• Rafa Almeida

Entrevistas | Gustavo Nobio


Gustavo Nobio | foto: divulgação

Uma das coisas legais em se fazer um fanzine é a possibilidade de, ao longo do caminho, esbarrar com outras pessoas apaixonadas por música, arte, cultura, enfim. E o que vem a seguir tem muito a ver com essa paixão pela arte, com a sensação de estarmos conectados com as pessoas e o mundo através dela. E de nos fazermos ouvir através dela, também.

Há uns dez anos de diferença de idade entre este que vos escreve e nosso entrevistado. Apesar disso, ao longo desse papo, nos esbarramos (de alguma forma) em diversos sons, artistas, discos, épocas, na programação da TV e em lugares também. Ambos tivemos a sorte de passar pela Villa-Lobos, tradicional escola de música no Centro do Rio de Janeiro. Um como estudante, bem jovem, frequentando as aulas e apreciando os alunos mais velhos em suas rotinas de estudo e apresentações na escola. O outro, subindo no palco para defender sua obra.

E é bem provável que durante a leitura do papo a seguir, alguns se vejam ou se lembrem de terem estado em lugares, ouvido sons, assistido esse ou aquele filme... É bem provável que, em dado momento, algum de nós tenha estado no mesmo lugar, assistindo ao mesmo festival ou até dividindo o palco. E esses encontros às cegas, que não se concretizam fisicamente, se tornam reais quando revisitamos épocas, bandas e influências.

Aliás, é provável que você e eu já tenhamos, de fato, cruzado com o rapper Gustavo Nobio por aí. Ou com Gusnob, Nobilíssimo Gus, Gêiser Altyvo ou S.U.P.R.A. Vida Secular! Se você já viu algum desses nomes por aí (e eu já!), você já ouviu falar de Gustavo Nobio. E tem muita coisa a ser dita pelo músico e ativista do Meio Ambiente nascido em 1975, no município de Bom Jesus do Itabapoana, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Muitas lembranças, histórias, impressões e, sem dúvida, muitas chances de já termos todos nos encontrado (sem saber) em algum palco, filme ou disco! Aproveite!

FMZ: Gostaria de começar falando de seu primeiro contato com a música. Você veio do interior do Estado para Niterói com que idade? O interesse pela música se deu já aqui em Niterói, ou a arte sempre esteve presente em sua vida?

Gustavo Nobio: Nasci em Bom Jesus do Itabapoana, município da região noroeste fluminense, e vim morar em Niterói em 1985, aos 10 anos de idade. O contato com a música se deu ainda lá no interior a partir dos LP's e compactos simples de música popular brasileira e música estrangeira que minha mãe e meus irmãos botavam pra tocar na vitrola.

Quando minha família se mudou pra cá era um momento (e durante os anos que se seguiram até o fim daquela década) em que o Pop Rock nacional estava bombando nas rádios ou se destacando na cena alternativa com bandas como Os Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial, Barão Vermelho, Titãs, RPM, Ira!, Ultraje A Rigor, Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós, Uns e Outros, Finis Africae, Hojerizah e Zero que começavam a emplacar seus primeiros hits. Mas me lembro também que o Samba tradicional era bastante presente nas mídias radiofônica e televisiva, época em que João Nogueira, Martinho da Vila, Fundo de Quintal, Beth Carvalho, Alcione, Jovelina Pérola Negra, Dona Ivone Lara, Roberto Ribeiro, Bezerra da Silva, Almir Guineto, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho, Agepê, e vários outros, eternizaram sucessos que até hoje o povo canta no morro e no asfalto. Fui absorvendo tudo isso de maneira muito natural com o passar dos anos e embora eu não seja um artista de Rock ou de Samba acabei decodificando essas informações musicais no meu DNA artístico.

Vale destacar que a trilha sonora de "RoboCop, O Policial do Futuro" (1987) - composta pelo maestro Basil Poledouris - me marcou bastante, pois foi o primeiro filme que assisti na tela grande, na extinta sala Cinema Niterói.

Na década seguinte, com a chegada da MTV ao Brasil em 1990 e a popularização do videoclipe na indústria fonográfica do mundo inteiro (ou até antes disso), fui impactado pelo arrebatamento estético e sonoro do Hip-Hop e do Hard Rock estadunidenses através de grupos e bandas como Run-DMC, Public Enemy, Beastie Boys, Cypress Hill, AC/DC, Kiss, Aerosmith, Van Halen, etc. E aos 14 ou 15 anos comecei a escrever minhas primeiras letras tentando emular a atitude musical daqueles artistas, mas a maturação e a originalidade só vieram depois, processo evolutivo que faz parte da vida de qualquer jovem que se interesse por música.



FMZ: E como foi o início da carreira, das primeiras composições até entrar em estúdio pela primeira vez para gravar, enfim?

Gustavo Nobio: Tudo começou da seguinte maneira: meu primeiro emprego de carteira assinada foi como contínuo (office boy) numa agência de turismo, no centro da cidade do Rio de Janeiro, em 1994. Lá conheci um camarada que também gostava de Rap e na hora do almoço tínhamos o costume de ir ao Largo da Carioca ou na Rua 13 de Maio pra ouvir discos de vinil que os ambulantes vendiam na época, ali ficávamos curtindo um pouco de Hip-Hop, Miami Bass, Dancehall, New Wave, House Music, mas a gente nunca comprava nada porque nosso salário era uma merreca [risos].

Numa dessas idas comentei com ele que eu escrevia rimas e tinha algumas letras que queria gravar usando bases sampleadas ou programação de bateria eletrônica. Aí ele me disse que tinha um amigo DJ que morava na Zona Norte e tocava em bailes nos fins de semana. Um belo dia marcamos e fomos até a casa desse disc-jóquei e nessa ocasião tive a oportunidade de realizar uma gravação, em fita K-7, bem rudimentar e amadora de um Rap que compus. Refletindo hoje, aquilo foi uma espécie de iniciação pessoal e prática no universo das BPM's (batidas por minuto) na qual o DJ usou um sample de um trecho instrumental da música "Chief Rocka", do grupo Lords Of The Underground. Era algo bem primitivo em forma e conteúdo e pobre musicalmente, pois só tinha voz e beats [risos], mas já era a gênese do que viria em seguida.

Em 1995 gravei de fato minha primeira fita demo, com produção mais profissional, sob o comando do tecladista e arranjador Marcos Vampa, que tocou na banda do Zé Ramalho. A tecnologia vinha evoluindo a passos galopantes desde a criação do compact disc (CD), pois já existia no mercado a chamada fita DAT (digital audio tape) com uma qualidade bem melhor que a da cassete. Foi daí que saí de um home studio com três composições mais sérias e consistentes registradas em áudio digital. Uma dessas composições musicais é "Altivamente A Todo Vapor", Rap que tempos depois foi regravado com baixo, bateria, guitarra e loops eletrônicos para a coletânea em CD do festival da canção Festvilla 3, lançada pela Escola de Música Villa-Lobos e pela FUNARJ em 1998.


FMZ: O Rap, nos dias de hoje, incorpora muitos outros estilos musicais. Da mesma forma, desde sempre, você teve um leque de influências musicais enorme: Rap, MPB, Afrobeat e por aí vai. Como esses estilos foram sendo incorporados à sua música ao longo do tempo?

Gustavo Nobio: A identificação com a linguagem verbo-rítmica do Rap - que aconteceu em fins da década de 1980 logo à primeira audição da dupla Eric B. & Rakim - está muito atrelada ao hábito de leitura na adolescência que eu dedicava às histórias em quadrinhos da Marvel, da DC Comics, dos livros da Coleção Vaga-Lume (Editora Ática) e dos contos de ficção científica, espionagem e romance policial. Ou seja, a influência de uma expressão musical contudente e de literaturas infanto-juvenis acabaram me inspirando como letrista no uso de uma narrativa direta, crítica e de cunho político-social, mas com o tempo procurei ousar poeticamente e refinar o vocabulário sem parecer ‘intelectualoide’.

A minha percepção musical ficou mais sensível e aflorada quando uma saga no interior do Brasil chamada Pantanal começou a ser exibida pela extinta TV Manchete no ano de 1990. Além de ter sido uma teledramaturgia primorosa escrita por Benedito Ruy Barbosa, a trilha sonora instrumental (a suíte sinfônica) composta por Marcus Viana era um espetáculo à parte - e ainda é, pois está disponível nas plataformas digitais. Aquela obra me surpreendeu e me lembro até hoje do tema de abertura homônimo. A novela teve mais duas trilhas, salvo engano, com canções que incluíam artistas como Almir Sater, Sá & Guarabyra, Sergio Reis, Ivan Lins, João Bosco, Sagrado Coração da Terra, etc. A MPB sempre esteve presente em minha vida, porém, um ouvinte atento só vim a me tornar na segunda metade da década de 1990 ao me interessar também pela Bossa Nova ao mesmo tempo em que estava antenado com o Manguebeat. Nesse mesmo período, a discografia do Chico Buarque foi um achado especial e bebi muito nessa fonte. Talvez eu não tenha dado a devida atenção às coisas nossas antes por causa da intensa dominação cultural estrangeira naquele momento e ser bombardeado pelos hits internacionais por todos os lados. Mas tinha que ser assim!

