segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Kiko Loureiro comenta seu novo álbum faixa a faixa!



Conforme anunciamos em nota aqui no FMZ, o super guitarrista brasileiro Kiko Loureiro  (foto) lançou recentemente seu mais novo trabalho! Sounds of Innocence chega com pinta de superprodução! As gravações rolaram entre Brasil, EUA, Alemanha e Finlândia. E no time das participações especiais nada mais nada menos que Doug Wimbish (baixo), DaLua (berimbau), Maria IIimoniemi (piano), Ricardo Padilha (percussão)! A produção ficou a cargo do próprio Kiko Loureiro. A mixagem, por conta de Dennis Ward e masterização por Jürgen Luski. A banda é formada por Kiko (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Virgil Donati (bateria). Sobre o álbum, Kiko declarou o seguinte: “Sounds Of Innocence, meu quarto álbum solo, é a minha voz interior, que constantemente me mostra sons, melodias, texturas e harmonias.” Sendo assim, vamos ao faixa a faixa de Sound of Innocence, nas palavras do próprio Kiko Loureiro:

Faixa 01: “Awakening Prelude” - O violão é meu principal instrumento quando componho e portanto é natural que “Awakening Prelude” seja a faixa de abertura do disco. Representa o meu dia a dia. Uma introdução calma com o violão para começar o dia. A melodia deste prelúdio antecipa o que irá acontecer na próxima música.

Faixa 02: “Gray Stone Gateway” - Durante o processo de composição de Sounds of Innocence eu estava na Finlândia. A paisagem, a natureza e o cenário da cidade têm sido uma experiência totalmente nova para mim. Uma característica que realmente me impressiona em Helsinque são os prédios de pedra sabão, muros e igrejas.

Busco a perfeita combinação de guitarras pesadas com a melodia sincopada que expressa a minha identidade como artista brasileiro. Isso está presente em todas as minhas composições e não seria diferente com essa. Minha paixão pela harmonia, acordes e progressões complexas vem da música brasileira e me leva ao jazz e fusion que também estão presentes aqui.

The Gray Stone Gateway” prende o ouvinte com uma complexa frase inicial. Essa música é muito direta, pesada, onde a melodia principal é totalmente baseada no ritmo latino. Os contrapontos com o riff pesado, a guitarra rápida com o fusion no interlúdio são o contraste do simples e o complexo; da experiência e inocência.

Faixa 03: “Conflicted” - Com a guitarra em mãos tudo que toco tem um pouco das bandas dos anos 80 e dos grandes guitarristas. Eles foram muito significativos na formação da minha identidade como guitarrista. E evidentemente me orgulho em deixar isso fluir de forma natural. A introdução cria uma expectativa sobre o que está por vir. A atitude e a energia são extremamente intensas nessa música, contendo riffs rápidos assim como a bateria, os compassos e grooves. O conflito e o contraditório são musicalmente representados com a calma do interlúdio e a guitarra limpa que antecipa o som pesado que vem em seguida.

Faixa 04: “Reflective” - Uma música calma, contemplativa e reflexiva para tocar. Harmonias simples, melodias inocentes e intervalos. Enquanto estava compondo e tocando essa música, me senti em outra dimensão, experimentando uma queda livre, como se não tivesse gravidade. Quase uma perda de consciência de espaço e tempo, e simultaneamente tendo o senso de fazer parte de algo imenso e universal.

Faixa 05: “El Guajiro” - El Guajiro representa o camponês, homem do interior, uma expressão cubana para descrever as pessoas nativas do Caribe. Desde o álbum Universo Inverso, meu interesse pela música cubana vem crescendo muito. Eles têm um histórico musical muito parecido com o do Brasil, mas o resultado é surpreendentemente diferente. Em “El Guajiro” me deixo envolver totalmente pelo ritmo latino sem que o Heavy Metal me oprima. A percussão, claves e congas são fundamentais no arranjo, o que não é comum na música pesada. Normalmente, a música representa a tensão e liberação pela harmonia e melodia. Os padrões rítmicos também. As melodias sincopadas criam o momento de antecipação e tensão assim como a liberação. No decorrer da música inteira, o foco principal é o groove e os padrões rítmicos.

