosso!), pessoas nitidamente ‘trêbadas’ e um público que, com o decorrer do evento, se mostrou completamente estranho, deslocado (assim como algumas bandas) e ‘nada haver com nada’ eis que surge a japonesa gostosa da Globo fazendo a tal matéria para o Multishow... Seria trágico se não fosse cômico, literalmente! E não é que escolheram nosso stand pra filmar uma parte da tal matéria? E enquanto tentávamos nos esconder dos holofotes um sujeito todo suado, saído sabe-se lá de onde dava o que aparentavam ser explicações sobre os materiais ali expostos. Foi aí que o caos se instalou em nosso humilde espaço dentro do Bar do Blues. Uma horda formada por integrantes de bandas, tietes, personalidades (?) da cena (???) e toda sorte de criaturas formavam uma fila (tipo de banco mesmo) para tentar dar seu depoimento acerca de qualquer coisa idiota que, certamente, não tinha nada haver com cena underground ou coisa do tipo. Vai entender, né? Resumindo, patético.

Explico: Se a tal Multishow (não tenho TV à cabo, nunca assisti esse treco) foi ao Bar do Blues, deve ter ido atrás de alguma coisa, certo? Então, que eles mesmos encontrem. Sério. Soa desistimulante pra quem trabalha pelo meio underground ver aquela autêntica corrida do ouro a que se dispuseram bandas e as tais ‘personalidades da cena (cena onde cara pálida???)’ tentando uma pontinha no que deve acabar por se tornar um show de horrores pra moderninho tapado metido a alternativo ver. Se é do interesse dessa ou daquela TV documentar o que rola no underground, que eles venham até nós. Afinal, nosso trabalho longe dos holofotes deve (e é capaz de ser) independente de fato. Pra qualquer um que viesse de fora (como muitos no Bar do Blues nesse sábado) a impressão passada era a de que estávamos em meio a uma ‘sub-micareta’ com direito a ‘gente bonita na balada', ‘roupas descoladas’ e ‘candidatos a sub-celebridades instantâneas’. Aviso aos navegantes: A coisa é bem diferente. Independente de a Dead Fish estar na MTV, no rádio, na Multishow ou em qualquer lugar que o valha é legal lembrar que o conteúdo de suas letras continua o mesmo. Que a banda, ao contrário de outras, não abriu as tais concessões, nem tão pouco fez fila pra aparecer no Faustão. Por que (nunca sei se é junto ou separado...) não seguir o exemplo e, mesmo com underground e mainstream tão próximos ultimamente, mostrar a nossos visitantes um mundo à parte? Alheio à mídia de massa, que despreza os valores cultuados pelo mundo lá fora e pode, sobriamente, mostrar suas intenções e suas engrenagens para quem vem nos fazer uma visitinha? Qual o sentido de estar no underground, cultuando conceitos e valores distintos da sociedade que nos cerca e sair abanando o rabo assim que a primeira câmera é ligada? Ao menos quando eu, e outros que conheço, tínhamos dezoito anos a coisa era bem diferente. A ‘coisa’ era levada a sério. Era ferramenta pra interferir na sociedade, era mecanismo de mudança. Sinceramente, não entendi a piada.

Voltando ao que interessa: Quando finalmente as bandas escaldas para, aí sim, abrir o show da Dead Fish se apresentaram o Bar do Blues já concentrava um bom público, mesmo que inferior às expectativas. A carioca Deluxe Trio (candidata a ocupar a lacuna deixada pela finada Noção de Nada... Por que será?) deu seu recado. Pacto Social fez, notadamente, um dos shows mais competentes da noite (aliás, a única banda de Punk Rock no evento; vai entender...). A Kombi que Pega Crianças, sempre com jogo ganho, manteve a galera na mão usando a experiência e competência que tem. Seu Miranda pôs o povo pra cantar com seu Miami Rock, principalmente, no ‘hitEu Sou o Cara Mais Estilo que Eu Conheço, num show correto. A Larha também deu seu recado mostrando que está num bom momento no que diz respeito à resposta de público. E que venha a Dead Fish!

E vieram. Não precisa dizer que Rodrigo, Nô & Cia. são mestres no que diz respeito a ter o público nas mãos. As clássicas mexidas com público e seguranças funcionam tão somente como atrativo a mais, já que musicalmente os caras atingiram um nível altíssimo de competência pouco visto no Rock nacional. São sim, a maior banda de hardcore do Brasil. E isso é incontestável. O mais recente trabalho Um Homen Só não agradou tanto assim os fãs (principalmente os mais antigos) e, talvez por isso, não contribua com muitas canções no set do show. As antigas estavam lá! Molotov, Fragmentos Sobre um Conflito Iminente, a abertura arrasadora com o clássico absoluto Sonho Médio só reforçaram os comentários de que a banda estava impossível (no bom sentido) nos shows! Público cantando, banda afiadíssima, pogo liberado (finalmente, né Bar do Blues???) e um belo show. Definitivamente, a maior banda de hardcore do Brasil.

Não sei se por já estar cansado depois de um dia inteiro no Bar do Blues, se pela idade (a minha) ou se devido ao fato de já ter assistido a uma penca de shows da Dead Fish em todas as fases da banda (sim, sou fã incondicional). O fato é que saí do Bar do Blues convencido que havia presenciado um show fraco. As conclusões acima só vieram depois de umas horas de sono e algumas cervejas. Óbvio que pra alguém que, como disse, acompanha a banda desde seu começo, assistir a micareteiros (esse termo existe???), patricinhas e playboys bombados pulando feito macacos (certamente macacos teriam mais noção das coisas) e tentando cantar letras tão emblemáticas e importantes para a história do underground nacional soa estranho, entristece. É como se a coisa estivesse perdendo o valor, de alguma forma (acho que já falei disso por aqui...); indo pelo ralo mesmo. Enfim, de alguma forma devo estar realmente velho (mesmo ainda não tendo chegado aos trinta). Talvez esteja velho demais para aturar o quão baixo chegou o nível do público underground hoje em dia. Talvez esteja velho demais para aturar certas coisas, tipo a japa gostosa da Globo fingindo interesse por nosso combalido underground ou os candidatos a ‘personalidade da cena (qual?) 2007’ tentando aparecer na frente das lentes do Multishow. Talvez esteja velho, inclusive, para um show de hardcore... Talvez tenha a ver com essa coisa de estar chegando perto dos trinta, assim como o tal do hardcore... E talvez ele também esteja cansado...

por Rafael A. / foto: Rodolfo Caravana

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Participativo Cultural Araribóia Rock

Praça Getúlio Vargas (Icaraí, Niterói)


FUNGUS & BATÉRIAS AUDIVA – NUGGETS



Já disse ao Sr. FMZ (o editor) que não estou apto a escrever resenhas de shows. Mas como Rafael A. estaria tocando com o Fungus & Bactérias nesta sexta-feira não tive outra opção senão marcar presença (discretamente como sempre) na Praça Getúlio Vargas para assistir a apresentação dos brothers. Pelo que me foi passado trata-se de um evento cultural que tem entre suas atrações telões com documentários e artistas plásticos expondo suas obras na praça.

Cheguei por volta das 18:30h e encontrei apenas um palco parcialmente montado. Fui informado que não havia energia elétrica para a realização do evento mais que os produtores do Araribóia Rock já estavam trabalhando para resolver o problema. Foi o tempo de tomar uma gelada num bar próximo, onde pude ver (de longe) algumas figuras de nosso meio underground que não via ha muito tempo, como o renomado produtor Pedro de Luna (um dos responsáveis pelo Araribóia Rock, até onde eu saiba). Seria a presença de uma banda com mais de dez anos no evento? Seja como for, quando voltei à Praça Getulio Vargas já encontrei palco montado e a primeira banda se apresentando. A banda fazia um som bastante animado e parecia ter levado um bom número de conhecidos a seu show. Em seguida foi a vez de meus camaradas Welber e Rafael A. (o tal Sr. FMZ) subirem ao palco para sua apresentação. Infelizmente devido a uma corda de sua guitarra ter arrebentado o guitarrista e editor do Feira Moderna Zine não pôde fazer nem metade do show com sua banda. Infeliz também foi a dança bizarra que o mesmo insistia em fazer na falta de instrumento para tocar (N.E: Bizarra? Achei que estava agradando...). Apesar de nenhuma das bandas ter se dignado a emprestar uma guitarra para o Fungus & Bactérias terminar sua apresentação, a banda executou músicas como Eu Não Acredito em Duendes e outras de seu repertório com uma guitarra apenas. Foi um show curto que só reforçou a impressão que o Tio Satan aqui sempre teve de que existe uma espécie de boicote ao Fungus & Bactérias em sua cidade. Por conhecer meus camaradas, sei que eles ficam bastante tristes com isso. Não faz o menor sentido, já que a banda pouco se apresenta em Niterói. De volta ao evento: Outra banda se apresentou, mas não pude ficar mais. Tinha outros lugares (N.E: Lugares quentes?) para ir.

Apesar dos contratempos foi bom ver algumas pessoas, inclusive umas duas aparentemente bem jovens, cantando e dançando ao som de F&B. O que prova que nem todo mundo rejeita a banda em sua própria cidade. Enfim, o que aconteceu vai contra os princípios de união e cooperação que cultivamos em nosso meio underground. Não sei como funciona nos dias de hoje, mas é difícil imaginar que não havia uma guitarra a ser emprestada ao F&B para que a banda pudesse terminar seu show. Sendo que as outras bandas participantes tinham ambas dois guitarristas. Foi a primeira vez que fui a um evento promovido pelo Araribóia Rock e, pelo que pude perceber, muito pouca coisa mudou em Niterói desde de o último show que assisti por aqui. O que é uma pena.


PS: Gostaria de pedir ao Sr. Editor que parasse de interferir em meus textos (N.E: Não.)!

por Tio Satan / foto: Rodolfo Caravana

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Bickle’s Cab / Demian


A Luta Acaba... Quando a Morte Começa!
(CD Split / Armadillo Records)

Split divido por uma banda paulista e uma inglesa! Altamente indicado para fãs de hardcore à moda antiga, esse encontro foi promovido pelo selo paulista Armadillo Records. O resultado ficou bem bacana. Vamos a ele, então.

De cara, quem começa com os trabalhos são os gringos da Bickle’s Cab. Os caras apostam em um hardcore rápido lembrando em muito seus compatriotas da clássica Varukers e os brazucas Ratos de Porão. Minhas preferidas acabaram sendo Your Society, Blinded e Pride in Nothing. Já os brasileiros da Demian apostam em um hardcore fast que soa competentíssimo, por sinal. Muita coisa dos caras lembra tremendamente Sick Terror na época de Nenê Altro comandando os vocais. Os caras conseguem resultados bem interessantes como em Rebanhos e Emophobia.

Vale a pena conferir este lançamento. A Demian acabou por se mostrar uma bela de uma surpresa. Os caras mandam bem mesmo. E a banda gringa também faz bonito. Mais uma vez: Indicado apenas para quem curte hardcore à moda antiga, ok?

por Rafael A.


Contato:
www.armadillorecords.com.br

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A Monumental (Des)Construção do Rock