Já o Jazz tem um fato curioso porque eu só passei a me interessar pelo gênero por causa dos samples que os artistas de Hip-Hop usavam em suas produções, que eu sempre pesquisava lendo ficha técnica nos encartes de CD. Depois de ouvir muito os álbuns do A Tribe Called Quest, Gurus' Jazzmatazz, Us3 e Digable Planets fui atrás do trabalho de grandes jazzistas como John Coltrane e Miles Davis, assim descobrindo clássicos memoráveis que são os discos A Love Supreme (1965) e Kind Of Blue (1959), respectivamente, e muitos outros mestres da arte da improvisação instrumental. Com o Afrobeat - combinação de música Iorubá, Jazz, Highlife e Funk - foi um pouco diferente porque partiu da curiosidade de conhecer artistas do continente africano a partir do momento em que os sons do músico nigeriano Fela Kuti chegaram aos meus ouvidos e aí descobri Tony Allen, Manu Dibango, Mulatu Astatke, Ebo Taylor, a banda Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou.

Esse amálgama musical foi a liga perfeita que formou quem eu sou como artista!


FMZ: E quais suas maiores influências? Quais artistas você aponta como responsáveis por sua formação musical e a forma como você compõe e canta?

Gustavo Nobio: É importante frisar que houve uma transição do adolescente letrista de Rap para o adulto cancionista, sendo assim, como compositor fui influenciado pelo já citado Chico Buarque, Gonzaguinha, Belchior, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan, Tom Jobim, Caetano Veloso, Serginho Meriti, Jorge Aragão, João Nogueira, Luiz Melodia, Lenine, etc. Já como intérprete vocal - e também pelo fato de eu abraçar o rap e a canção tradicional -, as referências são as mais diversas possíveis, as lindas vozes de Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Ciro Monteiro, Tim Maia, Emilio Santiago, Maria Bethânia, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Elvis Presley, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Nate Dogg; os versos afiados dos rappers Rakim, KRS-One, Chuck D., Guru, Nas, Jay-Z, Thaíde, Mano Brown, Edi Rock, GOG, Black Alien, Sabotage. Os reis do ritmo Jackson Do Pandeiro e Miltinho (cantor carioca que surgiu na década de 1940 e chegou a excursionar com Carmen Miranda) admiro muito também pelo estilo muito peculiar de interpretação e divisão de frases. São tantos os arautos da melodia e das rimas que não cabem nessa entrevista.



"E sou do tipo de ouvinte que gosta de apreciar um álbum da primeira até a última faixa. Mas na era da internet percebo que as pessoas, em razão da vida corrida ou do imediatismo da sociedade contemporânea, não têm tempo ou interesse para audições mais imersivas e atentas..." (Gustavo Nobio)



FMZ: Sobre sua discografia. O álbum virtual Sucessos Nobianos Que o Mundo Nunca Ouviu! reúne gravações de diversas épocas de sua carreira. Como foi o processo de selecionar materiais, reunir tudo isso num único lançamento? E qual a sensação de ver tantos anos de carreira num trabalho só?

Gustavo Nobio: Todas as músicas que compõem essa compilação já estavam na internet há pelo menos 10 anos, mas nunca haviam sido distribuídas comercialmente em serviços de streaming como Spotify, Deezer, iTunes e Amazon Music, por exemplo. Para dar maior visibilidade ao meu trabalho e permitir o alcance rápido pelas pessoas, resolvi organizar esse material em forma de coletânea e lancei em 2019. São 17 faixas originais e seis bônus (versões editadas, demo e à capela). É gratificante para um artista independente compartilhar com o público sua obra, de estimado valor sentimental, e ver sua trajetória exposta na rede mundial de computadores. Seja a balada bossa nova "Vis à Vis", seja o Rap Boom Bap "Via Ponte Rio-Niterói", seja o forreggae "Sorriso Miserando", tudo é coisa musical como diz Hermeto Pascoal.


FMZ: E quanto ao cenário Hip Hop atualmente? Quais novos artistas você tem ouvido e têm chamado mais sua atenção?

