segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Redson vive!



Janeiro Infernal 2012 – Especial Cólera
28/01/2012
Studio B (Posse, Nova Iguaçú/RJ)
CÓLERA & CONVIDADOS

É o nosso Clash!” Ouvi essa frase de Alexandre Bolinho, da banda Kopos Sujus, já no final da edição 2012 do Janeiro Infernal, realizado no último sábado no Studio B, no município de Nova Iguaçú na Baixada Fluminense. A edição deste ano era especial. Homenagem a Redson Pozzi, guitarra e vocal da lendária banda paulista Cólera, falecido recentemente. No palco, tal qual aconteceu em São Paulo a uns dois meses, Val e Pierre, membros originais da banda dividiam o palco com integrantes de bandas e figuras atuantes do cenário underground.

Quis o destino que a última aparição de um dos nomes mais importantes do cenário Punk nacional de todos os tempos fosse em solo Fluminense. O Estado do Rio de Janeiro tem uma participação importantíssima na trajetória de Redson e Cólera. Desde o velho Circo Voador até o novo Circo, passando por uma penca de casas no interior do Estado, inclusive me Nova Iguaçú. E por falar em Nova Iguaçú, o clima no Studio B (casa muito bacana, por sinal) era o melhor possível. Exposições de fotos, artigos e lembranças de Redson. Telão com show da banda ainda no começo dos anos 2000 no saudoso Garage (eu estava lá!), enfim, Tudo remetia a Redson e sua banda, com direito a discotecagem só com sons que o próprio Redson curtia. Cortesia do DJ Wesley Snayps! Sendo assim, com tantas lembranças era impossível não entrar no clima e reverenciar um dos caras e uma das bandas fundamentais para estarmos aqui, agora, falando de música independente (pode acreditar, é isso).

Como disse, Val e Pierre, integrantes originais do Cólera repetiam (pela última vez) a homenagem de São Paulo. Era hora do underground carioca dividir o palco com o Cólera! Cris e Tiago da banda Consciência Maldita, Fernanda da DDC, Alexandre Bolinho da Kopos Sujus, Rafael Parra (Deus Catiga), Vital (Jason e Poindexter), Ivan da clássica Sub-Atitude, Felipe Chehuam (Confronto) e Rafael A. (isso, eu), Zumby da Repúdio e claro, a responsável por tudo isso estar acontecendo em solo carioca, Deise Santos. Ainda roloaram participações especiais da galera que veio de Sampa, Demente, Garotos Podres e até o folho do Val, que com cerca de dez anos, já conhece e canta os sons da banda do pai! Putz, não sei se conseguiria falar de cada participação. Muito menos da minha. Mas posso falar do sentimento que rolou no palco do Studio B.

Desde a passagem de som, antes da casa abrir, a emoção já havia tomado conta de todos ali. Acredite, pra este que vos escreve foi uma das sensações mais incríveis de toda uma vida. Subir no palco, plugar a guitarra, olhar pro lado e ver nada mais nada menos que Val e Pierre, baixo e batera do Cólera te recebendo com toda humildade do mundo! As fotos de Redson no fundo do palco e espelhadas por todo o lugar só aumentavam a 'responsa'! Era como se ele estivesse ali, assistindo o show, curtindo e circulando no meio de nós. Por diversas vezes me peguei vagando perdido pelo Studio B, no meio do show, vendo aquilo tudo e lembrando dos fanzines e k7`s, do som alto nos fones de ouvido e de tudo que os discos do Cólera fizeram na minha vida. A sensação era a mesma.

No apagar das luzes, a música diminuía e as pessoas, aos poucos, voltavam pra suas casa. Éramos cerca de sete pessoas do lado de fora do Studio B, por volta das seis da manhã, uns ainda bebendo, outros partindo pro café da manhã, falando do show, de Cólera, Redson e de como a ficha ainda não tinha caído e tudo que aconteceu. A morte de Redson e a homenagem que acabávamos de prestar. De como o Cólera era 'o nosso Clash'. De como era estranho saber que nunca mais veríamos um show do Cólera...... E eis que, finalmente, a ficha caiu: Acabou.

Rafael A.

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fotos: Rafael A. / Latitude Zero Prod. & Chrystina Joenck



Um comentário:

eu disse...

é brother, teus textos cada vez melhores! E é isso: acabou, a ficha caiu, nos despedimos como ele merecia. Agora é manter a discografia do CÓLERA viva para que as novas gerações conheçam. Frase clichê, mas real: saem dos palcos e entram para a história.
abraço, foi especial compartilhar deste momento com amigos como você!
Bolinho

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