segunda-feira, 31 de outubro de 2011

D.O.A e Olho Seco tocam no Rio em Novembro!



A lendária banda canadense D.O.A vem ao Brasil mês que vem, os caras tocam em novo point roqueiro no Centro do Rio! Surgida em Vancouver, no Canadá em 1978 a banda Punk D.O.A tem mais  dez álbuns de estúdio, com direito a títulos no catálogo a Alternative Tentacles, selo do ex-Dead Kenndys, Jello Biafra! Os caras tem no currículo um número incontável de turnês e shows ao lado de grandes nomes da história do Punk Rock, como The Clash e o próprio Dead Kennedys! Em novembro, a D.O.A. vem ao Rio e fazem barulho ao lado da clássica banda paulista Olho Seco e das cariocas Manguaça e Pacto Social. Os shows acontecem em edição do Festival Do ItYourself, que recentemente promoveu tributo ao Cólera e a seu vocal e guitarra Redson na Zona Sul carioca. O  Festival Do It Yourself acontce dia 20/11 no Underground Cultural, nova casa de portas abertas para o cenário independente carioca! Vale a pena conferir!
Rafael A.

Serviço:
20 de Novembro : domingo : 19h
Festival Do It Yourself
Shows: D.O.A (Canadá) – Olho Seco (SP) – Manguaça – Pacto Social
Local: Underground Cultural
End.: Rua do Senado, 208, Centro, Rio de Janeiro/RJ
R$20 (antecipado) / R$30 (na hora)








domingo, 30 de outubro de 2011

Festa Narcose Rock Clube #2 : Especial Praia do Rock - 10 Anos


Gangrena Gasosa na Rua Ceará!






Gangrena Gasosa & Convidados
29/10/2011
Heavy Duty (Praça da Bandeira, Rio de Janeiro/RJ)
GANGRENA GASOSA – FACCION DE SANGRE (SP) – DEUS CASTIGA


Depois de curtir uma tarde bem bacana na Baratos da Ribeiro, em Copacabana, é hora de mudar totalmente o clima: saem os sons alternativos e entra em cena uma barulheira infernal e da melhor qualidade! O Macumba Metal da Gagrena Gasosa recebia duas bandas convidadas no Heavy Duty, na Rua Ceará, clássica área de baixo meretrício carioca e point roqueiro da galera nas madrugadas de sábado! A festa era a fantasia (a melhor levava uma cortesia de motel!!!), a cerveja estava em promoção, enfim. Não me fantasiei (sem chances de um motelzinho depois do show...rsrsrs), mas aproveitei a parte da cerveja! Vamos ao que rolou!

Sem enrolação, vamos falar de barulho, certo? Três bandas se apresentariam nesta noite de sábado. A primeira a tocar pro bom público que compareceu à casa foi a carioca Deus Castiga. Contando com ex-integrantes da saudosa Ataque Periférico, os caras fazem um hardcore extremo recheado de referências de metal. Ótimos riffs de guitarra, e um batera que é simplesmente um absurdo! O cara toca muito, mas muito rápido mesmo! Já viu, né? O resultado é uma pedrada atrás da outra! Ótimo show! Aprovadíssimo!!!

Tem banda paulista no palco! Os caras da Faccion de Sangre estreavam em terras cariocas e fizeram bonito! Mais uma vez, uma pancadaria só! Hardcore com pitadas generosas de Suicidal Tendencies dos primeiros trabalhos! Os caras ainda arrumaram uma brecha no repertório pra duas versões bem bacanas. “Paranoid” do Black Sabbath e “Crucificados pelo Sistema” do RxDxP ganharam versões mais rápidas (mesmo!) e agradaram a galera que se acabou na roda!

E pra fechar a noite, o Macumba Metal, Saravá Metal ou coisa parecida da Gangrena Gasosa dava o ar da graça na Rua Ceará. Todos os integrantes devidamente caracterizados, criaturas das mais diversas procedências se amontoando na frente do palco pra conferir o show desse clááááássico nome do underground carioca! Já viu, né? Pancadaria comendo solta e mais uma apresentação competentíssima dos caras!

Noite de gente fantasiada (dentro e fora do Heavy Duty, se é que vocês me entendem), três ótimos shows, cerveja, enfim. Bacana ver que o cenário carioca, aos poucos, consegue se renovar de alguma forma. Ver uma banda como a Deus Castiga – apesar de ser uma banda formada por uma galera das antigas, trata-se de um novo nome, Gangrena ainda na ativa... e essa galera recebendo uma boa banda pauilista aqui no Rio dá uma sensação de continuidade, de resistência. Bacana.

Rafael A.     






Mais fotos de Gangrena Gasosa & Convidados no perfil do FMZ no Facebook






fotos: Rafael A./Latitude Zero Prod. & Deise Santos





O Vespeiro agita a Baratos da Ribeiro!




O Vespeiro
29/10/2011
Baratos da Ribeiro (Copacabana, Rio de Janeiro/RJ)
THE JOHN CANDY – THE ALBERTO – SOUND BULLET


Faziam uns bons anos que este que vos escreve não colocava os pés na Baratos da Ribeiro. O Sebo que, vez ou outra, se transforma em casa de shows, marcou um determinado período do cenário alternativo carioca revelando bandas e trazendo pro Rio nomes importantes da cena independente do começo dos anos dois mil. Momentos como a apresentação voz/guitarra do ex-Replicantes Wander Wildner na casa colocaram o sebo de Copacabana em local de destaque na cena carioca!

E lá vamos nós, alguns anos depois, mais uma vez atravessar a Ponte pra  conferir mais uma edição de O Vespeiro, evento promovido pela Baratos! Uma olhada na rodada do Brasileirão no Bar Poluma (saiba mais na nova coluna do FMZ_ONLINE, Test Drive de Buteco), coladinho à Baratos, algumas cervejas e a galera da banda The Alberto já começava seu show! Os caras fazem um Rock`n`Roll com ecos fortíssimos de Beatles e a turma dos anos setenta. Uma ou outra influência, aqui e acolá, de gente do naipe de Neil Young e outros e o resultado é muito bom!

Em seguida, a clássica banda carioca The John Candy tomou conta da Baratos! Uma apresentação, ao meu ver, corretíssima que não deixou dúvidas de onde os caras tiram inspiração pra sua música; a galera do Indie Rock e as Guitar Bands do final dos anos noventa são, indiscutivelmente, referências fundamentais pro som dessa ótima banda! Ainda deu tempo da garotada da Sound Bullet desfilar suas influências de  Artic Monkeys, Bloc Party, Little Joy e afins. Um bom show de uma novata que, com o tempo, deve dar o que falar. Parabéns pra garotada!

Fim de noite? Que nada! Ainda daria tempo pra tomar algumas cervejas, esbarrar com dois gaúchos perdidos  em Copacabana, tomar mais cerveja e partir pra Rua Ceará pra conferir shows de Gangrena Gasosa e convidados, com direito a banda paulista e tudo! Mais isso é assunto pra outra resenha, certo? Por hora, valeu por ter conferido que a Baratos continua sendo um lugar legal pra curtir um som, tomar umas e jogar conversa fora! Tarde de sábado bacana!

Rafael A.




Mais fotos de O Verpeiro no perfil do FMZ no Facebook




fotos: Rafael A./Latitude Zero Prod.





Test Drive de Buteco: Bar Poluma




Esse bar é velho conhecido da roqueirada da Zona Sul do Rio! O Bar Poluma fica na Rua Barata Ribeiro, bem no coração e Copacabana e coladinho no sebo Baratos da Ribeiro! Em dias de show no vizinho, o futebol rolando na tv, a cerveja e a galera na calçada transformam o clima daquele trecho da Barata Ribeiro. Exatamente como foi nessa tarde de sábado, onde, com a desculpa de conferir mais uma edição de O Vespeiro, na Baratos, este que vos escreve inaugurou essa nova coluna do FMZ_ONLINE!



O Poluma já começa bem logo de cara: cerveja gelada e atendimento no esquema! Mas o quesito tira-gosto joga o conceito do bar lá pra cima. A Costela é muito bem feita. No esquema mesmo! Mas o carro chefe, na minha opinião é a Carne Assada; perfeita, com cebola e linguiça! Vale e muito a pena! Então já sabem, né? Quando for conferir um show na Baratos, chegue um pouco mais cedo e dê uma paradinha estratégica no Bar Poluma! Vale a pena! 


Rafael A.














fotos: Rafael A./Latitude Zero Prod.








sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Protesto Suburbano lança novo clipe


Uma dos nomes mais importantes do cenário underground carioca está de clipe novo! A banda Protesto Suburbano lançou recentemente o clipe da música “Nada Restará” em sua página no Youtube. A banda de Macaé, interior do Estado do Rio de Janeiro, que está na ativa desde ‘a época da correspondência’ – leia-se anos noventa,  já conta com dois álbuns de estúdio e uma bem sucedida tour pela Região Nordeste do país. A música que ganhou clipe, trata de temas ligados ao futuro de nosso planeta em tempos onde preservar não se resume a uma postura ou um discursso, é uma necessidade. Vale a pena conferir esse novo trabalho da Protesto Suburbano!

Rafael A.



Confira o clipe de  “Nada Restará”




"Nada Restará" (Evandro)

Me levaram para ver o pôr do sol
Mas as nuvens cinzas me impediram
Eu queria respirar ar puro
Só respirei com máscara de oxigênio
E aquela velha árvore centenária
Que foi morta e depois cortada
O homem a mando da tecnologia
O homem a mando da destruição
Aquele pássaro que lá cantava
Procurando um pedaço da sua vida
As cachoeiras que esbanjavam águas cristalinas
Hoje choram com suas lágrimas negras
As águas azuis até a linha do horizonte
Se transformaram em águas podres e linha torta
O homem a mando da tecnologia
O homem a mando da destruição
Nada restará ...




Reel Big Fish & Goldfinger no Rio!


Noite de quarta-feira na Cidade Maravilhosa.  Um vento chato anunciando uma senhora chuva e o tempo correndo contra. Este que vos escreve, considerávelmente atrasado, rumava para o Circo Voador para conferir a etapa carioca da turnê das bandas norte-americanas Reel Big Fish e Goldfinger pela América do Sul. Até então, Curitiba, São Paulo e Criciúma já haviam conferido o show das gringos, depois do Rio, seria a vez de Porto Alegre e mais duas datas na Argentina. Era chegada a hora do público carioca!


E não é que deu tempo? Quando o FMZ pisou no Circo Voador, a primeira atração internacional, a californiana Goldfinger, já estava no palco, começando sua apresentação! E não é que  John Feldman e seus comandados surpreenderam. O Ska Punk com pitadas de Pop Punk dos caras ganhou e muito ao vivo! Superando todas as espectativas deste que, até então, só havia conferido material da banda em estúdio. Sons como “Get Up”, “Rio” e a versão dos caras pra “Just Like Heaven” do The Cure, lançada no ep  Darrin's Coconut Ass - Live From Omaha, de 1999. Esta última, foi responsável pelo momento mais bacana do show na minha opinião! Isso tudo com direito a participação do sax da Reel Big Fish, o vocal e guitarra dando mosh na galera e voltando pro bis com a perna arrebentada! Ou seja, um belo show com tudo que se tem direito!


