• Rafa Almeida

1 Disco por Dia | Engenheiros do Hawaii - Várias Variáveis


Engenheiros do Hawaii - Várias Variáveis

DIA 36: Engenheiros do Hawaii - "Várias Variáveis " (1991)

Este é o segundo álbum da trilogia lançada pela banda gaúcha Engenheiros do Hawaii no comecinho dos anos 1990. Na verdade, não sei dizer se em algum momento esses discos foram, de fato, anunciados ou tratados pela banda como uma trilogia. Mas, se levarmos em conta a ideia posta em pratica pelo EngHaw de a cada três alguns de estúdio, lançar um ao vivo, faz sentido encarar os três primeiros lançamentos da banda de Humberto Gessinger na década de noventa como uma trilogia!

Várias Variáveis foi lançado em 1991. Um ano após O Papa é Pop. E um ano antes do GLM (que aparece aqui amanhã). Antes da trinca, a banda lançou seu primeiro disco ao vivo. E depois dela, o "quase acústico" (se é que dá pra chamar assim) Filmes de Guerra, Canções de Amor. Sendo assim, temos a sequência de um disco ao vivo a cada três álbuns de estúdio concluída, mais uma vez, na discografia da banda. Nada de errado em tratar essas três belezuras como trilogia, então.

Dos três álbuns citados, Várias Variáveis foi o que por último me fisgou. Em certa medida, a imagem do Rock gaúcho como algo à parte do Rock nacional sempre me rondou. O próprio Humberto Gessinger já falou a respeito da estranheza que o EngHaw causava, por exemplo, na grande mídia do eixo Rio-São Paulo, por exemplo. E um dos aspectos do disco de 1991 que me chamaram a atenção, a princípio, tem a ver com essa questão geográfica. Ou algo do tipo..

O Papa é Pop continha detalhes que me davam a impressão de uma banda ainda agarrada a suas raízes ou sua terra natal, por assim dizer. E não falo só por "Anoiteceu Em Porto Alegre". Também por ela, mas não só por ela. Várias Variáveis abre com "Pampa Pobre", que até segunda ordem remete ao mesmo tipo de ligação dos Engenheiros do Hawaii com sua Cidade, seu Estado. Mas ao longo do disco, um ar um pouco diferente toma conta do ambiente. De novo, não só por "Sampa no Walkman". Também por ela, mas não só por ela. Mais pro final do disco, "Descendo a Serra" pode perfeitamente desmontar o que estou tentando passar. Mas ainda sinto o álbum como um (ou mais um) ponto de ruptura da banda com suas origens.

Não me interpretem mal! Eu sei que a ligação com o Rio Grande do Sul não só está presente, como é um dos aspectos mais característicos da obra dos Engenheiros do Hawaii e de Humberto Gessinger em sua carreira solo. Talvez essa ruptura que identifico tenha a ver com ser o primeiro disco após o sucesso de O Papa é Pop, ou uma determinada postura da banda perante a indústria fonográfica, vai saber.

Tanto Várias Variáveis quanto os outros dois dessa sequência que identifico e trato aqui como uma trilogia foram produzidos pela banda. Talvez essa sensação de ruptura a que me refiro venha de uma certa autonomia conquistada por Gessinger, Licks e Maltz. E que pode ou não ter a ver com a chegada da banda ao eixo Rio-São Paulo. Não sei dizer exatamente em que álbum, mas até um determinado momento houve resistência da banda em deixar Porto Alegre e se mudar pras bandas do Sudeste, ao que me consta.

Além dessa impressão que o disco me passa, tem o aspecto musical. Que é outro ponto que me soa peculiar na obra dos Engenheiros do Hawaii. Novamente, Várias Variáveis me passa a ideia de um ponto de ruptura (esse termo me vem à cabeça ao falar do disco, não adianta...rs). O disco me soa pesado, o que me agrada. E apesar de "Piano Bar" ser uma linda balada, "Quartos de Hotel", a faixa-título e "Sampa no Walkman" em sequência ainda são a cara do álbum pra mim! Ou seja, peso.

"Museu de Cera" e a viagem que rola até o final do disco também mexem comigo. Mas, de novo, essas sequências, como rola no Papa é Pop, me pegam pelo estômago... A ideia de princípio, meio e fim contida nesses trechos de álbuns dos Engenheiros e de outras bandas e discos me encantam de tal forma!

Enfim. Várias Variáveis é só o meio do caminho nessa viagem por álbuns dos EngHaw, que estamos fazendo no fim dessa primeira parte de nosso 1 Disco por Dia. Amanhã trataremos do GLM, outra pérola! E, resumindo o tanto de coisas que tentei expor aí em cima, acho que a dificuldade em conseguir resumir minha sensação ao ouvir o disco é a confirmação de que estamos diante de um grande álbum. Não que precisemos, necessariamente, entender grandes obras, muito pelo contrário...

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