Gustavo Nobio: Eu ainda tenho o costume de ouvir Rap/Hip-Hop das décadas de '80 e '90 assim como Jazz e MPB das décadas de '60 e '70. E sou do tipo de ouvinte que gosta de apreciar um álbum da primeira até a última faixa. Mas na era da internet percebo que as pessoas, em razão da vida corrida ou do imediatismo da sociedade contemporânea, não têm tempo ou interesse para audições mais imersivas e atentas e preferem consumir singles ou o hit do momento. E nessa tendência de 'fast hearing', de 'fast tunes', do consumo descartável, tem surgido muitos artistas com esse perfil que não me seduzem musicalmente, já que as letras quase sempre exaltam e ostentam o hedonismo.


FMZ: Sua carreira vem desde antes da internet se tornar a principal forma de se descobrir e consumir música. E você passou por diversos festivais, participou de coletâneas. O que de mais importante mudou de décadas atrás até aqui, na sua opinião? Ficou realmente mais fácil pro artista independente fazer sua música chegar até as pessoas?

Gustavo Nobio: O advento e a democratização das mídias sociais e das plataformas digitais sem nenhuma sombra de dúvidas catapultou muita gente ao estrelato no mundo inteiro. O grande barato dessa evolução tecnológica (com prós e contras, obviamente) é o fato da música do artista estar em todos os lugares ao mesmo tempo agora, não necessariamente ser um sucesso estrondoso, mas não ter mais barreiras e fronteiras para divulgação musical independente e ainda poder monetizar com streamings e lives. Sim, ficou muito mais fácil e graças a Deus a internet é um caminho sem volta.


FMZ: Você também é um defensor do meio ambiente. Fale um pouco pra gente sobre seu ativismo!

Gustavo Nobio: Desde a época em que eu morava em B.J.I. minha relação com a natureza sempre foi de pés no chão e de contemplação. As viagens com meus pais para a zona rural mais próxima - seja no Estado do Rio ou no Espírito Santo ali do lado - eram frequentes, o que reforçou e despertou ao longo do tempo essa coisa de consciência ecológica para além do bucolismo. Já na fase adulta, diante de tantas transformações que o mundo vinha passando, senti a necessidade de adquirir conhecimento técnico-científico na área ambiental, parti então pra malhar o cérebro na academia. De lá saí com embasamento necessário para opinar e debater sobre o assunto e até mesmo poder contribuir para uma sociedade mais sustentável. Em seis anos de estudos me formei no curso Técnico em Meio Ambiente e me graduei em Gestão Ambiental. No ano de 2013 resolvi criar um blog no intuito de tratar de questões relacionadas à Ecologia e Sustentabilidade e levar informação às pessoas através da divulgação científica, fundando o site SenhorEco.org.


FMZ: E como tem sido a vida longe dos palcos, neste período de quarentena? Há artistas que aproveitaram para compor, outros ficaram afastados da música... Como tem passado esses tempos?

Gustavo Nobio: Se eu já era uma pessoa resiliente, depois da Covid-19 fiquei ainda mais. Uma crise sanitária em escala global exige que a sociedade desacelere seus processos produtivos, reduza sua pegada ecológica (indicador que estima a demanda ou a exigência humana sobre o meio ambiente) e equilibre seus hábitos de consumo, tentando fazer mais com menos recursos, ou seja, tudo que eu já havia aprendido na teoria e na prática, então de certa maneira consegui me virar, driblar os reveses, mesmo com as limitações impostas a todos nós. Mas em casa a música, a leitura e os filmes estiveram sempre presentes para alívio dos dias de tédio em isolamento. A meu ver, a pandemia não criou nenhuma nova tendência, apenas acelerou as que já existem como o trabalho em home office e os serviços online de internet banking e delivery, transporte por aplicativo, enfim. Para o bem ou para o mal, as relações de trabalho estão mudando. É o mundo em constante evolução e sobreviverão aqueles que souberem melhor se adaptar a esta nova realidade.


FMZ: E para finalizar: O que esperar do mundo pós-pandemia?

Gustavo Nobio: Mais amor entre os seres humanos e deles para com a natureza, respeito às diferenças, menos desigualdades e que todos possam coexistir em paz.


FMZ: Muito obrigado pelo papo! Sucesso em seus projetos e até a próxima!

Gustavo Nobio: Eu que agradeço pelo convite e pelo espaço que você concede ao artista independente. Bons sons! Vida longa e próspera!

Confira “Samba do Vacilante”, de Gustavo Nobio, no Youtube:


Conheça Gustavo Nobio:

Site | Instagram | Bandcamp | Spotify | Youtube

Conheça o SenhorEco.org

Confira Gustavo Nobio e outros artistas independentes na playlist do FMZ.

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