segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mudança onde? Mudança pra quem?


Na semana em que nós, cidadãos comuns dotados de um mínimo de sensibilidade, nos vimos embasbacados diante da notícia de um assalto em família, no qual um pai incentivava seus filhos a participarem de um verdadeiro saque a um veículo estacionado na porta da casa de seu proprietário em pleno bairro da Urca, Zona Sul carioca, fomos também tomados por outra notícia 'embasbacante': Dessa vez, as vítimas foram bandas, produtores e público em um evento numa casa noturna em Niterói.

Noite de sexta-feira, nas proximidades da Praça da Cantareira. Este que vos escreve acabara de passar pelo Espaço Box, onde o primeiro dia de um evento que se repetiria no sábado estava para começar. Cópias de nosso FMZ devidamente dispostas no balcão do lugar, meia dúzia de conhecidos na porta do estabelecimento para cumprimentar e algumas cervejas na Praça, logo ali ao lado, antes de retornar pra casa. Qual não foi minha surpresa quando, no dia seguinte, dando a hoje fundamental passada de olho nas redes sociais, sou pego de sopetão pela notícia: Na noite anterior, poucas horas depois de ter passado pelo Espaço Box, um sujeito invade o local armado. Ameaça bandas e produção, destrói equipamentos e exige o término das atividades imediatamente. A polícia, chamada por pessoas de dentro da casa chega rapidamente e domina o invasor. Menos mal.

Já na noite de sábado, em um outro evento, o que se tem de concreto é o fato, como a coisa se deu. De resto, especulações acerca do que motivaria alguém a tomar uma atitude dessa natureza. O que assusta mais não é nem o fato em si. Mas a sensação de impotência diante de um sujeito armado invadindo seu estabelecimento, seu show, festival ou o seu carro. Me coloco no lugar dos responsáveis pelo espaço, ou dos produtores do evento. Alguns diriam que não cabe aqui culpar o Estado. Até porque, no caso do Espaço Box, a polícia foi acionada e, ao que parece, atendeu rapidamente o chamado tomando o controle da situação. Porém, é a sensação de impunidade e de 'terra de ninguém' que dá a um sujeito a certeza de poder empunhar uma arma, invadir um lugar e colocar a vida de dezenas de pessoas em risco.

No próximo domingo, Niterói terá o segundo turno de suas eleições municipais. Se trocaremos de opressor ou simplesmente renovaremos a quadrilha que sugará o patrimônio e o orgulho do cidadão de nossa cidade, tanto faz. Serão mais quatro anos de descaso, impunidade, bagunça, desenrolo, jeitinho aqui e ali. Não importa quem vença. Serão mais quatro anos de cultura para poucos, de maquiagem pra encantar turista. Mais quatro anos de saúde aos cacos e Zona Norte abandonada. Mais quatro anos e, quem sabe, uma eternidade de assaltos em família (vai saber quando a nova modalidade chegará por aqui), armas sacadas a esmo e nosso bom e velho 'deixa pra lá'.

Rafael A.

Nenhum comentário:

Leia também: