segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Charles Xavier: Um Banquinho e Um Violão




Sair em carreira solo parece coisa de Rock Star? Pode até ser, ou não. Membros de bandas dos mais variados estilos anunciam carreiras solos desde sempre. E algumas são bem sucedidas. Todos os Beatles, sem exceção, montaram trabalhos paralelos. Jimy Page e Robert Plant tiveram seu ‘encontro musical’ fora do Led Zeppelin no que podemos considerar uma carreira solo. Bruce Dickinson, do Iron Maidem. Billy Corgan e James Iha, do Smashing Pumpkins idem. O primeiro com o projeto Zwan e o outro usando seu próprio nome mesmo. O fato é que em muitos momentos um compositor sente a necessidade de expandir seus horizontes. Nem tudo que se compõe cabe no repertório de uma única banda. Sem contar o relacionamento musical em uma banda, que nem sempre é o mais tranquilo. Longe do mainstream, muita gente boa também investe em suas carreiras ‘solitárias’. Ainda mais hoje em dia, com todas as facilidades oferecidas pela internet. E é na grande rede que vem circulando o primeiro trabalho solo de Charles Xavier, líder e vocalista da banda gonçalense Incrível Mart. Esse trabalho, aliás, já vem sendo fecundado faz tempo. E só agora vê a luz do dia.

Essa história começou faz muito tempo. Nos idos de 1999, a frente de sua banda Agnata (hoje Incrível Mart) o vocalista e compositor Itcharlim começava a descobrir na composição uma atividade das mais agradáveis. As músicas saiam (e saem até hoje) com uma facilidade espantosa e em número absurdo! O que não é de impressionar tanto vindo de alguém que se interessou por música na década de noventa, convivendo com músicas de gente do naipe de The Smashing Pumpkins, Radiohead, The Cramberries e outros tantos da época. No início o jeito era registrar tudo em fitas k7’s, amontoadas em caixas de sapato e esperando pra serem ‘descobertas’ em algum momento. E esse momento chegou. A essa altura sua banda, Agnata, já se chamava Incrível Mart e contava com dois álbuns lançados, ensaiando o repertório para o terceiro trabalho. E tome música nova! Quer ver? Com a palavra, o próprio: “Na verdade, num primeiro momento eu só iria gravar algumas músicas que tinha em fitas que eu gravei a partir de 1999 quando entrei pra Incrível Mart. Algumas eu experimentei com a banda. Umas ficaram, outras não. Essas que sobraram eu resolvi gravar agora. Em alguns casos, com algumas mudanças de arranjos e letra. Agora sim, já comecei a compor pensando nesse projeto acústico.” Não havia como dar vazão a tantas composições apenas com sua banda, era hora de tomar a tal decisão há tempos adiada e, por vezes, recusada: Sair em carreira solo. “Eu pretendia apenas gravar algumas músicas antigas e, se fosse possível financeiramente, fazer algumas cópias pra distribuir entre amigos. Uma gravação acústica e caseira com o intuito de registrar em CD essas canções para que eu e outras pessoas pudéssemos ouvi-las e só. Sem maiores pretensões.”

Não foi o que aconteceu. Essas primeiras gravações em formato acústico deram origem ao primeiro ep virtual do, agora, Charles Xavier. Depois dos Fogos, o ep, ganhou uma forma de se disponibilizado pouco comum, mas que funcionou: Primeiro a seis faixas iniciais do ep, uma espécie de ‘lado A’. “Essas seis ficarão lá até fevereiro (de 2008), quando tirarei todas do ar e começarei a colocar as que formariam o ‘Lado B’, uma por mês até chegar a seis de novo, e por aí vai...”, explica o próprio. De fato, Depois dos Fogos trás consigo uma atmosfera tão intima, tão pessoal que necessita ser digerido aos poucos. Os temas envolvendo situações do cotidiano, família, filhos e trabalho criam um clima introspectivo e envolvente. Meio folk, Bob Dylan, enfim (não confundir com baboseiras tipo Malu Magalhães). Na verdade, o leque de influências de Charles vai além. Tem sim, clássicos como o citado Dylan, mas também tem coisas novas como Demien Rice, Keane, John Mayer, Rian Adams e Rufus Wainwright. E música brasileira como Moska e Lenine. A música que abre o ep, que também é a faixa-título, traz exatamente esse clima: Falando de filhos e família ao longo dos seus mais de sete minutos só de voz e violão: “Depois dos fogos, o que se diz? Depois dos fogos serei feliz... Se é menino ou menina o meu filho vai nascer. Nada será como antes quando isso acontecer. ..Eu sei que o mundo lá fora dá vontade de esquecer...”

Com relação a dificuldades para se manter dois trabalhos paralelos, já que a Incrível Mart continua na ativa, o vocalista não vê problemas: “No fim eu acho que acaba tudo, meio que, na mesma. Um dia posso vir a tocar alguma música de meu projeto solo com a banda se acharmos interessante. E posso tocar músicas da banda só no ‘voz e violão’. Afinal, boa parte delas eu fiz assim mesmo.” De volta ao Depois dos Fogos: O primeiro trabalho solo de Charles Xavier atingiu muito mais gente que o mesmo imaginava. Charles não abre mão de fazer uso de recursos como a internet. Ainda assim, a repercussão que seu trabalho solo vem conseguindo tem o deixado surpreso: A princípio mandei pra amigos, achei que ninguém mais se interessaria. Acabou sendo justamente o contrário! De que forma há uns anos atrás eu gravaria um CD e poderia fazer com que alguém em MG ou RS, ou mesmo em qualquer lugar do Brasil e do mundo ouvisse? Seria uma grana na distribuição. O que tornaria inviável pra uma produção independente. Agora você não só pode fazer com que qualquer pessoa, em qualquer lugar tenha acesso a sua música, como pode saber imediatamente a opinião dela. E nesse sentido estou mais do que satisfeito com o retorno que meu trabalho vem tendo.” E é por aí mesmo. Sua página no myspace, fazem alguns meses, ultrapassou as seis mil visitas. Ok, não é um recorde absoluto nos dias de hoje, mas se levarmos em conta que, como vimos, a coisa começou de uma forma completamente descompromissada... E ainda existe a possibilidade de Depois dos Fogos ganhar versão em CD (via Latitude Zero Prod.) no começo de 2010. É, dá pra sacar que bem mais gente que só os amigos curtiram o vocalista da Incrível Mart no esquema ‘um banquinho e um violão’.

Rafael A.


Contatos:
www.myspace.com/charlesxavier

2 comentários:

Felipe Grilo disse...

Opa, coisa boa ver notícia de gente talentosa, o Xarles é um grande cara, talentoso, esforçado, merece conseguir seu espaço, tanto com a banda como solo. Abraço de Minas pra galera do blog.

Brunna! com 2n disse...

Q bom q ele resolveu expor seu trabalho solo! q por sinal ficou invrivel !

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