segunda-feira, 6 de maio de 2013

Lobão



Lobão ataca novamente”... Quantas vezes este título serviu de introdução para falar do Velho Lobo do Rock nacional? Em entrevista por conta do lançamento de seu segundo livro, Lobão atirou pra tudo quanto foi lado! Mano Brown e Racionais Mc`s (apontado como 'o braço armado do PT'), Roberto Carlos, o povo da Bossa Nova (como de costume), seus colegas de anos 80 Barão e Paralamas e até a presidente Dilma! Sobrou pra todo mundo! Ok, Lobão nunca foi muito diferente disto. Sempre soltou o verbo, sem cerimônia. Só que dessa vez o Velho Lobo veio com tudo! Foi fundo. Falou de Comissão da Verdade, PT (impossível não lembrar do mesmo em plenas eleições no Faustão de broche e tudo..rsrsrsrs), leis de incentivo à cultura e por aí vai. Acusou, atacou... Ok, é o Lobão de sempre, né? ...Será?

Explicando: o segundo livro do compositor, Manifesto do Nada na Terra do Nunca, trata justamente disto. As impressões sempre polêmicas de Lobão a respeito do cenário cultural, político e artístico nacional. Lobão volta à Semana de Arte de 22 para formular argumentos e explicar/justificar, sob sua ótica, o panorama atual. É bem verdade que boa parte dos alvos de Lobão em seu novo livro são velhos conhecidos de quem acompanha entrevistas e depoimentos do cara. Digitar 'Lobão' no Youtube, por exemplo, é ter acesso a um cardápio generoso de momentos interessantíssimos, um verdadeiro turbilhão de histórias, opiniões contundente, críticas e ataques aos anos 80, Tropicália, Bossa Nova, juventude, música Pop e por aí vai. Boa parte desse material, inclusive, pode render momentos engraçadíssimos, como a participação do músico no programa Café Literário: Impagável!

Porém, no lançamento de seu novo livro Lobão soa diferente. Ao menos para este que vos escreve, ficaram no ar algumas indagações: As declarações de Lobão seriam tão somente uma tática para chamar atenção para seu livro recém lançado? Ou o Velho Lobo estaria pegando mais pesado que de costume por qualquer outro motivo? Aspirações políticas? Venhamos e convenhamos as declarações sobre o PT dão a entender exatamente isso. Ao menos foi a impressão que passou.

Este que vos escreve é fã do Lobão. Não só do músico, mas da figura do cara. É fundamental que hajam personalidades com a abertura que ele tem em veículos de comunicação dispostas a fugir do óbvio, do discurso morno, comum, covarde. É válido quando alguém, seja lá com quais intenções, venha a público dizer que Gil, Caetano e outros do mesmo naipe são figuras nocivas para a cultura brasileira. De fato, há muitos que pensam exatamente dessa forma. Difícil é esse tipo de opinião ganhar eco na mídia de massa. E isso o Velho Lobo consegue, certo? Tudo bem que o mesmo dá brechas para questionamentos como os do parágrafo acima. E em algumas ocasiões cai no bom e velho 'tiro no próprio pé'. Principalmente quando se refere à 'sua' turma dos 80! Mas ainda assim o cara tem seu papel e sua importância.

Em sua carreira musical Lobão teve momentos inspirados, passado todo o sucesso dos anos oitenta, sim. Nostalgia de Modernidade, de 1995 é um bom disco. O primeiro lançamento por seu selo Universo Paralelo também. Aliás, toda a polêmica criada por ele próprio ao anunciar sua ruptura com as majors e sua incursão no mercado independente acabou tirando as atenções para o belo trabalho que é “A vida é Doce”. Anos depois, sua volta ao universo das grandes gravadoras para lançar seu Acústico MTV gerou polêmicas e acusações que, mais uma vez, tiraram o foco de um belíssimo trabalho.

E assim segue Lobão. Atirando pra tudo quanto é lado sabe-se lá porque. É bem provável que sua postura não seja mais que uma forma de chamar a atenção para seus projetos. Ou não (…). Tudo isso pode ser fruto de uma personalidade forte, um grito de alguém que se sente isolado no cenário artístico/musical/cultural nacional há pelo menos trinta anos. Se há a intenção de se lançar numa carreira política, só o tempo dirá. Seja como for: “Vida Bandida”, “Essa Noite Não”, “Me Chama”, “A vida é Doce”, “Uma Delicada Forma de Calor” e (na opinião deste que vos escreve) a mais bela obra prima do cara, a maravilhosa, “A Queda” garantem a Lobão posto de destaque na história da música brasileira. Aliás, a mesma música brasileira que o próprio insiste em apedrejar!

Rafael A.


Confira um trecho da participação de Lobão no Programa Café Filosófico:
Assista as outras partes, vale a pena!


foto: Danilo Verpa / FolhaPress

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