Não duvidem, um dos passatempos prediletos deste que vos escreve é tecer comentários acerca da capacidade, quase irritante, que algumas bandas tem de dar nós em nossas cabeças. Mesmo que este humilde fanzineiro insista (às vezes em vão) em tentar ouvir música como tão somente música (no sentido de diversão ou como mecanismo na busca por um pouco de paz) e não como um emaranhado de melodias, harmonias, arranjos, notas e combinações que só fazem sentido em sua mente viciada no ofício de músico (que exerce pateticamente, diga-se de passagem), há sempre algo acontecendo na cabeça quando se coloca determinado disquinho pra rodar. Óbvio que este ‘algo’ atormenta apenas os viciados, compulsivos e paranóicos por música. Aqueles loucos que ainda compram CDs, que não se contentam com CD-Rs, muito menos com sites de download e outros mecanismos que, no fim das contas, acabam por afastar o amante de música da mesma. Tentando voltar ao assunto (mesmo não tendo saído dele até aqui): Uma coluna do mestre Arthur Dapieve, em uma edição de um sábado qualquer do jornal O Globo, fazia uma espécie de reflexão acerca dos anos terminados em 7 e seus álbuns clássicos. Tipo, em 1967 os Beatles lançavam o maravilhoso Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band. Já em 1977 os Sex Pistols riscavam o fósforo do Punk Rock com Never Mind the Bullocks. Enfim, em 1997 Dapieve citou (e nem poderia ser diferente) o marco maior do Rock de nossa geração (de quem pegou os anos noventa acontecendo ao mesmo tempo que a tal da adolescência, ou o final dela). Pois é, pra fãs de Rock não surpreende ver OK Computer, dos ingleses da Radiohead na lista de maiores discos de Rock de todo o sempre. Não deu pra resistir e, sem pestanejar, este que vos escreve decidiu que sua tarde de sábado seria ao som da obra prima de Tom York e seus asseclas.

Mas não se desespere, você que adora o OK Computer e torce o nariz para os outros trabalhos da banda que conseguiu dar um nó na cabeça de 11 entre 10 críticos musicais ao redor do mundo! Não vou passar perto dos outros trabalhos da banda. Não vou lembrar que os dois primeiros, a saber Pablo Honey e The Bends, são fundamentais para a gestação de OK Computer. Nem que Pablo Honey, com a desesperadora Creep, apresentou a Radiohead com suas três guitarras ao mundo. Inclusive a você, que nesta época possivelmente grudava a fuça na frente da TV e assistia MTV quantas horas seguidas conseguisse (inclusive de madrugada, quando passavam as bandas mais legais) na tentativa de gravar o clipe da música. Também não vou perder tempo lembrando que enquanto as bandas inglesas (pode colocar Oasis e Blur na lista) se esforçavam pra salvar o Rock à base de britpop os caras da Radiohead lançavam, sem cerimônia, The Bends, um marco na historio do Rock Alternativo que, de quebra, brindava o mais boçal ouvinte de rádio FM com Fake Plastic Tree, a bela e angustiada (e angustiante) canção do clipe gravado no supermercado (que você já deve ter visto na mesma MTV, ou ouvido em alguma madrugada, bêbado, numa rádio qualquer). Ok, estou falando dos outros discos. Mas é preciso. Do mesmo jeito que é preciso citar Kid A e Amnesiac, a conseqüência natural de um disco como OK Computer. Afinal de contas, o que se faz depois de lançar um disco que beira a perfeição? Óbvio: Lança-se um disco (ou dois) completamente estranho e faz todo mundo achar que não entendeu a piada! Mas o assunto aqui é OK Computer, certo?