Intervalo, cerveja, vídeos de sk8 no telão e, eis que não mais que derepente (ainda estava na fila pra pegar mais uma gelada) os caras da Reel Big Fish tomam conta do palco do Circo Voador e dão início a um dos shows mais divertidos que assisti nos últimos tempos! Naipe de metais dando show e brincando o tempo todo com a galera, banda afiada e um Ska Punk típico dos anos noventa de primeiríssima!!! Os caras mostraram, além de um domínio de palco impressionante, que sabem montar um repertório capaz de transformar uma noite de quarta-feira numa senhora festa sem hora pra acabar (mesmo, não dava vontade de desgrudar os olhos e os ouvidos do palco um só instante)!!! "She Has a Girlfriend Now", "I Want Your Girlfriend To Be My Girlfriend", "Somebody Hates Me" (muito legal essa!!!) e “Take On Me”, do A-Ha (isso mesmo, aquela versão que todo mundo conhece e tal...) foram alguns dos momentos mais marcantes de um show praticamente perfeito!


Não deu pra conferir a abertura dos caras da Madame Machado. A chuva veio, mas não como se imaginava (choveu o bastante pra dar uma refrescada, nada além disso). Mas não tem como negar que foi uma noite muito bacana; casa cheia, uma quantidade de garotas lindíssimas na galera que chagava a impressionar, cervejas e dois shows muito bacanas! Saldo mais que positivo pra uma noite de quarta-feira, concordam? Ainda deu tempo de tomar uma saideira com o camarada Alexandre Bolinho, da  Kopos Sujus, antes de correr pra casa pra tentar dormir um pouco. Afinal de contas, já era quinta-feira!

Rafael A.




Mais fotos de Reel Big Fish & Goldfinger no Circo  Voador no perfil do FMZ no Facebook.





quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Futebol e Punk Rock! Última Classe na PATCH Vol.3!


Imaginem uma banda com a seguinte formação: Ronaldo (voz, aulas de história, cerveja e amendoim), Alcides (guitarra, segunda voz, arquivologia, cerveja e amendoim), Angelo (baixo, tatuagem, cerveja e amendoim), Bruno (bateria, funcionalismo público municipal, cerveja e amendoim). Agora some a issso aí uma boa dose de cotidiano, futebol, Oi!, RocknRoll e Punk Rock! É mais ou menos essa a conta que tem como resultado e banda santista Última Classe! Essa história começou no Litoral Paulista a cerca de três anos. Quatro amigos afim de tomar uma cerveja, jogar conversa fora, falar de futebol, mulher, Punk Rock, enfim: nessecidades básica de qualquer sujeito minimamente normal. E o resultado é a banda Última Classe! E essa mesma banda dá as caras em nossa PATCH Vol.3! E são muito bem vindos! A música “Mais Futebol” é a nona faixa do terceiro volume de nossa coletânea virtual! Disponível em nosso Purevolume! Confere lá!


Latitude Zero Prod.



Track List:
01) Aldora (São José dos Campos/SP) : Não é Normal
02) Hanney (Niterói/RJ) : O Trauma
03) Tuca Marques (Niterói/RJ) : Sem Destino, Sem Direção
04) Leandro Ribeiro (São Gonçalo/RJ) : O Baque do meu Som
05) Mato Seco (São Paulo/SP) : O Amanhã
06) Rogério Carvalho (São Gonçalo/RJ) : A Bruxa (part. esp. Tuca Marques)
07) Macacos me Mordam (Rio de Janeiro/RJ) : Desculpe Brasil
08) Kopos Sujus (Rio de Janeiro/RJ) : O Lobisomen do Catete
09) Última Classe (Santos/SP) : Mais Futebol
10) Inércia (São Gonçalo/RJ) : Cidade Maravilhosa?
11) Horror Deluxe (São Paulo/SP) : Cabeça Zumbi
12) FxHxC - Fim da Humanidade Capitalista (São Paulo/SP) : George Bush

Ouça e faça o download gratuito em: PATCH Vol.3



Direção Artística:
Rafael A.


Lançamento:
Latitude Zero Prod.

Apoio:
Rock+ Produções
Araribóia Rock



Assessoria de imprensa:
latitudezeroprod@yahoo.com.br


Links: Patch Vol.3 :: Patch Vol.2 :: Patch Vol.1 :: Latitude Zero Prod. no Purevolume :: Aldora :: Hanney :: Tuca Marques :: Leandro Ribeiro :: Mato Seco :: Rogério Carvalho :: Macacos me Mordam :: Kopos Sujus :: Última Classe :: Inércia :: Horror Deluxe :: FxHxC

sábado, 22 de outubro de 2011

Das Nuvens



Capitulo 1: A solidão e a cidade

Naquela manhã, foi o primeiro a chegar ao escritório. Não era o funcionário favorito do chefe a toa; gostava de fazer tudo do jeito mais ‘caxias’ possível. A mesa sempre bem arrumada, documentos e pendências sempre bem organizados e lembretes no bloco destinado aos mesmos. Tudo sempre atualizado e, por vezes, com cópia pro caso de possíveis perdas. De fato, um chato com ele mesmo e um incômodo para os colegas de escritório. Até porque, seria quase impossível para qualquer um deles alcançar algum destaque ou merecer algum elogio enquanto o ‘mala’ por ali estivesse.