Faixa 06: “Ray of Life” - “Ray of Life” é uma música muito introspectiva onde a melodia em escala maior e o ritmo constante me estimulam de forma indescritível. Com um toque melancólico e melodias ingênuas, ela me faz olhar para o lado iluminado da vida. Ao compor essa música, eu me vi seguindo três regras para uma boa escrita. Espontaneidade, a rápida colocação de uma ideia em forma escrita; fluidez, escrever ininterruptamente; e ser aberto, sem preconceitos, mantendo a qualidade sem saber o final. Passo para a escala menor no intervalo e junto com o ritmo brasileiro "samba de partido alto", a música entra em um momento melancólico. Na parte final, o término do solo representa a volta da sensação de felicidade e esclarecimento.

Faixa 07: “The Hymn” - Essa música é muito diferente de todas as outras que compus. Nunca fui um grande fã de grunge, mas sempre me interessei pelas harmonias despretensiosas. A introdução e o refrão seguem a concepção de estar solto, melancólico, orgânico e rude. Para equilibrar, o restante da música é muito agitado e preciso. Seria como o digital contra o analógico ou a música eletrônica contrabalançando com o Rock.

Faixa 08: “Mãe D'Água” - Mãe D'Água simboliza a sereia do Rio Amazonas. Os nativos a chamam de Iara e de acordo com a lenda, ela canta uma música irresistível que atrai os homens para o rio e os cegam caso eles olham diretamente para ela. A melodia dessa música ficou na minha cabeça por dias e explica a minha escolha pelo título. Apesar do fato da lenda de Iara vir da Amazônia, os elementos da música são variados. O início é com o berimbau, um instrumento característico do Brasil. A guitarra repete as notas e o mesmo toque, como o ritmo original africano "Ijexá". Toda a percussão, inclusive o berimbau do início, criam a atmosfera da música até que ela alcance a melodia principal. Mantive minha parte mínima, sem exceder muitas notas - mesmo nas partes onde têm muitas, não fiz solos. Esses intervalos criam a imagem do rio Amazonas com a sereia Iara e no outro lado o berimbau brasileiro e as raízes africanas.

Faixa 09: “Twisted Horizon” - Essa foi a primeira música que fiz para esse álbum. Compus durante o período inicial da minha vida na Finlândia, quando me dei conta de que estava do outro lado do mundo. Não só o horizonte estava invertido, mas tudo à minha volta era muito novo. A melodia dessa música é muito positiva e forte, vislumbrando um bonito futuro. Ao mesmo tempo, sob a melodia principal, o baixo e a bateria criam um ritmo complexo representando uma certa instabilidade interior. Quando entra o refrão, tudo volta à estabilidade e positividade completa. Melodicamente essa é a faixa mais positiva do disco. A parte melancólica, à la Piazolla, reflete este lado emotivo das pessoas latinas e finlandesas.

Faixa 10: “A Perfect Rhyme” - O disco estava pronto, todas as demos finalizadas, mas eu sabia que seria muito importante compor uma música que representasse o nascimento da minha filha e a realização de ter uma família. Sentei no piano com essa ideia em mente e a música me veio por completo. Eu a mantive exatamente como foi criada mesmo podendo usá-la como uma introdução para uma música mais pesada ou então para uma linda balada. Mas se eu fizesse isso, mudaria a proposta inicial da música. Em “A Perfect Rhyme” a guitarra e o piano são acompanhados por um bonito arranjo orquestral para fechar o álbum. Está finalizado.


Confira Kiko Loureiro e sua banda executando faixas de Sounds of Ïnnocence:

Mais sobre Kiko Loureiro no link.

por: Rafael A.
agradecimentos: Sérgio Dias (Assessoria de Imprensa Fúria Music Produções)

Nenhum comentário:

Leia também: