quinta-feira, 22 de junho de 2017

Nirvana :: Expo da banda chega hoje ao Rio


por: Rafael A.

Começa hoje, e vai até o dia 22 de agosto, no Museu Nacional a exposição "Nirvana: Taking Punk To The Masses". É a primeira vez que a expo dedicada ao expoente do Grunge Rock deixa o Museum of Pop Culture, em Seattle.

São mais de duzentos itens expostos. Fotos, manuscritos, instrumentos e objetos pessoais de Kurt Cobain e seus companheiros de Nirvana! A visitação acontece de terça a sexta-feira das 10h às 17h30. Aos sábados, domingo e feriados o horário é das 13h às 17h.

O Museu Nacional fica na Praça Marechal Âncora, s/n, Centro, Rio de Janeiro/RJ. Informações

foto: divulgação

terça-feira, 13 de junho de 2017

Resenha (atrasada) :: Ódio Social

Ódio Social
Jovens Mortos... Não Fazem e Não Contam Histórias (CD / Red Star Records)

por: Rafael Almeida

Esse povo é contato deste fanzine desde os saudosos tempos de correspondência! Sendo assim, é com grande alegria que registramos esse momento da história desses caras... Banda da Zona Norte de São Paulo/SP, o Ódio Social começou suas atividades no ano de 2000. A banda conta com uma discografia recheada de lançamentos, que vão do K7 ao vinil! Às vésperas da primeira tour pela Europa, os caras lançam o excelente “Jovens Mortos... Não Fazem e Não Contam Histórias”! Desde a faixa título, passando por “Me Dá Um Cigarro”, “Não Passarão!” e “Napalm Neles”, que fecha o álbum, é uma pedrada atrás da outra! Punk/HC pesadíssimo! Paulada da melhor qualidade com participações de gente do naipe de Fabião (Olho Seco), Jeferson (Agrotóxico) e outros! Recomendadíssimo!


Mais sobre o artista aqui (é provável que hajam “novidades”... confere lá!)


Resenha que seria publicada na edição #20 do FMZ impresso. Por que decidimos publicar somente agora? Entenda aqui.

E fique ligado em Resenhas pra mais novidades (ok, algumas nem tao novas assim...)!

terça-feira, 6 de junho de 2017

Resenha (atrasada) :: O Satânico Dr.Mao & Os Espiões Secretos

O Satânico Dr.Mao & Os Espiões Secretos
Contra Os Coxinhas Renegados Inimigos do Povo (CD / Independente)

por: Rafael Almeida

Sr. Mao ataca novamente! Desta vez, devidamente acompanhado d`Os Espiões Secretos! “Contra Os Coxinhas Renegados ...” consegue ser bom do início ao fim... De cara, o encarte já é uma verdadeira aula de história! “Repressão Policial” remete as manifestações de junho de 2013, “SAM Song”, de Gerry O`Glacain, é IRA! “Avante Camarada” fala da luta do Partido Comunista Português contra o fascismo de Salazar e é dedicada “aos heróis das duas margens do atlântico” (referência à luta contra a ditadura em Portugal e no Brasil)! O álbum conta com participação de João Gordo (RDP) na música “Hospícios”, da lendária banda Punk paulista Excomungados e de integrantes da mesma em backing vocals de outras quatro faixas! Punk Rock e Ska de altíssimo nível e protesto transbordando de tiradas geniais (como é de costume do Mao, ?)!


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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Trilhas & Afins :: Trilha Parque Laje X Corcovado


por: Rafael A.

Mais uma do Parque Nacional da Tijuca! A Trilha Parque Laje X Corcovado, apesar de cansativa, é bonita do início ao fim! Dá pra subir em pouco mais de uma hora. Um ou outro trecho mais ingrime e o trecho conhecido como “corrente” (com alças e corrente de ferro fincados na pedra para auxiliar a subida) são as partes mais difíceis. Após cruzar com os trilhos do bondinho, resta só mais uma caminhada de poucos minutos para se concluir o trajeto. Chegando lá em cima, dá pra desembolsar uma grana e visitar o Cristo (não se tem boa vista dele pela trilha), mas a graça mesmo está no trajeto desde o Parque Laje, definitivamente!

Serviço:
Trilha Parque Laje X Corcovado (Parque Nacional da Tijuca) :: Rua Jardim Botânico, 414, Jardim Botânico, Rio de Janeiro/RJ / Informações

foto: Rafael A.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Resenha (atrasada) :: Não Conformismo

Não Conformismo
Autoflagelo da Humanidade (Vinil 7” / Atitude Consciente Records./Microfonia)

por: Rafael Almeida

Fãs de Punk Rock, Hardcore e vinil: o assunto aqui é com vocês! Lançamento do mais alto nível deste nome clássico do underground Fluminense! “Autoflagelo da Humanidade” é de fazer cair o queixo! Vinil 7” colorido, capa lindona, arte incrível e o som... Bom, quanto ao som, é o seguinte: Hardcore rápido, direto, certeiro! Uma pancadaria só que deixa a gente com vontade de trocar o lado do vinil infinitas vezes e ouvir de novo... e de novo! A faixa título, “Raiva Demais”, “Sua Existência”, “Cena de Merda” (bela letra...), enfim. É pra gastar a agulha da vitrola mesmo, ok? Altamente recomendado!


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domingo, 28 de maio de 2017

Xharles :: Compositor lança novo clipe


por: Rafael A.

O gonçalense Xharles (foto) lançou recentemente o clipe de seu novo single, "A Gente se Vê Por Aí". Produzido pela galera do Rua 13 Studio, o vídeo apresenta a canção de autoria do próprio Xharles e produzida por ele ao lado de Bruno Marcus e Gilbert T, no estúdio Tomba Records, em Niterói/RJ. O compositor se lançou em carreira solo em 2010, após o encerramento das atividades de sua banda Incrível Mart. Assista logo abaixo o clipe de "A Gente se Vê Por Aí". e confira no link a entrevista que o FMZ fez com Xharles.


Assista "A Gente se Vê Por Aí":


foto: Latitude Zero Prod.

sábado, 27 de maio de 2017

Zumbi do Mato :: Banda carioca ganha documentário


por: Rafael A.

Saiu Quem é Mais Idiota do Que Eu? - Zumbi do Mato: 24 Anos de Rock Regressivo, o documentário que conta a trajetória da banda carioca Zumbi do Mato (foto)! Um dos nomes mais incríveis do Rock carioca dos anos noventa tem sua história contada em documentário de Vitor Rocha. Uma viagem e tanto por entre nomes e lugares que fizeram parte do underground do Rio de Janeiro de vinte anos atrás. Tudo ao som do Rock Regressivo do Zumbi do Mato! Vale muito a pena conferir!

Assista Quem é Mais Idiota do Que Eu?:


foto: divulgação

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Van Torres & Rafael A. :: Dupla volta ao Boemia Gonçalense


por: Latitude Zero Prod.

A dupla Van Torres & Rafael Almeida (foto) volta a se apresentar no Boemia Gonçalense, no Centro de São Gonçalo. No repertório do show, clássicos do Rock Nacional e Internacional, em versões acústicas. Clássicos de Led Zeppelin, Joan Jett, The Cure, Raul Seixas, Titãs e muitos outros tomam conta do espaço cultural e gastronômico, localizado bem no Centro da Cidade!



Serviço:
16 de junho :: sexta-feira :: 20h
Boemia Gonçalense Apresenta
Show: VAN TORRES & RAFAEL ALMEIDA
Local: Boemia Gonçalense (Shopping Corcovado)
End.: Rua Carlos Gianelli, 211, Quiosque 01, Centro, São Gonçalo/RJ
Couvert: R$5 / Informações

foto: divulgação

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Test Drive de Buteco :: Bar do Fernando


por: Rafael A.

Nosso Test Drive de Buteco voltou ao bairro do Mutuá, em São Gonçalo! Lugar altamente recomendado pra quem quer tomar uma cerveja gastando pouco (bem pouco)! Dessa vez ancoramos no Bar do Fernando! As cervejas populares de sempre (preços na média), e opções mais em conta pra quem não tem maiores frescuras. Por cerca de R$10 você ainda pode conferir um tira gosto feito na hora (e da melhor qualidade)! Como esse Aipim Frito com Linguiça aí da foto! E às sextas rola encontro de músicos com direito a Samba e Seresta pra ninguém botar defeito, ok?

Serviço:
Bar do Fernando :: Av.Dezoito do Forte, 1272, Mutuá, São Gonçalo/RJ


foto: Rafael A.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Resenha (atrasada) :: Milhouse


Milhouse
Teocídio (CD / Independente)

por: Rafael Almeida

É reconfortante saber que ainda podemos circular pelo underground e, vez ou outra, dar de cara com uma preciosidade deste naipe! A banda Milhouse participou de uma das edições de nosso Rock na Garagem e, além de um show espetacular no Metallica Pub, deixaram pra nós esse “Teocídio” (material do mais alto nível, tudo “profiça” e independente)! E que discasso!!! Criatividade transbordando pra tudo quanto é lado! Riffs pesados, arranjos lindamente construídos e efeitos de um bom gosto a toda prova! É como se o Rock Alternativo feito nos 90`s ganhasse uma cara moderna, atual, se fundindo com outras influências mais pesadas e recentes! A Milhouse se sai bem tanto nas canções com (ótimas) letras quanto nos temas instrumentais! E ótimo saber que ainda surgem bandas assim no Rio de Janeiro! Ouça!


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terça-feira, 16 de maio de 2017

Resenha (atrasada) :: Join The Dance

Join The Dance
Time (CD / Independente)

por: Rafael Almeida

Novo lançamento do pessoal da banda gonçalense Join The Dance! Apesar do pouco tempo de estrada, essa galera já conta com uma série de shows em diversos cantos do RJ e em outros Estados no currículo. Este EP “Time” é o segundo lançamento da banda formada por: La Veggie (voz), Vitor Cunha (baixo), Matheus Santana (guitarra) e Bruno Rodrigues (bateria). Hardcore Melódico com direito a vocal feminino e riffs bem bacanas! “Dancing Glass”, meu destaque do EP conta, inclusive, com participação de Boka Maldonado, da também gonçalense SIC, nos vocais!


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terça-feira, 9 de maio de 2017

Resenha (atrasada) :: Claustrophobia

Sobre Las Ruinas de La Civilizacion (CD / Desahogo, La resistencia Distro., Nomada, Quien Calla Ortoga DIY Recs., Mentes Kaoticas, Recicla Y Resiste)

por: Rafael Almeida

Lançamento de 2013 da banda Argentina de Crust-Stench Claustrophobia, fruto da união de uma penca de selos e distros. (como dá pra notar aí em cima, né?)! O som? Uma pancadaria desgracenta sem fim (no melhor dos sentidos, claro)! Hardcore Punk aceleradíssimo com direito a riffs de som extremo e passagens com climas à lá Pós-Punk. Características comuns ao estilo desde os idos dos 80`s que o Claustrophobia incorpora com maestria! Um belo trabalho que deve agradar aos apreciadores do estilo em cheio!


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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Artigo :: Ninguém Aqui Defende Bandido


por: Adriano Dias

Os direitos humanos são, em nosso país, como algo que atrapalha o combate ao crime? Estranho é que parece existir um movimento para manter uma concepção, no mínimo equivocada, para toda a sociedade. Talvez se trate de uma maneira de apequenar e colocar a discussão em questões pontuais, como da violência, em detrimento de uma universalidade de exigências que hoje compõem o cumprimento dos direitos humanos. Exigibilidades que, se respeitadas, mudariam toda a conjuntura da sociedade como a conhecemos hoje. Por exemplo, imaginem se todos os policiais do Rio de Janeiro exigissem seus direitos humanos a um salário digno e condições – equipamentos, treinamento, entre outros – adequados a sua segurança? Imaginem todos os professores, alunos e pai exigissem uma escola com direitos humanos?

Me assusta ver que “BolsoMinons”, principalmente jovens, repetindo como papagaios “bandido bom é bandido morto”; “esses defensores de bandido… quero ver quando for assaltado”, entre outros bordões prontos como “intervenção militar!”. Pedem isso mesmo com todos os conteúdos e discussões disponíveis em internet, com acesso a escolas melhores e sem as restrições da censura.

Os mais jovens podem perguntar aos mais velhos como era a Baixada Fluminense durante a ditadura? A soma de violência, mais poder, igual a controle territorial. Não por acaso os operadores das matanças a mando dos poderosos e militares, posteriormente se tornaram vereadores, deputados e prefeitos. Mas neste lugar onde só se via miséria e violência, tinha gente de coragem com alto valor moral e humanístico fazendo a resistência pacífica. Pessoas como o Bispo da Diocese de Nova Iguaçu Dom Adriano Hipólito, que por conta da defesa dos direitos humanos foi espancado e deixado nu pintado de vermelho pelas ruas. Mas quantos sumiram ou foram mortos, não sabemos, vivíamos uma ditadura e os pobres da Baixada, assim como das periferias sociais do Brasil, são os 'morríveis', sem direito à vida.

Nossa região tem um longo histórico de desrespeito aos direitos humanos, porém não exatamente na questão que se vem logo à cabeça quando se fala em Baixada Fluminense. Pouco é falado que a falta de infraestrutura - como de saneamento – que mata mais, ainda que de forma indireta, do que os perpetrados pelos grupos de extermínio. Então temos uma questão estrutural para resolver, não individual. Ou seja, a lex talionis, a pena de talião, a do “olho por olho, dente por dente” tem quatro mil anos - é a lei mais antiga da história da humanidade -, e até agora não acabou com os bandidos.

Não se percebe que os mesmos sustentadores desta visão dos “direitos humanos é para bandido”, também defendem que a pobreza - e não as desigualdades sócio-estruturais – é o estopim para a violência. Não é por acaso que a legislação brasileira oferece “prisão especial” para quem tem curso superior. Não por acaso os mesmos que defendem “que bandido bom, é bandido morto”, são a favor do fórum privilegiado, para si e seus amigos. Estes sim defendem bandidos!

Estes são certamente um dos motivos pelos quais as pessoas são levadas ao entendimento que no Brasil, direitos humanos são na verdade um luxo para poucos.


foto: Adriano Dias


Adriano Dias é fundador da ONG ComCausa - Cultura de Direitos, ex subsecretário municipal de Prevenção da Violência de Nova Iguaçu.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Resenha (atrasada) :: Cidadão Blindado

Cidadão Blindado
Fora da Circunferência (CD / Astronauta Discos)

por: Rafael Almeida

Este é mais um dos materiais que recebemos da Astronauta Discos, aos quais me referi na resenha do André Barroso (aqui). Sendo assim, vamos à mais uma resenha que já deveríamos ter publicado faz tempo... E assim como o CD do niteroiense André Barros, o material que temos aqui é de altíssimo nível! Produção acertadíssima e composições inspiradas! Arranjos que remetem aos saudosos anos noventa e uma mistura encantadora de Rock, Hip Hop e música Pop! Tudo isso com direito a rimas afiadas e levadas “funkeadas” se encontram com refrões do tipo que grudam na cabeça! “Deus e o Diabo”, “Anzol”, “Teleinfecção” e “Cleytoniando” são alguns dos bons momentos do CD do Cidadão Blindado! Mesmo atrasada, vale a dica: corre atras aí!


Mais sobre o artista aqui (é provável que hajam “novidades”... confere lá!)


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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Trilhas & Afins :: Pedra Bonita


por: Rafael A.

Trilha bem bacana na Zona Sul do Rio, a subida que dá acesso à Pedra Bonita é ingrime, porém de nível de dificuldade bem baixo. O início da trilha é na Estrada da Pedra Bonita, e até lá já rola um bom trecho de subida a pé. A Trilha da Pedra Bonita é mais uma entre tantas trilhas e cachoeiras que compõem o Parque Nacional da Tijuca. Lá do alto, o esforço da subida é recompensado: de um lado, a Zona Sul Carioca, do outro a praia da Barra! Um dos pontos mais altos do Rio de Janeiro, que vale muito a pena conhecer! Ah, sim! Pertinho da entrada da trilha, fica a Rampa Pedra Bonita, vale muito visitar também e, pros corajosos (não é o caso deste que vos escreve), encarar um passeio de asa delta!

Serviço:
Pedra Bonita (Parque Nacional da Tijuca):: Estrada das Canoas, s/n, Rio de Janeiro/RJ / Informações

foto: Rafael A.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Agenda :: Van Torres & Rafael Almeida no Palco Salvatori


Logo mais tem noite de Rock em versões acústicas no Centro de São Gonçalo! Van Torres & Rafael Almeida (foto) fazem mais uma noite de ensaio aberto com sons para os mais variados gostos! Vai rolar The Cure, Cramberries, Led Zeppelin, BRock 80 e muito mais! Não perca!

Serviço:

27 de abril :: quinta-feira :: 20:00h

Palco Salvatori

Ensaio aberto:
VAN TORRES & RAFAEL ALMEIDA

Local: Palco Salvatori
End.: Rua Salvatori, 15, loja 6, Centro, São Gonçalo/RJ
ENTRADA FRANCA / informações

foto: divulgação

terça-feira, 25 de abril de 2017

Resenha (atrasada) :: Asesinato em Masa

Asesinato em Masa
1992-2013 (CD / La Resistencia Distro.)

por: Rafael Almeida

Não novidade pra ninguém que acompanha o FMZ nossa afeição por música latina, certo? Pois então, eis que chega até nós essa compilação da banda argentina Asesinato em Masa, contendo materiais da banda lançados entre 1992 (capa ao lado) e 2013! E que banda boa!! Pauladas como “Ambicion”, “Parte de Tu Hipocresia”, “La Tierra” e “Es Tiempo de Seguir”, entre outras, mostram momentos dos mais inspirados na história da Asesinato em Masa!


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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Artigo :: A Cultura que Vem da Baixada


por: Adriano Dias

A Baixada teve sua cultura formada com a composição de todas as pessoas que para esta região vieram, começando no período colonial, que trouxeram a mão de obra - e consequentemente a cultura – dos africanos. Chegando a leva migratória após o período agrícola, no século passado, com gente vinda do nordeste e outros estados da Região Sudeste. Todos estes trazendo suas histórias, hábitos e tradições nas bagagens e corações.

Assim a força das suas raízes, a luta incessante pela sua sobrevivência, os desafios do território, foram elementos determinantes para que aqui se formasse uma cultura de valor extraordinário, que encontrou nas suas puras manifestações os meios para externar seu pensamento, apesar de todos os obstáculos e percalços. Acredito que, na verdade, na região da Baixada se constitui um dos caldos culturais mais variados e expressivos do país.

Intimamente ligada à Metrópole do Rio, a região até hoje ainda sofre constantes preconceitos. Entretanto, pelas tradições que herdou dos seus antepassados e da religiosidade que marcou sua formação - associada à renovação dos movimentos legítimos da juventude - hoje a Baixada congrega uma forte identidade cultural, mesmo na imensidão das suas expressões.

Mesmo sendo constantemente estigmatizada pela violência, e tendo a sua visibilidade priorizada nas tragédias, acredito que a Baixada Fluminense ainda é a retaguarda estratégica para desconstruir a cultura de violência no estado do Rio de Janeiro. Ainda podemos entrar com a política cultural - entre outras importantes para a construção de uma segurança pública eficiente -, antes dos tanques de guerra e blindados das policias. Aliás, exatamente as “pacificações” dos territórios estão falidas por não terem na sequência da invasão bélica, o fortalecimento prioritário das também vastas expressões culturais das periferias sociais do Rio de Janeiro.

Por fim, é tornando o indivíduo capaz de encontrar o olhar do outro atento e reverente na sua criação artística que faculta o reconhecendo de seu mérito, de sua criatividade e iniciativa. Assim, teremos a visibilidade tão ansiada pelas pessoas, principalmente os mais jovens através da produção e do consumo de cultura que propicia esta troca. Então, a proposta é chegar ao fundo desta sociedade perdida no ócio que leva a busca da visibilidade pelo consumismo ou violência, com a oportunidade dos instrumentos para a criação e celebração cultural. Isto não é tão difícil e não custa tão caro, nem em dinheiro, nem em vidas.

Quem produz cultura na Baixada foi forjado na luta de quem enfrenta com altivez os desafios da sobrevivência do cotidiano. Aqui é a terra na qual a cultura é expressão legítima e permanentemente da convocação à vida.


Adriano Dias é fundador da ONG ComCausa - Cultura de Direitos, ex subsecretário municipal de Prevenção da Violência de Nova Iguaçu.

domingo, 23 de abril de 2017

Van Torres & Rafael Almeda :: Dupla com novidades no Youtube


por: Latitude Zero Prod.

Tem novidade no ar no canal do músico Rafael Almeda, no Youtube! Já estão disponíveis dois trechos da última apresentação da dupla formada por Rafael e Van Torres, em ensaio aberto, no Palco Salvatori, no Centro de São Gonçalo/RJ. Uma delas (abaixo) é a versão de Van Torres & Rafael Almeida (foto) para “In Between Days”, da banda The Cure! Confira e fique ligado aqui no FMZ e na página de Rafael Almeida no Facebook para saber mas sobre a dupla e ficar por dentro da agenda show dos dois!


foto: divulgação

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sarau Solidões Coletivas :: Evento comemora cinco anos amanhã!!


por: Rafael A.

Galera do Sul Fluminense, tem festa rolando pra essas bandas! Amanhã é dia de celebrar os cinco anos de um dos eventos mais bacanas do Estado do Rio! O Sarau Solidões Coletivas, do amigo, poeta e parceiro Carlos Brunno ( foto - confira entrevista com o cara aqui), convida a todos para comparecer ao evento de cinco anos do projeto! Este que vos escreve teve o prazer de se apresentar no Sarau e...vale a pena, hein?! A festa, com direito a coquetel comunitário (cada um leva o que quiser/puder), rola a partir das 19:30h na Comuna da Quinta das Bicas (a saber: o quintal da casa do Gilson), que fica na Rua Edson Glesta, 50, casa 02, Biquinha, Valença/RJ (próximo ao Mercadinho Francisquinha). Mais sobre o evento no link.

foto: Fera Moderna Zine

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Agenda :: Van Torres & Rafael Almeida no Boemia Gonçalense


por: Latitude Zero Prod.

Logo mais tem Encontro Muscal, no Boemia Gonçalense! O espaço cultural e gastronômico abre suas portas pra mas uma edição do evento que, uma vez por mês, reúne músicos da cidade em apresentações gratuitas! Van Torres & Rafael Almeida (foto) se juntam ao anfitrião Leandro Ribeiro e diversos outros convidados pra uma noite eclética, que vai da MPB ao Rock!

Serviço:

19 de abril :: quarta-feira :: 20h

Encontro Musical

Shows:
VAN TORRES & RAFAEL ALMEIDA
LEANDRO RIBEIRO
+ convidados

Local: Boemia Gonçalense (Shopping Corcovado)
End.: Rua Carlos Gianelli, 211, Quiosque 01, Centro, São Gonçalo/RJ
ENTRADA FRANCA / Informações

foto: divulgação

terça-feira, 18 de abril de 2017

Resenha (atrasada) :: André Barroso & Banda

André Barroso & Banda
(CD / Astronauta Discos)

por: Rafael Almeida

Faz um tempo recebemos uma penca de materiais do selo niteroiense Astronauta Discos. Algumas resenhas saíram aqui, e na versão online do FMZ. E eis que, revirando os arquivos, descobrimos que dois álbuns acabaram ficando pra trás... Um deles é este André Barroso & Banda. Antes de qualquer coisa: belíssimo trabalho! Arranjos muitíssimos bem cuidados e produção acertadíssima fazem deste álbum um item altamente recomendado pra coleção de qualquer fã de Rock e música Pop. Pitadas generosas de Rock Clássico, solos de guitarra inspirados e canções com potencial pra figurar em qualquer rádio comercial! Mais uma bola dentro da Astronauta Discos (só pra variar...)! Recomendamos!

Mais sobre o artista aqui (é provável que hajam “novidades”... confere lá!)


Resenha que seria publicada na edição #20 do FMZ impresso. Por que decidimos publicar somente agora? Entenda aqui.

E fique ligado em Resenhas pra mais novidades (ok, algumas nem tão novas assim...)!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Artigo :: O Direito de ter Direitos da Juventude da Baixada


por: Adriano Dias
As discriminações e preconceitos tristemente fazem parte do cotidiano da Baixada, uma campanha constante de estigmatizarão desta de nossa região. Nisso, se desenvolveu um processo de naturalização das violações diárias que foram assimiladas por uma grande parcela da população. Da violência simbólica na frase “tu mora mal”, até a aceitação da violência letal como uma cultura da Baixada Fluminense. Eventos jornalísticos, fatos referentes a qualquer tipo de violência se transformaram nos principais caminhos para rotular e estereotipar a Baixada Fluminense. Entretanto, destaco, que tudo isso não foi de uma hora para a outra, construídas através no decorrer da história, tem bases e moldes deterministas. Sendo as violências amplamente divulgadas e as virtudes das pessoas da Baixada, principalmente seus jovens moradores, em todas suas potencialidades, ficavam invisíveis.
Ao expor essa realidade construída e desenvolvida em pressupostos taxativos, não seria novidade dizer que até pouco tempo, os direitos da juventude da Baixada eram poucos discutidos e enaltecidos, tirando os casos em que esse tema se tornava peça chave para inúmeras propagandas assistencialistas.
Ter direitos e conhecimentos frente às instâncias sociais, econômicas, políticas e culturais é enfrentar os problemas e desafios e cobrar por políticas estruturantes. Em todos os meios de debates e ações temos sempre que lutar contra o processo de vitimização, ou seja, não alimentar a relação de subordinado e subordinador para que assim, que somente da alicerces depreciativos para os jovens da Baixada. Pelo contrário, propomos a criação de uma rede de seres críticos e pensantes dispostos a lutarem como detentores e promotores de seus direitos.

O movimento juvenil da Baixada juntamente com pensadores, pessoas reflexivas e atuantes na militância que tem como lema a luta por uma juventude de direitos, vem caminhando mesmo que ainda em pequenos passos para um processo de conscientização social diante de um tema tão profundo e essencial que é termos uma cultura de direitos humanos em nossa região.
A juventude da Baixada está cercada por indivíduos atuantes e atores sociais, dispostos a serem ouvidos e almejando oportunidades para expressarem suas inquietudes, dúvidas, demandas e anseios. Os direitos sociais não foram pedidos, mas, conquistados por essa sociedade que ao mesmo tempo em que se torna cruel e perversa, alimenta meios e estratégias para que as discussões sobre direitos humanos não sejam apequenadas ou esquecidas.
Nesta juventude está a esperança de mudança dos círculos destrutivos para virtuosos, não com a promoção de políticas públicas estereotipadas, mas iniciativas multissetoriais e investimentos sérios para mudar corações e mentes. É possível e já foi feito.


fotos: Adriano Dias

Adriano Dias é fundador da ONG ComCausa - Cultura de Direitos e ex subsecretário municipal de Prevenção da Violência de Nova Iguaçu.

domingo, 16 de abril de 2017

Resenhas (atrasadas) :: Novidade velha é com a gente mesmo!

por: Rafael A.

No começo do mês pulicamos aqui a resenha do primeiro EP da banda carioca Café República (confira aqui), lançado em 2014 (boa banda e belo trabalho, então vale a resenha atrasada, né?)...Após a publicação da mesma, este que vos escreve se deu conta de que haviam diversos materiais resenhados, como da ótima banda Milhouse (foto), que sairiam na vigésima edição impressa deste fanzine, que nunca saiu (ainda não saiu, melhor dizendo... até porque a gente gosta mesmo é de fanzine de papel!). Sendo assim, a partir desta semana, vamos publicando, sempre às terças-feiras, o que tivermos de material resenhado que não foi pro ar, certo? Mesmo parecendo não fazer lá muito sentido, vai que você dá de cara com alguma banda que ainda não conhecia, ? Fica ligado na seção Resenha então, ok? Até!

foto: divulgação

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Agenda :: Van Torres & Rafael Almeida no Palco Salvatori!


Hoje é dia de Rock em versões acústicas no Centro de São Gonçalo! Tem ensaio aberto de Van Torres & Rafael Almeida (foto) no Palco Salvatori, mais um espaço que surge na cidade para músicos e fãs de todos os estilos! É véspera de feriado! Nos vemos lá!

Serviço:

13 de abril :: quinta-feira :: 20:30h

Palco Salvatori

Ensaio aberto:
VAN TORRES & RAFAEL ALMEIDA

Local: Palco Salvatori
End.: Rua Salvatori, 15, loja 6, Centro, São Gonçalo/RJ
ENTRADA FRANCA / Informações

foto: divulgação

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Entrevista :: Carlos Brunno


por: Rafael Almeida

Mais uma entrevista muito bacana de fazer! Explico: esse cara aí é uma das figuras mais importantes pra história de nosso Sarau Feira Moderna. E qual não foi a surpresa (e a alegria) deste que vos escreve, ao saber que um antigo projeto foi, em parte, responsável/incentivador do sarau promovido por nosso entrevistado (no qual já me apresentei, inclusive!)? Aliás, o underground tem desses coisas. Quase nunca se tem a real noção do quanto as pessoas com as quais cruzamos nos influenciam, ou são influenciadas por nós ou por algo que fazemos. Por exemplo, duvido muito que o Sr.Carlos Brunno tenha ideia do quanto seus projetos na escola onde leciona são importantes na vida de seus alunos (e pra todos nós que dedicamos um pouquinho de nossa vida, que seja, à arte).. Enfim, segue o papo com nosso poetamigo Carlos Brunno!


FMZ: Pra começar, fale um pouco de seu último livro, “O Nada Temperado Com Orégano”! Você já está na estrada há um bom tempo divulgando ele, como tem sido a repercussão?

Carlos Brunno: A recepção do livro tem sido boa, mas as vendas andam mais ou menos nesse contexto de crise (ele tem vendido menos que os dois anteriores “Foda-se! E outras palavras poéticas”, de 2014, e “Bebendo Beatles e Silêncios”, de 2013, porém já percebi que não é por uma questão de rejeição e sim de falta de dinheiro dos leitores mesmo – o mais recente é mais caro, foi um projeto mais ambicioso, mas, em breve, só que mais lentamente que os anteriores, ele paga o seu custo e parto pra outro).


FMZ: Entrando num universo do qual entendo muito pouco: o mundo editorial. Você já lançou diversos livros. Todos de forma independente? Como funciona essa relação entre autor e editora e, como faz para manter sua obra sempre sendo atualizada, lançando novos livros com regularidade?

Carlos Brunno: Todos os meus livros foram feitos de forma independente (mesmo os com editora, quem pagou o custo fui eu, logo é independente também; curto mais assim, pois a obra fica com uma cara mais do autor e, bem, se o mercado editorial não se interessa, foda-se, vamos no método ‘Ramones” – 1, 2, 3 e vamos fazer nossa arte custe o que custar). O mercado editorial no Brasil é complicado – o público leitor é pequeno, a maioria das editoras, como qualquer empresa, quer faturar com obras pasteurizadas de autoajuda, de autores já consagrados, etc, poucas dão voz a novos autores (quando dão, cobram um valor, tipo um seguro, pois as editoras não querem nem ousam cometer qualquer risco com autores ainda não reconhecidos; pra livros de poemas então nem se fala: as editoras, em sua maioria, execram tais obras por não serem ‘rentáveis’). Agora como faço para manter sua obra sempre sendo atualizada, lançando novos livros com certa regularidade: os primeiros busquei patrocínios mais um capital inicial meu, depois é pé na estrada, vender nem que seja de porta em porta até garantir que a equação débito/crédito esteja favorável para a publicação de uma nova edição ou uma nova obra; até hoje não obtive lucro, mas também não sofri prejuízo, tanto que ‘sonho com os pés no chão’: outro livro só sai quando o anterior já se pagou (por isso, por favor, amigos leitores, encomendem o “O Nada Temperado Com Orégano” pra que eu possa lançar algo novo rs).


FMZ: Seus livros tem versão digital? Como vê o formato e-book? Acha válido?

Carlos Brunno: Bem, meus livros ainda não têm formato digital, um pouco por preguiça, falta de oportunidade e tempo rs. Planejo ainda neste ano, pra comemorar o aniversário de 20 anos de meus primeiros livros “Fim do fim do mundo” (junho de 1997) e “Promessas desfeitas” (agosto de 1997), como ambos estão esgotados, lançá-los em versão digital para download gratuito. O formato e-book é de fácil acesso e cada vez mais válido, até porque, como aparelhos eletrônicos como celulares passaram a se tornar ‘amigos íntimos’ das pessoas e devido à correria do dia a dia, o livro em versão digital é mais dinâmico e pode conquistar um número de leitores maior para o escritor. Resumindo: considero o formato e-book super-válido, apoio e pretendo apoiar ainda mais, mas tenho muito apreço ainda pelo livro impresso; o mais-que-fodástico Ziraldo sempre dizia que a leitura tem algo de sexual – é preciso ficar íntimo, tocar, folhear, sentir – e essa visão dele para o formato impresso permanece comigo; sou um colecionador/leitor voraz de livros impressos, mas também não dispenso obras em pdf, etc, por mais louco que seja nosso tempo, há pelo menos uma horinha pra cada leitura (falei que ia resumir e não resumi nada rs).


FMZ: Voltando um pouco no tempo: como a poesia entrou na sua vida?

Carlos Brunno: A culpa foi das estrelas da constelação pública escolar rs. Sinceramente, apesar de ser leitor voraz desde pequeno, meus interesses iniciais eram desenhos, pinturas. Já tinha escrito algo no ensino fundamental, mas nada marcante, nada que eu me lembre e/ou valorize; até curtia ler um ‘poeminha’ ou outro, mas preferia livros de contos, de aventura, de mitologia, de ficção científica e gibis, principalmente gibis (era viciado em HQs; hoje pego anestesias líricas mais pesadas sem largar os vícios anteriores rs). Só no primeiro ano do ensino médio, no Colégio Estadual Theodorico Fonseca, em Valença/RJ, lá pelos anos 1994, a professora de Português Ieda, através de suas aulas (que incluíam suas leituras entusiasmadas para poemas clássicos como os sonetos de Camões, as quais eu adolescente ficava tentando descobrir que p... de significado místico e emocional tinha naquilo que fazia minha professora suspirar e se sensibilizar tanto), conseguiu despertar meu interesse pela poesia. Ela me incentivou a escrever; até me inscrevi com o poema “Não cantamos mais rock’n roll” no Concurso Intercolegial daquele ano (atenção, governantes de Valença, precisamos resgatar a tradição do Concurso Intercolegial de Artes no município; muito artista fodástico começou num evento desses!). O poema era todo rimadinho - tem uma versão dele em meu quarto livro “O último adeus (ou o primeiro pra sempre)”, de 2004 -, com as figuras de linguagem que a professora Ieda me ensinara (bastante anáfora, uma ou outra metáfora), tinha a mensagem meio desesperançada de que a geração adolescente se afogava em bebidas e gritos calados; no dia da apresentação, fui declamar de macacão rasgado, ‘um nerd querendo causar’ rs, e, bem, não classifiquei pra final, mas dei meu recado. Porém aquele Concurso Intercolegial marcou meu aprofundamento na poesia, pois um colega meu, o André Diniz, tinha escrito um poema muito mais fodástico que o meu e também não classificou – ficou em segundo um poema meia boca de um playboy com sobrenome conhecido na cidade (cidade pequena é assim, né?) em homenagem aos esportistas Ayrton Senna e Dener, que haviam falecido há pouco; fiquei p... da vida pelo poema do André não ter nem ido pra final, banquei o anjo vingador e disse pra mim mesmo: vou estudar poesia pra que a minha arte fique tão foda que eles vão ter que me engolir em concursos. Estudei por minha conta poesia da Grécia Antiga aos estilos mais contemporâneos, vendo o lado bom e ruim de cada estilo, mergulhei num relacionamento duradouro com a poesia (engraçado que comecei a me aprofundar por raiva e teimosia e, aos poucos, fui me apaixonando). Um tempo depois, aproximadamente um ano depois, ganhei Menção Honrosa num Concurso Nacional de Poesias da Biblioteca Euclides da Cunha, no Rio de Janeiro/RJ (a professora de Português Selma quem me indicou e me estimulou a concorrer). O tema era “Miséria e Fome: qual é a solução?” e concorri e fui premiado com o poema “Intervalo de Refeição”. Daí, sigo esse caminho louco e lírico e continuo, apesar dos momentos tortuosos, sigo em frente.


FMZ: Você é professor, e toca projetos muito legais com seus alunos, alguns premiados, inclusive. No mundo de hoje, como fazer pra despertar o interesse da garotada pra poesia, literatura, enfim?

Carlos Brunno: A resposta desta pergunta está indiretamente (ou diretamente?) ligada à anterior: o que faço é estimular a leitura, mostrar-me leitor também, assim como as minhas professoras de Português fizeram comigo. É mostrar que no texto não há só um punhado de palavras colocadas umas com as outras; há sentimento, lirismo, há muita arte ali e precisamos entrar naquele mundo estranho, torná-lo nosso, ler o outro até o outro ser parte de nós, sermos nós e o outro também, É cada vez mais difícil, no mundo atual, voltado para a falsa interação – a interação ensimesmada diante de uma tela de computador ou tablet ou celular convivendo com egos distanciados, todos socializando seus umbigos -, despertar esse interesse (um poeta disse uma vez que não há mais paredes com ouvidos, e sim ‘ouvidos com paredes’; o lance é o professor teimar, não deixar de lado o dever de mostrar a importância da leitura, estimular e mostrar o poder do leitor realmente interativo-inteiro (aquele que não apenas lê, mas questiona e faz releituras das obras que lê), lembrar do uso de outras ferramentas artísticas (mostrar grandes adaptações cinematográficas de obras literárias, apresentar/carregar livros sempre consigo que demonstrem de forma ainda mais concreta os lados mais fascinantes da leitura e releitura). Outro ponto é apresentar pro aluno-escritor sempre o porquê da escrita, a marca autoral, o eternizar-se (quando se constrói uma obra de arte sua você marca sua existência no tempo, se imortaliza) e para quem ele escreve (elogiar, acompanhar com críticas construtivas a trajetória de escrita do aluno, ver seus avanços e, se possível, estimulá-lo a sempre mostrar sua arte, seja enviando seus escritos a concursos literários que estimulem novos autores, seja formando um Clube do Livro escolar, seja organizando saraus escolares e na comunidade [observação: todos os exemplos que passo não são meramente ilustrativos – na escola onde leciono, organizamos saraus, temos o Clube do Livro, grupo teatral escolar, etc]).


FMZ: E o Sarau Solidões Coletivas, como surgiu a ideia de fazer?

Carlos Brunno: Bem, digamos que essa ideia estava em gestação há quase 20 anos rs Desde que lancei meu primeiro livro Fim do fim do mundo”, no (agora extinto) Casarão da Artes de Valença/RJ, em junho de 1997, por estímulo da Secretária Municipal de Cultura da época, a mais-que-fodástica Ana Vaz, a minha poesia ficou associada com outras manifestações artísticas – no caso daquele lançamento, a Secretária me apresentou o Grupo Teatral Arte-Ofício, dirigido pelo Allabah (não sei se o nome dele é escrito assim, me desculpe) e pelo Carlos Henrique Cassiano e eles interpretaram uma série de poemas de meu primeiro livro num espaço privilegiado por quadros e esculturas de artistas plásticos da região. Ali, percebi que a união de diversas manifestações artísticas no mesmo evento gerava resultados líricos fodásticos. Nos lançamentos seguintes de livros, passei a convidar músicos, bandas, o próprio Arte-Ofício (sempre, devo muito a eles pela colaboração lírica), artistas plásticos. No lançamento do meu quinto livro “Eu e Outras províncias” de 2008, a poetamiga e jornalista Katia Berkowicz me falou uma coisa que ficou na minha cabeça por muito tempo, ela disse que eu não podia ficar muito tempo sem lançar livros, pois a cidade precisava daquele movimento artístico, que o pessoal ficava aguardando o novo livro e, consequentemente, o novo evento. Desde 1997, já rodava por diversas cidades com meus livros, mas intensifiquei esses passeios líricos, e passei a participar ainda mais de mais eventos na minha cidade, tentando formar grupos, mas ainda de forma muito esporádica, até que, em 2011, a convite do artistativistamigo Giovanni Nogueira, participei com alguns artistamigos do evento “Arte Valença” com meu livro “Diários de Solidão” (2010) e realizamos um sarau que batizei de “Diários de Solidões Coletivas”, em homenagem ao nome do meu sexto livro. O nome ‘aconteceu’ naquele momento, mas, como houve apenas aquela apresentação e uma outra em Rio das Flores/RJ, o grupo ficou meio que adormecido. Retomamos o nome e o grupo em um evento no início de janeiro de 2012, em Cambota, região rural de Valença/RJ, numa espécie de preparação pra nossa apresentação no Narcose Rock Clube #2 – Edição Especial Praia do Rock 10 anos, no Bar, Restaurante e Pizzaria do Portuga, na Praia da Ponta do Francês, em Itaipuaçu, Maricá/RJ, em 20 de janeiro de 2012, evento para o qual fomos convidados por você, “tio” Rafael Almeida (ou seja, você é um dos padrinhos/estimuladores do sarau). Mas, mesmo assim, após as duas apresentações, a ideia adormeceu mais uma vez, pra ressuscitar no dia 21 de abril de 2012, por estímulo do retorno do Jornal Valença em Questão (a equipe do jornal queria uma estratégia diferente para o lançamento de cada edição, então nos convidou pra fazermos o sarau e nós topamos). A partir daí, o Sarau Solidões Coletivas se consolidou (tanto que sempre comemoramos o seu aniversário no dia 21 de abril, apesar dos eventos anteriores) e resiste até hoje, mesmo que se equilibrando louca e liricamente nos altos e baixos dos tempos.


FMZ: O evento já tem um bom tempo de atividades. E, imagino, que assim como no meio musical independente, seja bem difícil de manter um projeto assim rolando, não?

Carlos Brunno: E bota difícil nisso rs. Por ser uma proposta de arte coletiva e independente, o Sarau Solidões Coletivas resiste mais por teimosia e força de vontade dos envolvidos; tem momentos de intensa euforia, tem suas fases apáticas que parece que vai estagnar, às vezes tá todo mundo bem, outras vezes, surgem sementes de desunião, ora somos benquistos, ora boicotados, algumas vezes ignorados ou rejeitados, noutras tantas estimulados a continuar ou a retornar; como diz o mestre-poetamigo Gilson Gabriel, “o sarau tá sempre ressuscitando”. Somos um movimento de contracultura, que rima com loucura, doçura ou tortura dependendo do momento, temos nossos altos e baixos, mas jamais finalizados, marchamos liricamente gloriosos mesmo nas derrotas rs, mas há de se destacar: o sarau traz aquela sensação consoladora de resistência vitoriosa, mesmo nos dias mais tenebrosos, afinal, é um projeto coletivo contracultural que flerta com o underground e perdura há anos sem rabo preso com políticos, sobrevive essencialmente pelo desejo de mostrar arte coletiva e livre das amarras tradicionais que alguns membros da sociedade de cidades pequenas insistem em manter.


FMZ: Tenho feito essa pra todos os artistas com quem converso... Sobre o momento político pelo qual nosso país passa: onde a classe artística fica no meio disso tudo? E mais, como tem visto a galera, músicos, poetas e por aí vai, com relação a tudo que está acontecendo? Há, no seu entender (ou deve haver), posicionamento? Enfim... suas opiniões, por favor..rsrs!

Carlos Brunno: Cara, como artista, sempre fui meio ‘apolítico com tendências de esquerda’, por mais paradoxal que isso seja, mais propenso à anarquia, por minhas raízes líricas underground, mas atualmente vivemos uma espécie de ‘ditadura legal ultradireitista’ e, como dizia Chico Buarque, o artista deve estar onde o povo está, e os direitos e interesses populares estão mais à esquerda, por mais que tentem manipular para o sentido contrário. Digo que a classe artística precisa se posicionar mais à esquerda; apoiar essa nova ordem ultradireitista brasileira seria como praticar uma antiarte. Vejo nos círculos sociais e virtuais com os quais interajo, os artistamigos muito divididos e lembro e repito: considero que devemos nos posicionar mais à esquerda devido ao contexto, mas opondo-se às posições radicais, ou seja, independente de que direcionamento político você tome, que seja sem ultras e sem Ustras, por favor!


FMZ: Planos para o futuro: tem livro novo a caminho, o sarau continua rolando, o que vem pela frente?

Carlos Brunno: Tenho sempre milhões de livros e ideias a caminho rs, mas, como eu disse anteriormente, primeiro preciso divulgar mais “O Nada Temperado Com Orégano” pra depois pensar nos próximos (mas garanto que tenho o esboço de, pelo menos, uns 4 livros novos, mas sem previsão alguma pra serem lançados). O Sarau Solidões Coletivas continua – em março, realizamos nosso eterno ‘retorno’ em um evento próprio, estimulado pelo convite da Rose Almeida, do Restaurante Variedade & Sabor, e ainda participamos do I Encontro Holístico de Valença/RJ no Espaço Ganesha -; agora planejamos onde e como faremos o evento de aniversário oficial do Sarau (21 de abril) e seguiremos assim, com eventos mais constantes, menos esporádicos.


FMZ: Bom, é isso. Muitíssimo obrigado pelo papo! Recado final?

Carlos Brunno: Recado final de poeta é sempre um poema, rs, e, como nesse ano comemoro 20 anos do meu primeiro livro “Fim do fim do Mundo”, deixo um poema que faz parte desta minha primeira obra poética:

Quando

Quando criaste espinhos
Eu criei uma rosa
Quando criaste o desvio
Eu criei minha casa
Quando criaste a distância
Eu criei o atalho
Quando criaste a dúvida
Eu criei minha paz
E quando construíres o fim
Eu já terei construído o meu recomeço.

(poema do livro “Fim do fim do mundo” [1997], de Carlos Brunno Silva Barbosa)


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 foto: Latitude Zero Prod.

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