Por se tratar de um sábado, não havia muito que fazer no escritório. Embora não visse problemas em trabalhar seis dias na semana, dependia dos outros colegas de firma. Era necessário, em alguns casos, que os outros estivessem tão adiantados quanto ele no serviço para que ele pudesse cumprir sua rotina de bons serviços prestados. Como uma boa parte dos funcionários largava tudo ao léu na sexta após o almoço e sequer voltavam para o trabalho, os sábados eram praticamente ‘ponto facultativo’. Só ia quem quisesse. Ele, o chato, estava sempre lá. Ao menos naquela manhã, foi bom ser dessa forma. Sobre sua mesa, um lembrete quase passou despercebido. Em meio a sua organização rotineira, não notou um bilhete deixado num canto da mesa. Obviamente colocado fora do espaço habitual para lembretes, o mesmo não seria notado não fosse sua vistoria diária por toda extensão de sua mesa em busca de recados deixados ali por algum desleixado.

Desdobrou o bilhete com a calma habitual e, como sempre, se detendo de tempos em tempos para desfazer cada dobra. Afinal, se havia um bloco destinado a recados (com todas as folhas de mesmo tamanho e presas ao todo da mesma forma), porque alguém cometeria a maldade de usar um pedaço de papel diferente? Após esticar e desdobrar por completo o tal papel e restabelecer a ordem em sua mesa de trabalho, passou a leitura do recado. Este dizia:

Bom dia idiota!
Como sabíamos que você seria o único imbecil capaz de aparecer no escritório em um dia de sábado, lhe deixamos esse recado. Estamos todos em um churrasco na casa do Hermes, o contador. Tem uma grana dentro da última gaveta da mesa do chefe, pega ela e compra umas cervejas e pó. Depois vem pra cá. Chegando aqui vai ter que comer uma puta, ou alguma vadia do escritório mesmo, na nossa frente!!! A Márcia e a Vânia já disseram que fazem o sacrifício. Vai ser sua forma de provar que é um homem, e não um saco de merda que só pensa em trabalho. Você tem até as 13h pra aparecer aqui com tudo que pedimos. Caso contrário vamos na sua casa te dar umas porradas pra você aprender a ser homem!

Atenciosamente,
Seus bem feitores

É claro que não tocou no dinheiro que estava na gaveta do chefe. Chegou a conferir se o numerário estava realmente lá, mas não teve coragem de colocar as mãos. Não sem uma autorização assinada pelo chefe. De novo se sentia incomodado com suas próprias circunstâncias. Sempre elas a amarrá-lo a alguma coisa que o impedia de viver e conquistar as coisas que sonhava. Amigos, mulheres, sonhos, sorrisos, vidas deixadas para trás sem remorso. Nada disso fazia parte de sua débil existência até aqui. Apegava-se as poucas coisas que conseguia conquistar e não olhava ao redor com medo de perder o que já tinha. De fato, tudo o incomodava: suas roupas, suas músicas, seu cheiro, suas anotações, os óculos, as canetas organizadas no bolso do paletó, o bloco de anotações...





Capítulo 2: Deuses da chuva, demônios da garoa

Decidiu, mesmo não tendo pego o dinheiro na gaveta do chefe, ir ao encontro de seus ‘colegas’. Fosse como fosse, eram suas únicas companhias. Eram as únicas pessoas com quem convivia, ou se relacionava. Mesmo que isso não soasse agradável; ao menos para eles. Talvez ele não precisasse cumprir todas as tarefas impostas pelo bilhete deixado em sua mesa. Podia ser só uma brincadeira. No final das contas podia ser só uma questão de aparecer na confraternização e ser agradável, falar de amenidades e mostrar que era capaz de se socializar de vez em quando. Caminhando pelo Centro da cidade pensou no que havia vivido até ali. O que durou poucos minutos, já que tirando o diploma em administração e os prêmios de funcionário do mês ganhos seguidas vezes, não tinha nada de muito relevante pra recordar. A chuva fina que caía na cidade vazia não chegava a incomodar. As doses cavalares de vitamina C tomadas diariamente (para não adoecer e, consequentemente, não correr o risco de perder um dia produtivo de trabalho) deviam ser suficientes para protejê-lo de um resfriado, virose ou coisa do tipo. O cenário era, em alguns aspectos, assustador. A imponência dos arranha-céus era aniquilada pelo cinza das nuvens. O silêncio nunca lhe soou tão profundo, opressivo e assustador. Era o mesmo silêncio que o acompanhava todas as noites antes de adormecer, porém nunca o olhou nos olhos como naquela manhã de sábado. Trouxe à mente dúvidas. Que não existiam antes; quando as certezas lhe davam a confiança comum aos fortes e vitoriosos. Diferente do que acreditava, era ele o perdedor. Sua disciplina e retidão não lhe conferiam mérito ou valor algum. Agora sabia. O cinza do dia tentava lhe dizer isso havia tempos.

O bilhete dizia: “compra umas cervejas e pó”. Comprar umas poucas latas de cerveja não lhe parecia algo errado. Mas pó!?! Como conseguir? Onde conseguir? Tratava-se de uma substância proibida. E não se sentia preparado psicologicamente para infringir leis. Decidiu ir a casa do Hermes somente com as cervejas. Ok, era melhor ir preparado: Pensar bem nas coisas que iria dizer, estar preparado para possíveis brincadeiras e piadas... Tudo daria certo! Na segunda-feira seria apenas mais um naquele escritório. Deixaria de ser o desagradável, o calado, o patético, enfim. Seria só mais um matando o tempo dia após dia a espera do ordenado. Com tantas coisas na cabeça, nem percebeu que o ônibus que havia tomado no Centro já estava quase chegando ao bairro onde ficava a casa do Hermes, na zona norte da cidade. Ao menos era o endereço que haviam deixado anotado no quadro de recados. Ao descer, pensou se valeria a pena aquela tentativa desesperada de ser aceito por aquelas pessoas. Afinal de contas, era explícito o desprezo que os colegas tinham para com ele. O que só era reforçado pelo tom do bilhete que haviam deixado pra ele. Não era um convite, era uma intimação, uma ordem!

Por alguns instantes torceu para que o endereço fosse falso, enquanto esperava que alguém viesse abrir a porta. Márcia e Vânia vieram abrir. Não conseguiu não reparar nos seios quase a mostra que as duas tentavam esconder dentro de minúsculos biquínis, e nas coxas grossas que ambas exibiam com seus shorts que permitiam enxergar praticamente seus úteros a metros de distância. As duas estavam visivelmente bêbadas e o receberam, aparentemente, bem:

- Oi! Finalmente chegou nosso convidado especial....Hahahahaha!!!
- Querido, se prepara que hoje eu e a Vâninha vamos te dar o melhor presente que você já ganhou na vida!!!
- Olha pra boca dessa sem vergonha! Tá até babando, doida pra dar a boceta pra você! Hahahahaha... Tá louquinha pra chifrar o maridão contigo, hein?
- Entra! Entra!
- Os meninos estão te esperando na churrasqueira. Lá atrás. Vai indo que nós vamos nos preparar pra cuidar de você....






Capitulo 3: A violência travestida faz seu trottoir

Nos fundos da casa, o cheiro de cerveja dominava o ambiente. Se aproximou timidamente com a sacola com poucas latas de cerveja e, com um aceno de mão tímido, saudou os convidados que ali conversavam animadamente. Não que já não esperasse por algo do tipo, mas se assustou quando todo o lugar parou para analisar dos pés a cabeça o convidado retardatário que chegava a reunião. Cada sorriso cortava-lhe a alma, atravessava seus olhos e deixava um rastro de vergonha e medo por onde passavam. Era, sem sombra de dúvidas, a pior sensação que já havia experimentado em toda sua vida. Os caras do escritório o cercaram e permaneceram em silêncio por alguns segundos que pareceram horas pra ele. Foi o Hermes, o dono da casa que quebrou o silêncio recém instaurado por sua chegada:

- Qual é seu bosta? Vai ficar parado aí? Deixa eu ver que cerveja é essa que você trouxe. Pegou a grana na gaveta do chefe? E o pó da rapaziada? Essas meninas do escritório só dão a base de pó, hein?

Sem saber o que dizer, esboçou um sorriso sem graça. No fundo, queria acreditar que as brincadeiras não passariam daquele ponto; até porque se tratavam de adultos e não é possível que fossem mais fundo do que já haviam ido com ele. O Hermes pegou as cerveja e levou-as para o freezer, próximo a churrasqueira. Pouco tempo depois, sentado sozinho em uma das mesas e sendo alvo de olhares de desprezo e risadas contidas, voltou a ser o centro das atenções. Vânia saia de dentro da casa, de cabelos molhados e fumando um cigarro. O biquíni parecia ter diminuído. De seus olhos saíam faíscas de pura maldade (ou assim lhe pareciam) que penetravam nele sem dó. Foi então que a morena de seis fartos sentenciou:

- É o seguinte galera: A Vâninha ta nuazinha no banheiro, toda cheirosinha esperando o amigo de vocês pra tirar o cabaço dele... Depois vai ser minha vez! Cadê o pó?!?

Hermes interveio:

- Acabou a brincadeira! Vai e mete a pica na safada! A gente promete que o marido dela não vai ficar sabendo. Todo mundo aqui já comeu as duas e os cornos nem desconfiam. Vai lá, seu mané!

Como não esboçara nenhuma reação, e já sabia que seria assim se uma coisa desse tipo acontecesse, três dos bêbados que estavam mais perto de sua mesa o agarraram e imobilizaram. Não viu muita coisa, mas em poucos instantes estava praticamente despido e jogado no chão frio do banheiro. A sua frente, Vânia o olhava com um sorriso quase de pena nos lábios grossos de onde escorriam pingos de cerveja. A mulher limpou o queixo e foi até ele. Com uma das mãos segurava a lata; a outra foi direto para o meio de suas pernas. Apertou seu pênis com firmeza e anunciou que aquela era a hora!

- Como é que é seu merda!?! Isso não fica duro não? Apostei com a minha colega que você só era um bosta no escritório! Vai dar conta de mim ou não? Até o chefe, velho e broxa brinca com a Vâninha aqui de vez em quando. Qual vai ser?!?

Foi até o basculante e avisou aos demais que esperavam ansiosos o desenrolar daquilo tudo, do lado de fora:

- Aí galera! Vou precisar de macho hoje, hein? Esse aqui é bicha e broxa! Hahahahaha!






Capítulo 4: O começo é o fim e o fim é o começo

Podia ser o olhar de pena daquela mulher nua a sua frente naquele banheiro; ou mesmo os gritos que vinham do lado de fora. O fato é que em uma fração de segundos não via mais nada. Quando caiu em si já havia espatifado a porta do box de vidro com a cabeça da colega de escritório. Daí até se desesperar com o sangue tomando conta de todo o cômodo foi um pulo. Arrombou a porta que havia sido trancada e correu sem saber direito pra onde. Só ouvia os gritos de ‘broxa’, ‘bicha’, ‘frouxo’, ‘otário’ e ‘cabaço de merda’ que iam ficando cada vez mais altos na sua cabeça independente do quanto se afastava da casa do contador. No fundo sabia que nunca deveria ter ido lá. Olhou pra trás e viu a casa já bem distante. Do portão saiu o Souza, um office boy que entrara na firma a bem pouco tempo, aos berros:

- Você matou ela seu bosta! Seu merda, era brincadeira! Tu vai ser preso seu otário! O Hermes foi pegar a peça e disse que vai te caçar seu imbecil!

