segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Estava esperando o dilúvio



Achei estranho o fato de desde domingo não ter caído uma gota sequer. Como assim não vai chover? Assim como aconteceu no Campeonato Brasileiro de 2010, ou no FLU x fla do século, em 1995. Todas essas grandes conquistas Tricolores vieram devidamente acompanhadas de chuva torrencial. Do tipo que lava a alma, recoloca as coisas no seu devido lugar e faz justiça. No fundo, nós Tricolores (sendo que somos os únicos, já que os outros são tão somente times de três cores...) sabemos que é a presença do Sobrenatural de Almeida, o clássico personagem Tricolor criado por Nelson Rodrigues. Nunca ouvi falar de nenhuma ocasião onde o próprio tenha dado uma passadinha pelo plano terreno sem trazer consigo uma senhora chuva. E é claro que ele esteve em Presidente Prudente, interior de São Paulo, no último domingo.

Senão vejamos: A cidade no interior paulista receberia uma partida crucial para as pretensões de Fluminense e Palmeiras. O primeiro tinha a chance de se sagrar campeão brasileiro de 2012 com três rodadas de antecedência. Já o segundo, dava uma de suas últimas cartadas para se manter na elite do futebol brasileiro. Obviamente o objetivo do Tricolor carioca se mostrava muito mais possível que o de seu oponente alviverde. Caso não obtivesse sucesso, o Fluminense teria mais três rodadas – e aí sim, dependendo apenas de uma vitória – para enfim levantar a taça. Já O Porco, pendurado por um fio de cabelo no abismo e já calculando o estrago que a queda causaria, tinha pela frente uma verdadeira missão impossível. Muito parecida com a do mesmo Fluminense em 2009 (missão devidamente cumprida, por sinal).

Teve início a batalha. E conforme aconteceu durante todo o campeonato, os cariocas tomaram a frente do placar, momentos antes de se fechar na defesa e despertar o desespero de seus torcedores. Porém, diferente do que acontecera na maioria das vezes ao longo do brasileirão, se defender não foi o bastante. Veio o empate palmeirense. Decepção. O título Tricolor ficaria para as próximas rodadas. Ao mesmo tempo o Vasco, em São Januário, empatava com o Atlético Mineiro, única equipe capaz de alcançar o Tricolor carioca em número de pontos até então. Faltava um gol. Apenas um. Assim como em 1995 e 2010: um gol nos separava do olimpo, da taça, do título. Foi então que ele surgiu. Num canto da arquibancada atrás do gol ao lado direito das cabines de rádio e TV sentiu-se um vento, uma brisa. Sensação estranha que, provavelmente, naquele momento, poucos perceberam. O Sobrenatural de Almeida estava lá, entre os cerca de três mil torcedores que partiram do Rio para acompanhar o Time de Guerreiros. Como sempre, devidamente acomodado num canto do estádio com seu exemplar do Jornal do Sports.

Mais uma vez este que vos escreve se vê obrigado a atribuir a glória a ingredientes sobrenaturais. Somente o Sobrenatural de Almeida seria capaz de ajeitar aquela bola cruzada por Jean de forma que o artilheiro Fred pudesse colocá-la nas redes do adversário com um único toque, de primeira! Gol. Êxtase. Lágrimas e delírio inexplicável. Mas veja bem: Diferente de parte da imprensa esportiva, não seria capaz de colocar em dúvida o merecimento de nossa valorosa equipe. Falar de arbitragem, manipulação ou coisa que o valha soaria no mínimo ridículo. Melhor ataque, melhor defesa, artilheiro do campeonato e sério candidato a, até a última rodada, triturar todos os recordes possíveis e imagináveis do Campeonato Brasileiro na era dos pontos corridos. Não há como contestar. Venhamos e convenhamos, soa patético. Apito final. Título confirmado e lágrimas devidamente derramadas ao ouvir o hino mais lindo do futebol.

Porem, o céu azul e o lindo pôr do sol em Presidente Prudente, seguido de uma noite quente em solo carioca, trazia à tona a questão: Cadê a chuva??? Laranjeiras lotada. Cerveja, música, trio elétrico, DJ, camisas tricolores por toda cidade e nada de chuva... Apenas hoje, terça (dia 13), a tarde ela chegou. No início, forte e impetuosa. Depois, meio que caindo e parando. Quase como se pedisse desculpas pelo atraso. Está perdoada. Alma lavada. Título sóbrio, consciente e friamente calculado. Estratégia, planejamento tático, indiferença às críticas e, por fim, a glória. Aliás, glória que vem exatamente dois anos após o último título brasileiro. Dois títulos brasileiros para o futebol carioca nos últimos três anos. No ano em que voltamos ao topo do futebol carioca com o Estadual no primeiro semestre, também escrevemos o nome do Fluminense no topo do futebol brasileiro. Sim, o lugar de onde o mesmo jamais deveria sair.

Podem falar, esbravejar, fingir que não tem importância ou tratar como algo menor. Não é. E isso Eu, você e todos em suas casas, na frente das TVs, nas portas dos bares, nas sarjetas e catacumbas... todos sabemos! Pois é impossível ficar indiferente a um título do Fluminense. Quando o Fluminense é campeão, o Rio, o Brasil e o mundo ficam mais belos, mais felizes. Quando a chuva desaba sobre nossas cabeças e copos de cerveja madrugada adentro entendemos o quão singular é a benção de nascer Tricolor. E isso só nós Tricolores sabemos. Apenas nós, os escolhidos, sentimos a brisa que varre suavemente nosso plano quando ele, o Sobrenatural de Almeida, passa por aqui. E pra encerrar, as palavras do mestre Nelson Rodrigues: “Grande são os outros, o Fluminense é enorme”. Somos os campeões brasileiros de 2012. Saudações Tricolores,

Rafael A.

ps: Alguém aí sabe dizer que fim de teve o time do cara dos ratos no vestiário...?

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