segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Metaaaaaaaaaaaal........!!!



Precisava escrever sobre isso... Faz um bom tempo que, vira e mexe, somos cobrados pela falta de 'Metal' no FMZ (o que não faz sentido, basta acompanhar nossas atualizações). De qualquer forma, sempre deixei claro que, embora tenha muita simpatia por certos aspectos do estilo, há três fatores que nos fazem ter um pé atras com o Metal: o público, as bandas, e as bandas que se sairiam melhor como público. Explico: O radicalismo aliado à falta de embasamento (tipicamente adolescente) comum a alguns 'músicos' e seguidores (não estou generalizando) desta vertente acabam resultando em discussões no mínimo patéticas. Qualquer opinião emitida é entendida como uma tentativa de instituir uma verdade absoluta, ou coisa que o valha. E é claro que ninguém sente prazer em dialogar com parcelas, digamos, obtusas de determinado público.

O assunto 'Metal' voltou à tona pra este que vos escreve quando, após uma edição de nosso Rock na Garagem, recebemos a seguinte sugestão na página do citado evento no Facebook: “...tinha que rolar mais Metal... HC já deu...” Algo nessa onda... Ok, sugestões são sempre bem vindas, e todas são (acreditem) levadas em consideração. Afinal, dependemos do público para viabilizar qualquer projeto que seja. Mas venhamos e convenhamos, é pouco comum ver a tal 'cena Metal' pleiteando, ou requisitando espaço em um evento no qual não tenha trânsito. Já tentamos dialogar com o estilo em um evento no mesmo espaço onde promovemos o Rock na Garagem e tivemos a marca histórica de três (03) espectadores (sem contabilizar os integrantes das bandas e a produção). Tudo bem, outras vertentes já renderam audiências pouco expressivas como essa. Mas repito: é pouco comum ver a 'cena Metal' pleiteando qualquer coisa que seja.

Ok, vamos com calma! A ideia aqui não é confrontar vertentes musicais nem nada do tipo. Até porquê Metal e Hardcore caminham lado a lado faz tempo. Desde o Crossover dos anos oitenta, até o Metalcore de hoje em dia. Ambos flertam e se misturam resultando em coisas bacanas (em algumas ocasiões). E é claro que até o Hardcore tem suas contribuições, digamos, pouco construtivas (vide alguns monstrengos surgidos nas últimas décadas). Mas venhamos e convenhamos, há algo de muito bizarro com alguns entusiastas do Metal, ou mesmo com determinados subgêneros surgidos de uns anos pra cá. Isso me lembra que foi a 'cena Metal' que sempre se declarou auto suficiente. Aliás, foi justamente essa postura que afastou este que vos escreve e muitos outros dessa tal 'cena'.

O que me intriga é: De que 'Metal' estamos falando? Da vertente que se fecha nos próprios preconceitos e, apesar de contar com seguidores fidelíssimos, não é capaz de dialogar com nada que não parta do princípio de que tudo tem de ser baseado num grande teatrinho patético? Ou do 'estilo' que promove verdadeiros absurdos antropológicos, ignorando bandas e cenas importantes para se apoderar de determinada estética, como os 'góticos' de hoje em dia insistem em fazer? Vai saber, né? Vai que estamos falando de uma suruba de unicórnios, mundos futuristas ou da espada e fogo de sei lá quem (ou de alguém que leve esse tipo de coisa à sério, e não como o que é: ficção)? Ou talvez estejamos falando da turma 'true', incapaz de enxergar (e ouvir) um palmo na frente de seus narizes sujos e certos de que existe uma 'verdade' ou um modelo idiota de 'integridade artística' que deve ser encarado como regra?

Sinceramente, não sei. Prefiro pensar no tal do 'Metal' que me tomou de assalto no inicio de minha adolescência. Prefiro o misto de grande sacada musical e estética de um Iron Maiden. Ou mesmo a maestria dos riffs de um Tony Iommi e seus companheiros de Black Sabbath (foto). Faz mais sentido pra mim ver em nomes como esses aí a relevância artística de determinada vertente musical. E sem traumas na hora reverenciar nomes clássicos, como os 'culpados' pela coisa toda. A saber: Deep Purple, Led Zepellin, Hendrix, Thin Lizzy, Motörhead (sou fã de todos esses)... Ou ainda: Me soa muito mais bacana lembrar de nomes que em meados dos anos noventa, inspirados no próprio Iron Maiden, Helloween (ok, tinha um pouquinho de Rush, Dream Theater.. e muita ficção também) e outros, revitalizaram o próprio cenário com o tal do Heavy Metal Melódico. Stratovarius, Sonata Arctica (excelente banda, ótimas letras!!!!), Hammerfall e seus contemporâneos reuniam aspectos básicos do estilo, somados a uma boa dose de um virtuosismo, digamos, saudável.

Foi mal, mas dispenso a coisa dos unicórnios. Me soa muito mais real e sincero sentir a pressão de uma boa banda tocando ao vivo, no palco. Com o volume no máximo, como se o mundo fosse acabar! E no final das contas o que temos são pessoas normais. Tão fãs de determinado estilo ou vertente musical como Eu e você, caro leitor. Foi algo assim, por exemplo, que senti no show de reunião do Viper há uns meses atras no Teatro Rival, no Centro do Rio. Um sentimento bem parecido com o que me arrepiou nas vezes em que presenciei verdadeiros massacres em cima do palco. Com o Stratovarius no ginásio do América FC na Tijuca foi assim! Foi assim com o Helloween e todas as vezes com o Sepultura e, claro, com o Maiden!

Indo mais longe, e saindo da minha zona de conforto já que não domino o assunto: As bandas norueguesas da primeira geração do Black Metal me soam assim. Independente do que tenha sido feito com o estilo a partir daí e de todas as distorções e mal entendidos que transformaram uma cena, até certo ponto genuína, num amontoado de idiotas sem a menor noção de realidade. Os fãs do estilo que se deram ao trabalho de assistir o (ótimo) documentário Until the Light Take Us sabem do que estou falando. Repito: independente do que aconteceu e do que muitos entenderam de toda aquela história, a gênese da coisa soa extremamente verdadeira, sincera, natural.

Seja como for, não é minha intenção pisar num terreno que não domino, ou meter meu bedelho num cenário que não frequento fazem muitos anos. São apenas impressões de alguém que, como qualquer fã de Metal, um dia na adolescência parou para tentar tirar aquele solo do Kirk Hammett, ou tentou fazer a cavalgada do Steve Harris no baixo. Ou pior: achou que podia tocar Dream Theater na bandinha com os amigos da escola! Alguém que foi a shows, vasculhou sebos atrás de raridades, devorou cada edição da Rock Brigade (incluindo as cartas do leitores..hehe), enfim. E se de alguma forma tudo isso aí em cima não faz mais sentido nenhum, seja lá por qual motivo, aí é a minha vez de dizer: 'Metal já deu'.

Rafael A.

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