Só consegui pensar em correr até a rua principal e tentar um taxi. Nenhum se atreveu a parar para um sujeito tremendo, com as calças sujas de sangue e cortes nos braços. Caminhou rezando para que não passasse nenhuma viatura da polícia e o parasse pra perguntar o que havia acontecido. Chegou a pensar em voltar e ver o que podia fazer para ajudar a mulher que deixara caída no banheiro. Mas a idéia do Hermes, o dono da casa armado e furioso o assustava demais. Sem fazer muita idéia de como havia conseguido chegar a seu apartamento no Centro da cidade, acordou no dia seguinte ainda com as mesmas calças sujas de sangue. Passou o domingo todo em casa, trancado no quarto em silêncio e esperando que alguém batesse à porta para prendê-lo. Nada aconteceu.

Na segunda-feira, ainda tremendo de medo, não conseguiu resistir à rotina de se levantar, trocar de roupa e ir para o escritório. Acontecesse o que acontecesse, quebrar a rotina e perder um dia de trabalho lhe soava mais assustador que a certeza de encontrar a polícia a sua espera na porta de casa. Ao chegar ao escritório encontrou todos reunidos perto da janela falando muito baixo, quase sussurrando. Após um esforço sobre-humano, olhou por cima dos óculos e perguntou quase que pra si próprio, mas tendo como alvo os colegas a sua frente, como estava a colega. A resposta veio em seguida, da boca de Márcia, que falou calma e pausadamente:

- Fica tranqüilo seu bosta, ela não morreu. Mas ta em casa com a cabeça enfaixada, seu imbecil. Por causa de uma brincadeira você ferrou com a vida de uma mãe seu idiota!

Um ‘sinto muito’ saiu de sua boca, mas sequer foi ouvido, já que Hermes acabava de entrar na sala fitando-o severamente.

- Seu filho da puta, você tem noção da merda que você fez? O marido dela descobriu o que rolava nos churrascos do escritório. No hospital, encontraram vestígios de cocaína no sangue da menina. O corno ta pedindo o divórcio e já avisou que vai levar os filhos pra casa dos avós no Sul. Você é um merda, devia estar internado. Mas o chefe já cuidou disso. Conversamos todos com ele ontem. Ele tem amigos na polícia. Fica tranqüilo, não vai mais precisar forçar um ‘bom dia’ pra fingir que se importa com ninguém aqui. Vamos finalmente nos livrar de você.

-O chefe ta te chamando na sala dele... - disse Souza saindo de cabeça baixa da sala do chefe.

Qualquer coisa que ele dissesse não faria a menor diferença naquele momento. Não pediu pra ser convidado pra festa nenhuma; só queria passar o sábado trabalhando com fazia todas as semanas. Não planejou nada daquilo. Foram eles, e a própria Vânia que inventaram tudo aquilo. De qualquer forma, era melhor ir logo ver o que o chefe queria com ele. Provavelmente seria demitido.

Ao entrar na sala e fechar a porta se deparou com um policial e dois homens de branco. Pareciam ser enfermeiros, mas não tinha certeza. O chefe pediu que ele se sentasse e ouvisse sem interromper:

- O pessoal me contou de seu ataque no churrasco deles ontem. Olha aqui, você sabe que não devia nem ter ido lá. Ninguém te convidou. O Hermes não faz idéia de como você descobriu o endereço dele. Você aparece sem ser convidado, invade o banheiro e quase mata uma moça, mãe de três filhos, por nada!?! Eu sabia que você não era bom da cabeça, mas daí a chegar a esse ponto??? Era só vir ao trabalho, voltar pra casa e tocar sua punhetinha sem incomodar ninguém. Era só não tentar ser como os outros. Era só fingir que você não existia, como você deve ter feito sua vida toda... Meu rapaz, eu vou ser teu amigo. Contei uma história louca pro meu amigo aqui da polícia. Ele já disse que vai aceitar em consideração a mim. Pra todos os efeitos você entrou na empresa através de um programa maluco desses do governo que empregam doentes mentais, ok? Você não vai ficar preso nem nada, esses dois enfermeiros vão te levar pra uma clínica particular, coisa fina. Vou usar seu FGTS pra pagar essa porra. Você fica lá por uns tempos e quando sair vai estar automaticamente desligado de nosso quadro de funcionários. É só assinar aqui. E pra coisa ficar no esquema, é legal o pessoal do prédio te ver saindo na camisa de força. Só pra parecer de verdade. Você não se importa, né? Assina aí e usa esse tempo pra pensar nessa sua vida de merda. Vai por mim, é melhor assim. Pode levar, Fontes!

No final do discurso do chefe, já estava convencido de que tinha mesmo alguma culpa naquilo tudo. Não pelos motivos que o coroa a sua frente expunha, mas por motivos que só ele conhecia. Melhor não reagir, só pra variar. Vai ver era pra ser desse jeito mesmo. Talvez, se tivesse ficado em casa isso nem tivesse acontecido. Provavelmente iriam esquecer dele em bem pouco tempo. Em todo caso, era melhor assim. Perdia, se entregava, desistia, aceitava... só pra variar... Nunca mais foi visto.

Rafael A.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Dupla paulista representa o Psychobilly na PATCH Vol.3!



O PsychoBilly não ficou de fora da PATCH Vol.3! A dupla paulista Horror Deluxe dá as caras no terceiro volume de nossa coletânea virtual com a música “Cabeça Zumbi”! O projeto formado por Rogério Ucra e Prix Overkill é um dos mais interessantes que passaram por aqui nos últimos tempos! A dupla disponibilizou recentemente o ep A Guerra do Osso na internet e lançou uma versão bem bacana para o clássico “Jhonny B. Good”, cujo clipe foi parar no site do Concurso Cultural Vintage Times! Para fãs de PsychoBilly e afins, um prato cheio! A Coletânea PATCH Vol.3 conta ainda com nomes como Kopos Sujus, Macacos me Mordam, Aldora, Leandro Ribeiro e muito outros! É só dar uma passada em nossa página no site Purevolume, ouvir, baixar e espelhar por aí! Vale a pena, ok?


Latitude Zero Prod.



Track List:
01) Aldora (São José dos Campos/SP) : Não é Normal
02) Hanney (Niterói/RJ) : O Trauma
03) Tuca Marques (Niterói/RJ) : Sem Destino, Sem Direção
04) Leandro Ribeiro (São Gonçalo/RJ) : O Baque do meu Som
05) Mato Seco (São Paulo/SP) : O Amanhã
06) Rogério Carvalho (São Gonçalo/RJ) : A Bruxa (part. esp. Tuca Marques)
07) Macacos me Mordam (Rio de Janeiro/RJ) : Desculpe Brasil
08) Kopos Sujus (Rio de Janeiro/RJ) : O Lobisomen do Catete
09) Última Classe (Santos/SP) : Mais Futebol
10) Inércia (São Gonçalo/RJ) : Cidade Maravilhosa?
11) Horror Deluxe (São Paulo/SP) : Cabeça Zumbi
12) FxHxC - Fim da Humanidade Capitalista (São Paulo/SP) : George Bush

Ouça e faça o download gratuito em: PATCH Vol.3



Direção Artística:
Rafael A.


Lançamento:
Latitude Zero Prod.

Apoio:
Rock+ Produções
Araribóia Rock



Assessoria de imprensa:
latitudezeroprod@yahoo.com.br


Links: Patch Vol.3 :: Patch Vol.2 :: Patch Vol.1 :: Latitude Zero Prod. no Purevolume :: Aldora :: Hanney :: Tuca Marques :: Leandro Ribeiro :: Mato Seco :: Rogério Carvalho :: Macacos me Mordam :: Kopos Sujus :: Última Classe :: Inércia :: Horror Deluxe :: FxHxC

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Projeto Praia do Rock agita Maricá no verão de 2012!


Em Janeiro de 2012 o Projeto Praia do Rock completa dez anos de história. Surgido em 2002 na Ponta do Francês, em Maricá (RJ) o Praia do Rock tronou-se o evento underground mais importante de sua região e levou mais de cem artistas independentes, ao longo de mais de trinta edições realizadas, em show gratuitos para o público local e de municípios vizinhos. Nos dias 20 e 21 de janeiro, uma grande festa vai tomar conta da Praia da Ponta do Francês durante dois dias de eventos! Serão mais de trinta atrações entre bandas, expositores, artistas plásticos, desenhistas e dj`s reunidos para comemorar os dez anos do Praia do Rock! Nomes como Nevemarço, Tuca Marques (foto), Ricto Mafia, Kopos Sujus, Carlos Sphiler e a lendária banda de Punk Rock Inércia já estão confirmados! E outros virão! De quebra, paralelamente ao evento acontece uma edição mais que especial da Festa Narcose Rock Clube, com dj`s convidados, performances, intervenções artísticas e muitas surpresas! E tudo isso com entrada franca! Imperdível! 



Serviço:

20 e 21 de Janeiro : sexta e sábado : 18h
Projeto Praia do Rock – Especial 10 Anos
Local: Praia da Ponta do Francês
End.: Itaipuaçú, Maricá/RJ
ENTRADA FRANCA





domingo, 16 de outubro de 2011

Bad Religion na Fundição Progresso!!!




Bad Religion
15/10/2011
Fundição Progresso (Lapa, Rio de Janeiro/RJ)
BAD RELIGION – FISTT

Esse era um daqueles shows que qualquer criatura que se diga fã de Punk Rock, Hardcore ou coisa que o valha tinha a obrigação de conferir. A maior banda de Punk Rock/Hardcore de todos os tempos fechando turnê em pleno Rio de Janeiro; rumores dando conta de que o Bad Religion estaria para encerrar atividades, enfim. Todos os ingredientes, todas as circunstâncias conspiravam para uma noite, no mínimo, histórica na Fundição Progresso! Como disse, qualquer um com o mínimo de envolvimento com Punk Rock e Hardcore tinha a obrigação de bater ponto em mais uma passagem dos mestres do Punk Rock por terras cariocas.

O último álbum da banda, Dissent of Man, apesar dos elogios, ao que parece ainda não foi totalmente digerido pela maioria dos fãs. E de alguma forma essa sensação se refletia na galera que  encheu a Fundição Progresso nessa noite chuvosa de sábado. Por se tratar da tour de comemoração dos trinta anos do Bad Religion, ficava claro que o povo queria os clássicos! E eles apareceriam ao longo do show...! Vale citar a participação da banda paulista Fistt na abertura dos trabalhos na Fundição. Apesar da ansiedade causada pela espera para que o BR subisse logo ao palco, havia uma galera curtindo o show dos caras e cantando suas músicas. Seguraram a onda, tocaram relaxados e fizeram uma boa participação.

Hora do show! Sr.Greg Graffin e seus comandados tomaram conta do palco para mais uma aula! De cara, som do último trabalho cantado a plenos pulmões pela galera colada na grade! Sem o menor constrangimento os caras despejaram em cima do povo, logo na sequência “Social Suicide” e “21st Century (Digital Boy)”! Nem precisa dizer que o lugar virou a sucursal do inferno com a galera explodindo e berrando tuto do início ao fim! A festa havia começado! E, literalmente, não havia pra onde correr! Na grade, uma situação lindamente insuportável (ao menos pra este que vos escreve), e logo atrás uma roda monstruosa! E tome gente sendo jogada de um lado pro outro! E  tudo isso sendo comandado, com maestria, por um frontman simplesmente perfeito e uma banda ‘inclassificável’ (no melhor dos sentidos)! Perfeito!

O que veio a seguir não tem nome! Uma penca de sons de todas as fases da banda fez a alegria da galera na Fundição! “Modern Man”, “Recipe for Hate”, “Los Angeles is Burning” (maravilhosa!), “Come Join Us” (juro que não esperava essa – absurdo!), “Stranger than Fiction” e por aí vai! E tome pedrada!!! “No Control”, “Suffer”, “You”, “Atomic Garden”, “Let than Eat War” (ok, a participação do “fã” foi brochante... avisem pro garoto que ele NÃO É o Tim do Rise Against – mas é claro que a banda não tem nada haver com isso)... enfim. Mais sons dos primeiros anos da banda seria mais que perfeito, mas “Fuck Armagedon...This is Hell” soou perfeita! O que é que foi aquilo!?! Só não foi mais furiosa que a versão doentia de “Generator”, que transformou a Fundição numa roda de pogo de proporções olímpicas (não usava esse termo tem muito tempo...)! Mais uma vez: ‘inclassificável’!!!

“Along the Way” fez tudo mundo cantar e pular junto com a banda! E antes de entrar na parte final do show, vale citar aquele quase-senhor, meio gordinho, do lado esquerdo do palco com sua Les Paul: Braian Baker é simplesmente um E.T!!!! O maior guitarrista de Punk Rock/Hardcore de todos os tempos e para todo o sempre foi, no mínimo, um monstro! O cara toca muita guitarra!!!! Na volta pro bis, “American Jesus” (arrasadora), “Infected” (do perfeito álbum Stranger than Fiction) e “Sorrow” fecharam uma apresentação memorável, fantástica, uma verdadeira aula de Punk Rock bem no Dia do Professor!!!

Como todos sabem, rolam boatos de que este foi o último show da última tour da banda. A própria banda teria anunciado, em entrevista, que gravaria mais um álbum e encerraria atividades, sem tour de divulgação nem nada. Vai saber, seria uma perda irreparável não só para o Punk Rock, mas para o Rock mundial de uma forma geral. Não tem como falar de Punk Rock sem citar Bad Religion! Uma autêntica lenda viva (ao menos por enquanto)! Perfeita no palco, na postura, no discursso, enfim. Esse scaras escreveram a história do Hardcore. E nessa noite de sábado, escreveram mais um capítulo da história do Punk Rock no Brasil. De fato, não havia lugar melhor que o Rio pra encerrar uma tour como essa! Perfeito! Obrigado Bad Religion!!!!

Rafael A.


Mais fotos do show do Bad Religion na Fundição Progresso no perfil do FMZ no Facebook    



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Festival Do it Yourself homenageia Redson na Audio Rebel!

Festival Do it Yourself – Especial Redson
11/10/2011
Audio Rebel (Botafogo, Rio de Janeiro/RJ)
KOPOS SUJUS – GAMBRINUS 74 – INDIGENTES – MANGUAÇA – LACRAU – PACTO SOCIAL

Noite de homenagens a Redson, vocal e guitarra da banda Cólera, que faleceu na semana passada. Uma das figuras mais importantes do undeground nacional já não está mais entre nós. E com ele, a banda Cólera, que pode ser colocada entre as três mais importantes do Punk Rock brazuca de todos os tempos (ao menos eu, colocaria RxDxP e Inocentes nas outras duas vagas) também deixa de existir. Pra nós, resta guardar na memória as canções e os shows inesquecíveis que Redson e seus companheiros nos proporcionaram. E foi isso que fomos fazer em Batafogo nessa véspera de feriado!

Os primeiros a fazer barulho no palco da Audio Rebel foram os caras da Gambrinus 74! Como já dissemos aqui, uma das mais gratas surpresas do underground carioca nos últimos anos. O Punk Rock a lá Ramones da garotada deu as boas vindas pro público que começava a chegar à casa na Zona Sul do Rio. Logo depois foi a vez da lendária banda gonçalense Indigentes fazer barulho. Sons como “Noites de Guerra” e o som que dá nome à banda foram os destaques.

Kopos Sujus no palco! Os caras surpreenderam e fizeram um senhor show com participação do batera André Stressor. No repertório, apenas sons do Cólera e de bandas que influênciaram o power trio paulista. “Brend New Cadillac” do The Clash se juntou a “Meu Igual”,“Adolescente”, “São Paulo” e “51 State” da clássica New Model Army! De quebra “Pontos Corridos” e “O Último a Sair do Bar” de autoria da banda fecharam o showzão!!!

Depois dos caras da Kopos Sujus, foi a vez da também carioca Manguaça fazer outro belo show! “Qual Violência?” (do excelente Caos Mental Geral) contou com participação de Alexandre Bolinho, da Kopos Sujus. “Pela Paz em Todo o Mundo” fez o povo todo ir pra roda e proporcionou um dos mmentos mais legais da noite com todo mundo cantando! Em seguida, direto da Maricá, a banda Lacrau fez barulho e botou o povo pra pogar! E ainda deu tempo dos caras da Pacto Social fazerem barulho antes do ‘apagar das luzes’.
  
Redson e Cólera influenciaram muita gente no meio Punk e no undergorund nacional de uma forma geral. Pra nós do FMZ suas canções foram fundamentais no direcionamento ideológico  desse fanzine e na formação deste que vos escreve de uma forma que poucos artistas conseguiram. Tem um monte de coisas a serem ditas sobre o Cólera e seu vocalista, mas isso é assunto para um outro artigo. Por hora, encerramos com o grito que, ao meu ver, resume bem o homenageado desta noite de barulho na Audio Rebel: “Eu me importo! Eu me importo!”

Rafael A.




Mais fotos do Do It Yourself Festival - Especial Redson no perfil do FMZ no Facebook





Leia também: