segunda-feira, 10 de junho de 2013

Aspectos (I)Relevantes do Universo Pop... pt.2



Como já disse aqui, não sou lá um grande entusiasta do universo Pop. Vez ou outra dou uma bisbilhotada no que anda acontecendo por lá só pra não ficar com aquela sensação de estar completamento alheio ao que a humanidade (ou boa parte dela) entende por entretenimento. Sem contar que há uma parcela generosa do mainstream capaz de proporcionar boas risadas! E tem sido assim nos últimos dias. Tudo culpa da “bomba” referente à “suspeita” de fraude no número de acessos a vídeos de "estrelas" da música Pop nacional no Youtube.

O esquema denunciado pelo colunista Leo Dias, do jornal carioca O Dia apresentava aos leitores uma figura de nome Magalhães, conhecido no meio musical e chamando para si a responsabilidade pelo êxito no Youtube de vídeos de nomes como Luan Santana (foto - esse eu conheço, é o do meteoro de sei lá das quantas...), Gusttavo Lima (quem seria esse???) e outros do mesmo naipe. O cara vendia uma espécie de 'pacote de views', através de um sistema que burlava dispositivos de contagem de acessos em sites. O mesmo afirmava ser capaz de 'ganhar' prêmios em categorias como Escolha da Audiência (decididas por voto popular, óbvio - ele se referiu ao Prêmio Multishow) com qualquer artista!

Claro, não demorou muito para assessores, produtores, empresários de toda sorte de profissionais envolvidos com o meio musical saírem em defesa de seus contratados! Não faltaram frases do tipo “o sucessos de meu artista é real, é assinado junto com o público”, “nunca nos propuseram isso” ou até “já nos ofereceram serviços assim, mas recusamos”! Aliás, todos esses depoimentos estão em artigo publicado hoje no site do jornal (confira). Obviamente, não se esperaria postura diferente, certo? Quem iria admitir conhecer o tal sujeito? E assumir que já fez uso do 'serviço' alguma vez? Não que alguém que se disponha a prestar esse tipo de serviço seja lá digno de muita confiança. Mas, venhamos e convenhamos, o mainstream também não inspira lá boa coisa, por assim dizer...

Ok, imagino que alguém que se preste a participar de votações envolvendo nomes do mainstream, ou seja fã de algum dos artistas citados pelo tal Magalhães na matéria d`O Dia se sinta mal com a possibilidade daqueles milhões de acessos, que indicam alto índice de aceitação popular de determinado trabalho (o que, creio eu, seja motivo de orgulho para os fãs), serem obtidos através de uma fraude. Mas cabeça de fã... sabe como é, né? De qualquer forma, minha questão é a seguinte: O que há de espantoso nisso??? Não é de se supor que, assim como o há o jabá nas rádios e TVs, as mídias digitais não fossem capazes de absorver hábitos comuns ao meio musical/empresarial? Ninguém nunca suspeitou do fato de determinados artistas já aparecerem para o grande público com milhões de acessos em seus vídeos, DVDs hiper produzidos, fã clubes e tudo o mais??? Rola investimento, certo? E quem investe não quer perder, correto? Sendo assim, não espanta que se lance mão de todo tipo de artifício para ver seu 'negócio' rendendo!

Qualquer criatura minimamente interessada no meio musical sabe que, sim, no universo Pop o talento é perfeitamente dispensável. Fabrica-se um 'ídolo' com a facilidade de um peido. É negócio, industria, gera lucro, muito lucro... E tempo é dinheiro! Rapidamente começaram a pipocar entrevistas, tweets e notas de repúdio nos sites e páginas das personalidades em questão. Já viu, né? Sempre a mesma baboseira: “meu público sabe quem eu sou!”, “comecei minha carreira ainda na infância, não preciso disso”, “respeito meus fãs” e blá blá blá.... O grande público não percebe. Uma parcela considerável dele, inclusive, é burra, tapada, incapaz de questionar ou analisar o que lhe é oferecido via rádio, TV, revista, jornal... Sendo assim, em muito pouco tempo arranja-se outro assunto, sertanejo, universitário ou coias que o valha. O público? Simplesmente aceita, compra a ideia e, meses depois, esquece.

Mas e o Magalhães? Existe mesmo? É de verdade? Inventou isso tudo pra pôr lenha na fogueira, tumultuar? Ao que parece, não. Até porque o jornalista responsável pela tal matéria afirmar ter feito contato com o figura se fazendo passar por empresário de um novo artista, mulher fruta, BBB, dupla de sertanejo universitário ou atrocidade semelhante... Logo, é pouco provável que o tal Magalhães esteja oferecendo um produto que não exista. No final das contas, o tempo vai passar e o maior interessado na questão (o fã) vai virar a página e adotar a próxima aberração do mercado. Como se nada tivesse acontecido...

E cuidado, hein? Algumas 'fraudes' estão mais perto do que se imagina...

Rafael A.


Underground e mainstram agem igual, pra mim. Caminhos diferentes que levam pro mesmo fim.” (B.Negão)

foto: divulgação

Nenhum comentário:

Leia também: