sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Diário de Um Retardado



Ok, não é preciso levar nada do que vem a seguir muito a sério. De qualquer forma, aí vai: Gosto de caminhar pela manhã. Hábito adquirido à medida que os cigarros passavam a desaparecer do maço num espaço menor de tempo que o habitual. Me agrada o cheiro do dia nascendo, o vento frio que vem da praia, pássaros, enfim. Mas o que mais me fascina são as ruas completamente vazias, silenciosas. Pouquíssimas pessoas indo ou vindo. As poucas que se arriscam, o fazem por pura obrigação. Seja por força do horário de chegar ao trabalho, ou devido à obrigação com determinada rotina de exercícios prescrita por seus médicos...

Gosto dessa sensação de poder ir e vir sem me preocupar em esbarrar, tropeçar ou encontrar com alguém, seja lá quem for. Me agrada imensamente poder cantarolar qualquer canção da forma mais displicente possível sem ser incomodado ou incomodar quem quer que seja. Aliás, um conselho: As baladas são as melhores pra essas situações. Como por exemplo as das bandas de power-speed-ou-qualquer-coisa-metal (prefiro chamar de Metal Melódico, mas tanto faz...) da década de noventa. Tipo “Forever” do Stratovarius, ou “My Land” do Sonata Arctica. São ótimas pra me lembrar que um dia serei um músico de verdade e tocarei piano. Porque músicos de verdade tocam piano, sabia? Enfim. Como dizia, gosto de caminhar pela manhã. Mas não se engane! Não estou me referindo a uma rotina de exercícios nem nada do tipo!!! Me refiro àquela caminhada tola, rápida, ineficaz no que diz respeito à manutenção da saúde. Me refiro ao arrastar de pés rumo à banca de jornais, por exemplo. Só o bastante pra reabastecer o estoque de cigarros e dar a boa e velha olhada nos jornais. Mais precisamente o que diz respeito ao Futebol. Sim, a boa e velha 'coisa mais importante, dentre as menos importantes... '

É engraçado (muito) ver como os poucos que passam, pra lá e pra cá, carregam uma nítida expressão de cansaço e descontentamento. Creio que a mesma que Eu mesmo carregava há tempos atrás, quando por força de um emprego infeliz me levantava antes das cinco da madrugada. Seja como for, quase sempre penso que não me importaria de acordar em qualquer horário que fosse, se o fizesse por algo que julgasse útil e digno. Me refiro à glória de ter como ofício uma atividade na qual se veja valor e dela se retire seu sustento, ou coisa parecida. Ao mesmo tempo me recordo do que há para ser pago e do dinheiro que não existe (não a olho nu) para quitar tais encargos. O que me lembra que, sendo útil ou não, há coisas que tem de ser feitas. Mas nem esse tipo de preocupação é capaz de estragar minhas curtas caminhadas matinais. Definitivamente, me fazem muito bem!

Em uma ou outra ocasião cenas curiosas cruzam meu caminho. Como da vez e que chegava à banca de jornais justamente na hora em que funcionárias chegavam para mais um dia de trabalho no supermercado em frente à mesma. Explico: enquanto caminhava pela calçada em frente ao estabelecimento era impossível não ouvir parte da conversa das duas moças que chegavam para assumir seus postos de trabalho. Ambas frisavam o quão infelizes eram por ter de cumprir aquela maldita rotina todas as manhãs. Questionavam o valor dos salários frente à carga de trabalho imposta, fora outros pontos negativos do serviço. Eis que, não mais que de repente, ao avistar colegas na entrada do mercado, dispararam gritos, sorrisos e frases entusiasmadas! Ora, se tudo aquilo lhes soa tão desconfortável, de onde tiram empolgação para tamanha demonstração de felicidade plena???? Entendo a necessidade e tudo o mais, sei bem como é, mas... Vai entender.... Mais uma entre algumas das cenas inexplicáveis (ao menos para minha mente limitada) que minhas caminhadas já me proporcionaram...

Mas não, não faço dessas caminhadas uma obrigação. Muitas das vezes elas se fazem necessárias mesmo antes de conseguir dormir. Em outras ocasiões elas vem após uma noite de trabalho, cerveja ou qualquer outra distração que não envolva sono ou minha cama. De qualquer forma me faz, como acabei de dizer, um bem danado. Mas como disse, não precisa levar nada disso muito a sério. E agora que já dei minha caminhada e tenho cigarros o bastante pra não me assombrar com uma possível falta deles, vou dormir um pouco. Grato pela atenção.

Rafael A.

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