Então, acho que nem precisa citar que a introdução de Airbag, com aquele riff completamente maluco que parece dizer ‘Presta atenção, você está entrando no nosso mundo’ e a bateria com som ‘mecanizado’ fazendo qualquer um parar e se perguntar como alguém burla as fronteiras do Rock convencional e aparece com uma maluquice que beira o experimental. E de onde se tira uma melodia daquelas? E o baixo, nas ‘paradinhas’, que mais parece saído de um disco de dub? Aliás, sabe quando você vai a um show que você quer ver faz muito tempo e a banda toca os clássico logo na primeira metade do show? Tem que ser macho demais pra fazer isso, certo? Tom York e Cia. foram machos o bastante pra, logo na segunda faixa, espancar o ouvinte com a pérola Paranoid Android. Imagina o sujeito que não tem o menor constrangimento em jogar na cara de quem quer que seja um verso do naipe de “When I be king you will be the first agaist the wall”. Tem que ser muito ‘nerd da turma que senta na última carteira e ninguém tem coragem de chamar enquanto estiver com a cara enfiada no caderno’. E nerds são inteligentes, certo? Pois é, os caras da Radiohead devem ter sido muito nerds mesmo. Senão vejamos: A citada Paranoid Android, como se não bastasse, além de letra inspirada e arranjo maluco tem uma penca de partes que, juntas, formam uma espécie de opereta. O trecho que diz “Rain down... Come on rain down on me…” pega qualquer um de surpresa, não faria sentido algum se não estivéssemos falando de uma banda num nível de inspiração que desfia qualquer teoria ou mesmo esse texto idiota. Neste caso, não dá pra não citar as influências de Rock Progressivo que os caras carregam. O ar futurista toma conta do álbum desde o primeiro, e citado, riff na primeira canção. Mas a coisa fica latente mesmo com Subterranean Homesick Alien. Soturna e linda. Pra mim, aqui se encerra a primeira parte de OK Computer.

Poderia ser uma das baladas absurdamente lindas de Roger Waters em seu The Wall com o Pink Floyd, mas não. É Exit Music (for a film), capaz de fazer parar uma micareta. Daí entra a desesperadora Let Down. Embora letra trate do contrário, a melodia parece querer servir de trilha sonora para o despertar de algo, ou alguém. E ainda tem os dedilhados beirando o absurdo e refrão lindo! Sem contar a interpretação magistral de Tom York que te faz entrar, mesmo que à força, no mundo criado por ele para suas canções. Até aqui, todos os caras da banda já mereciam prêmios de melhores instrumentistas do ano, cada um em sua respectiva categoria. Isso sem dúvida alguma! Só que aí os caras resolvem abusar. Com direito a clipe sinistro e tudo, entra Karma Police. Sabe a alternância entre (quase) silêncio e explosão que o Nirvana usava tão bem? Então, os caras da Radiohead conseguem fazer isso só que de um jeito diferente. A riqueza de detalhes em sua música é tamanha que é possível mudar completamente de clima em uma canção arrastada como Karma Police com uma sutileza fora do comum!

Ao menos na visão deste que vos escreve Fitter Happier (quase escondida na contra capa) dá as boas vindas ao ouvinte à última parte do álbum. Ou fecha a segunda parte, como queiram. É inegável o clima de mudança que toma conta de tudo assim que a narrativa começa e se segue com o piano digno de trilha sonora de ‘filme triste’. Electioneering surge não por acaso logo em seguida dando nova vida ao álbum que, parecia ir chegando ao seu final. Aqui é clara demais a vontade dos caras de fazer o tal britpop, ou simplesmente Rock inglês, dependendo da década, não faz diferença. É como se fosse o jeito deles de dizer ‘também somos ingleses e gostamos de Rock inglês, só que preferimos fazer de um jeito diferente’. Aliás, se eles não tiraram aquela passagem de algum disco de progressivo eu não sei de mais nada (tá, não sei de forma alguma, enfim)! Climbing the Walls aparece num tom tão alto que é quase um exercício de paciência conseguir não ficar esperando o cara não desafinar. Sem contar as guitarras dessa música que são tão discretas quanto geniais. Dão o clima sem interferir na interpretação, mais uma vez, magistral de Tom York. O que se falar a respeito de No Surprises? A melodia repetida incessantemente no xilofone (não deve ser assim que se escreve...). E, mais uma vez, a voz inigualável do vocalista faz da que, não fosse o arranjo incrivelmente delicado, poderia ser uma música pra passar batida no álbum (tá, nenhuma delas poderia passar batida). Uma das mais belas e um dos hits, com direito a clipe e tudo! Luck e The Tourist tem cara de despedida. Como se servissem pra tirar o ouvinte do transe sem traumas futuros. Tipo: ‘Vamos deixar essas duas aqui porque acabar com No Suprises poderia soar kafkiano demais pra qualquer um’.

Os climas, e a interpretação (que eu tanto citei aqui) vocal de Tom York talvez não tivessem o mesmo impacto não fossem as belas letras. Fica clara a inadequação do indivíduo perante um mundo que não o entende e o qual ele não suporta, o cercando por todos os lados. E essa sensação de falta de ar, sufocante e angustiante está presente nas letras de York. Muita coisa ele, decerto, vai buscar em George Orwell (não à toa uma das músicas do álbum Hail to the Thief tem o nome de 2 + 2 = 5, máxima usada no clássico do autor, 1984) e Franz Kafka. Ambos exploram muito bem a questão do indivíduo perante a sociedade e suas regras, costumes e tradições. E isso York faz com maestria. Aliás, por falar em letras e essa coisa toda, não seria errado se enxergássemos as músicas de OK Computer como uma série de situações envolvendo um mesmo personagem. Às vezes, dando uma olhada nas letras no encarte tenho essa impressão. E já que o álbum segue a tradição dos discos de progressivo, onde a coisa deve ser ouvida como um todo e não como um amontoado de músicas soltas, não seria nem um pouco errado entender OK Computer como uma história com começo, meio e fim. Como todo bom disco de Rock progressivo, diga-se de passagem.

Se bem que, se o assunto é Radiohead, até prefiro não entrar em determinadas discussões. Por exemplo: minhas teorias e divagações acerca do álbum e do trabalho da banda, com toda certeza, já foram jogadas descarga abaixo por algum fanático pela banda em algum lugar do planeta. Até porque as teorias acerca, não só de OK Computer, mas de todos os discos da banda são muitas. Tem gente que jura de pé junto que usando uma combinação maluca feita entre os números que aparecem soltos ao longo do encarte, chega-se a um número de telefone. Quem conseguiu achar o tal número e, na falta de algo melhor pra fazer, telefonou para o mesmo afirma ter ouvido uma mensagem na voz do próprio Tom York. Enfim. Vai saber, né? Saindo um pouco do OK Computer, tem gente que jura que da mesma forma que The Dark Side of the Moon do Pink Floyd foi composto para ser trilha da filme O Mágico de Oz e se encaixa perfeitamente no mesmo, seu sucessor, Kid A, guarda a mesma relação com o filme A Bruxa de Blair. Mas é claro que os caras da banda curtem essas historinhas. Senão, não recheariam o encarte do OK Computer com números em série, palavras rascunhadas e uma série de símbolos que só aumentam a curiosidade dos fãs e fazem do álbum um trabalho ainda mais saboroso.

E esse ano OK Computer completa dez anos de seu lançamento. Um disco capaz de deixar o mais carrancudo fã de progressivo de queixo caído. O álbum que coroa o final dos anos noventa com uma obra-prima capaz de figurar entre os mais importantes discos de Rock de todos os tempos. A grande sacada da banda que desmontou o quebra-cabeças do Rock, embaralhou as peças e montou de novo do jeito que bem quis. Equivocadamente (ao meu ver) comparado (ou tratado como se tivesse algo a ver) a álbuns de fusion ou qualquer outro gênero que tenha a ver com jazz, o disco traz sim influências de música erudita e dissonâncias capazes de confundir ouvidos não iniciados. Porém, não acredito que essas referências tenham vindo de outro lugar senão dos primórdios do Rock Progressivo e da Psicodelia. E vale deixar claro que os caras jamais conseguiram (e não acho que venham a conseguir) repetir o feito. Como disse no começo, não consigo ver todo esse estardalhaço que se fazem aos discos que vieram em seguida na carreira da banda: O apenas bom Kid A e o repetitivo Amnesiac (que nada mais é do que uma coletânea de sobras das gravações de Kid A) que, sim, são difíceis de se digerir, mas não chegam nem perto do deleite que é ouvir, analisar e estudar esta obra prima chamada OK Computer. No final das contas, tenho um bom motivo pra me orgulhar: Minha adolescência tem um grande álbum de Rock do qual se orgulhar.

por Rafael A.

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